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RPG de mesa através do computador – Roll20 e Knights of the Round Table

06/01/2013

Fiquei surpreso quando recebi uma sugestão do Sr. Flávio Rodrigues para jogarmos RPG através de um site. Quem já leu o post “De nerds e de loucos, todos temos um pouco” já sabe que o Flávio foi um dos meus últimos amigos a começar a jogar (e gostar) de RPG, e foi interessante ver essa mudança de comportamento num cara que antes só ligava pra pizza e que agora me escrevia dizendo que sentia falta de nossos jogos. Confesso que fiquei orgulhoso do estrago que fiz!

Bom, a idéia veio bem a calhar, pois já que estamos a milhares de quilometros de distância, e a minha abistinência de RPG está me causando efeitos colaterais possivelmente irremediáveis, o programa parecia uma solução perfeita para o nosso contexto.

Aproveitei a chance e convidei um grupo de amigos que considero ótimos jogadores, com aquilo que mais me agrada: criatividade, humildade e humor.

Sendo assim, depois de algumas semanas pra conseguir arranjar um horário em que todos tinham disponibilidade (fuso horário + trabalho + estudos não é uma boa combinação), marcamos pra jogar dia 22 de dezembro, logo antes do Natal e logo depois de uma semana especialmente turbulenta pra mim. Nada melhor que RPG pra me fazer espairecer as tristezas da vida e me lembrar que mesmo me despedindo de amigos queridos na Finlândia, ainda tenho outros muito especiais no Brasil.

O programa

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Bom, o Roll20 já começa com uma característica bem legal: ele não é um programa, mas um site. Ou seja, se você tem um computador ruim, ou tem alguma restrição de uso pra instalar softwares, o Roll20 quebra o teu galho e a única coisa que ele exige é que você faça um cadastro. Com isso feito, você pode cadastrar uma campanha, ou participar de uma existente.

No meu caso criei a campanha “Knights of the Round Table”, usando o sistema de mesmo nome que já relatei em outro post. Com a campanha criada, convidei meus amigos (que já possuíam cadastro), e começamos a mexer no site.

Acho que a característica principal do Roll20 é que ele é algo feito com boa intenção. Ou seja, a todo momento você se sente à vontade com a interface intuitiva, e o amparo dos vídeos tutoriais são bem úteis. Não tive muito tempo pra fuçar nele antes do jogo, mas depois de 15 minutos já peguei o básico e começamos a jogar. Curiosidade e vontade são os requisitos pra usá-lo!

Bom, o site em si possui o que se espera de um programa do gênero, com algumas novidades (pra mim) que fazem uma diferença legal. Todos os usuários que possuem uma câmera e um microfone podem ser vistos e ouvidos, e o sistema de áudio e vídeo funciona satisfatoriamente bem, com apenas poucos bugs. A tela principal é bem configurável, podendo colocar imagens, mapas, criaturas, miniaturas de personagens, rabiscos, e provável que até outras coisas que ainda não descobri.

As fichas dos personagens ficam no lado direito, e o que está escrito nela pode ser configurado pra ser exibido pra todos ou pra algun(s), fato que também me agradou. É possível mandar mensagens pra todos através do chat, ou mesmo pra uma ou mais pessoas, utilizando alguns comandos simples. Há uma barra de utilidades no canto esquerdo, que te dão várias ferramentas pra fazer o diabo a 4 no programa.

O Knights of the Round Table é um sistema bem simples, então não precisei de muitas coisas, mas como o próprio nome do site já diz, ele disponibiliza bastantes ferramentas pra quem curte um D&D e outros sistemas mais complexos. Tenho certeza que os hard-gamers vão encontrar várias opções de configuração avançada pra fazerem as suas mesas online mais completas possíveis.

