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“Criação em Andamento” – Uma Experiência Particular

09/01/2013

Bem, este post não terá nenhuma teoria ou opinião sobre o RPG em si, mas uma experiência minha do ano passado que julgo ser bastante válida em qualquer sessão de jogo.

Na época, tinha recém-saído da leitura de Busca Final, um jogo dramático simples e, ao mesmo tempo, incrivelmente rico em drama. O que mais me chamou atenção nele foi a Criação em Andamento – um momento em que os jogadores tomam o papel narrativo, para descrever um aspecto na Cena.

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Busca Final: RPG brasileiro de alta qualidade, recomendado a todos.

Obviamente influenciado pela idéia, e pela criação de personagens no game Fallout 3, que provoca uma imersão no jogador ao resumir a sua maturação, resolvi tentar esse processo em minha primeira sessão de Abismo Infinito. A escolha por este livro foi justificada pela facilidade nas regras, e seu enfoque psicológico(sem falar que estava louco para narrá-lo…)

O grupo era compossto por três jogadores na época: duas recém-saídas de uma campanha em Lobisomem: o Apocalipse (a mesma que descrevi aqui) e um que ficou muito tempo sem jogar – ironicamente, o mesmo que me ensinou a jogar há muitos anos. Além das fichas, eu providenciei também os Contratos de Argonauta, liberados na net pelo Bogéa pouco antes do livro ser publicado.

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Dados, escudo e Contratos à mão antes do jogo começar…

Entreguei a cada um deles o contrato para leitura e, com as fichas ainda em branco, dei início à narrativa: para cada característica da planilha, descrevi como se desenvolveu (a carreira dentro do Cargo, cada uma das Âncoras escolhidas, etc.) para, depois do contrato ser assinado, o jogo realmente começar.

Pode parecer pouco a princípio, mas a experiência foi bastante rica: os jogadores deixavam de apenas escrever as características para construí-las de fato. A mente deles fluiu neste processo de construção, elencando antagonistas, idéias e metas que foram trabalhadas no jogo em si.

Enfim, uma experiência que julgo ser cabível em outros jogos, com o devido empenho e criatividade – afinal, o RPG é um jogo de criação coletiva, e qualquer impedimento a isso mata toda a graça do hobby!

Que Luna os ilumine, e até o próximo post!

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10 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    09/01/2013 13:21

    Para quem estiver interessado em fazer o mesmo com Abismo Infinito, segue o link para o Contrato do Argonauta.

    https://docs.google.com/file/d/0B7SWX_FvLLQ7R2k1bXlTaW5QN00/edit

    • Tonho da Lua permalink
      01/01/2016 16:38

      Passei dois dias procurando esse contrato.
      Obrigado mesmo!!!!

  2. 09/01/2013 14:17

    Legal!!! São essas “pequenas coisas” que fazem muita diferença nos jogos, com certeza!

  3. Monseha permalink
    09/01/2013 14:49

    É o que eu procuro sempre que desenvolvo um novo personagem. A prática de desenvolver um background foi aos poucos deixada de lado em favor das estatísticas numéricas. Grande erro, pois o que fomos no passado determina o que somos hoje e nossas escolhas durante esse caminho vão definir nosso futuro. A interpretação de um personagem, tanto nos sistemas mais tradicionais, como D&D, Storyteller, Gurps, quanto nos sistemas mais atuais como FATE, Dresden Files, Spirit of the Century, Ghondaria(joínha) é fundamental em toda sua totalidade, não apenas baseada nos valores numéricos. Quais os objetivos e ambições do personagem? Pelo que ele já passou? Quais os seus medos? Enfim, falta dramatização e sobram rolagens de dados.

    Parabéns Jairo por ser um ótimo narrador e estar “criando” jogadores melhores.

  4. 09/01/2013 15:08

    Adoro Hangouts!

  5. 09/01/2013 21:39

    Assino embaixo do comentário do Monseha.
    Jairo, você está de parabéns cara!

    Esse tipo de coisa é o que separa os mestres meia-boca pros Mestres e Narradores com M e N maiúsculo.

    Quando você me contou da sua experiência você não tinha me falado que a idéia dela vinha do Busca Final. Fiquei curioso agora, vou ler o livro.

    Grande abraço e obrigado por compartilhar conosco suas mirabolices rpgísticas!

  6. 10/01/2013 15:11

    Ótima idéia, Jairo! Todas as mecânicas e atitudes que incentivam o jogador a conceber seu personagem de modo mais literário do que matemático me apetecem muito!
    Só me parece que nessa você se inspirou mais no excelente Fallout 3 do que no Busca Final.
    Mas vou mestrar Abismo amanhã, e estou adotando sua idéia do contrato!

    • m4lk1e permalink
      10/01/2013 18:39

      Espero que a idéia aumente a diversão do grupo.

      E, como fã incondicional da série Fallout, tenho que admitir que a idéia veio basicamente dele. :)

  7. 10/01/2013 21:19

    E cade a resenha do Fallout 3?
    Conheço nada do jogo!!

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