No meu caso, o que eu mais usei, além do microfone e vídeo, foram os espaços pras imagens (nos quais inseri mapas antigos da Inglaterra), e a biblioteca de sons do site. Este último recurso me agradou bastante, pois apenas escrevendo palavras chave no espaço apropriado, o site já te aponta algumas dezenas de músicas. Talvez eu tenha abusado um pouco desse recurso, mas morri de rir com a irritação do Sir Henry Johnes (cavaleiro do Flávio) quando eu repetia uma música triste quando o prefeito de uma cidade falava de sua desaparecida filha.

A aventura

Bom, baseando-me nos moldes com o que já experimentei antes, coloquei os dois personagens que começaram o jogo – Sir Asterix e Sir Henry Johnes (Sir Bond e Lady Lissë só entrariam mais tarde) no ambiente cavaleiresco de Camelot. Na hora eu não lembrei, mas agora pensando sobre a aventura eu percebi que esqueci de algo muito importante. Quando joguei esse RPG, o Mestre falou que qualquer referência ao “Em busca do Cálice Sagrado” seria rechaçado imediatamente, informação que simplesmente não me veio na cabeça. E, claro, levando em consideração os participantes (inclusive eu mesmo, que sou mega fã da trupe do Flying Circus), foi exatamente nessa direção que os personagens e a aventura como um todo caminhou.

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Sir Asterix como bom francês na Inglaterra estava interessado em cortejar as damas da corte, e Sir Henry Johnes, o sábio cavaleiro pedante, estava mais interessado em realizar suas próprias ambições – conhecimento!.

Após algumas breves trapalhadas, os personagens recebem a missão de invesigar o sumiço do bispo de Canterbury. Usualmente Arthur mandaria mais cavaleiros na missão, mas o coincidente (?) ataque dos irlandeses à noroeste fez que a maioria dos homens de Arthur estivessem longe. Sendo assim, o único reforço que a dupla teria seria a de Sir Bond (“Thiago está online”).

Após uma investigação na prisão do castelo, e um combate corpo a corpo em que Sir Asterix mostrou toda a habilidade da casa Martel, o trio partiu com alguns dos recursos de Camelot para Kent, a região do sudeste da Inglaterra (que lembrando ainda não era um país unificado) em que a cidade de Canterbury se encontrava (e ainda se encontra). Curiosamente, um dos pedidos de recursos de Sir Henry Johnes fora justamente uma brigada de guerreiros franceses (?!?), pedido tão excêntrico que obviamente me fez concordar na hora. Não se diz não pra esse tipo de coisa.

Chegando em Canterbury, os cavaleiros ingleses entraram disfarçados na cidade tomada pelos saxões, enquanto Sir Asterix, que não tamparia a visão da sua lustrosa armadura, e nem colocaria as roupas sujas dos bárbaros germânicos (afinal, o símbolo de sua família era o pavão), esperava lá fora com os soldados francos (ou seja: o Fernando teve que sair da sessão). A águia de Sir Bond voaria na hora que eles devessem atacar. Este seria o sinal para que a isca fosse feita, plano de Sir Johnes para que eles pudessem ter tempo de saber sobre o bispo e, com sorte, até encontrá-lo e resgatá-lo.

Bom, a igreja foi facilmente avistada no topo da cidade, e os cavaleiros foram investigar por lá. De sacanagem coloquei alguns saxões interpelando-os na linguagem nativa deles, mas Sir Bond foi esperto o suficiente pra não dar bobeira e passar despercebido usando apenas linguagem corporal. Na igreja os personagens encontraram dois “coroinhas” sendo linxados por crianças saxãs, e após espantar os pequenos bárbaros, eles começaram a pedir informações sobre o bispo. Enquanto Sir Johnes conversava com os guris, fiz o que todo Narrador maldoso que se preze faria:

– Sir Bond, você entrou com a sua águia na igreja?

– Ah não, ela ficou lá fora. Tá numa árvore ou voando por aí…

Eu realmente acredito que esse tipo de situação é o que recompensa qualquer trabalho extra que os Mestres por ventura tem ao preparar aventuras. Obrigado Thiago, você fez o meu dia melhor!

Bom, em menos de um minuto os cavaleiros dentro da igreja começaram a ouvir os saxões gritando lá fora, e não foi preciso entender a língua deles pra perceber que os soldados francos começaram o ataque. Afinal, o sinal fora dado…

Aí foi um salve-se quem puder, pois nem Sir Henry Johnes e nem Sir Bond quiseram ficar pra descobrir o destino dos comedores de queijo e vinho. Ou melhor, com o nobre intento de salvar os coroinhas, os renomados cavaleiros (subitamente a música de “Sir Robin, Sir Robin” começou a tocar na minha cabeça) usaram a famosa “saída pela esquerda”, e foram para o vilarejo mais próximo, destino que eles acreditaram que poderia ser um dos locais de fuga do bispo.

Acontece que esse vilarejo, a menos de um dia de viagem de Canterbury, estava morrendo de medo do provável ataque dos saxões, e quando eles viram dois cavaleiros da Távola Redonda chegando, a população começou uma festa. Eles estavam salvos! Arthur finalmente atendera seus chamados e mandara reforços. Mas, onde estavam os exércitos?

Nesse momento os trapalhões, digo, os cavaleiros começaram a discutir com alguns civis, e depois de um curto período de tempo, encontraram o prefeito da cidade, que simplesmente ficou enfurecido com a descoberta que a dupla só estava interessada em saber sobre o bispo. Ele até mesmo apelou contando a (triste) história da sua filha que sumira, mas nada parecia mudar a idéia dos cavaleiros. “Os reforços viriam no futuro” eles disseram. Mas o prefeito não gostou, e quando o mesmo espalhou a notícia pela cidade, a população em polvorosa começou a tumultuar, e o caos se instalou.

Curiosamente a minha amiga Ana ficou online, e tive que dar um jeito de inseri-la na história. Fiz uns adendos rápidos (e toscos) na história, mas como disse, meus jogadores não foram escolhidos à toa, e todos entenderam (ou simplesmente ignoraram) a incoerência. Lady Lissë também era membro da Távola Redonda, e na verdade a vila de Manchester era a sua residência, bem como a do seu pequeno exército. Logo os três cavaleiros se encontraram, e vendo todo o problema que acontecia no local, a Lady de Leão simplesmente brilhou e deu um discurso digno de um verdadeiro membro da Távola Redonda (e não dos filmes do Monty Python).

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Leão, não a toa!

Foi o momento perfeito pra faze-lo, e após tocar a trompa de sua casa (“horn” + “sound” na biblioteca de sons), Lissë organizou as pessoas e começou a interpela-las. Porque eles se preocupavam com os saxões se eles mesmo já se matavam sem a necessidade dos machados e lanças deles? Se paz e segurança era o que eles queriam, eles tinham que se esforçar pra isso, e da maneira correta. Não importa se pagão ou cristão, todos ali naquela cidade eram britânicos, e o inimigo era um só.

E os cavaleiros estavam ali exatamente pra deixar tudo em ordem. Pois eles eram homens de Camelot e cavaleiros de Arthur, e não havia grupo mais honrado e capaz do que eles!

Uou, agora sim!

A sessão terminou logo depois do discurso (que foi elogiado por todos), com um bom espaço de tempo pros jogadores poderem refletir sobre o que fazer exatamente em seguida. Tenho certeza que o discurso da Lady foi ótimo pra coloca-los num caminho mais sério, pelo menos por um tempo.

No momento estou viajando pela Transilvânia, visitando castelos e reunindo inspirações pra futuros jogos, mas a partir do dia 17 de janeiro já estarei de volta na Terra do Papai Noel e marcaremos a próxima sessão. Estou curioso pra ver como a história se continuará!

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5 Comentários leave one →
  1. 07/01/2013 08:12

    Muito bom saber desse site.
    Sempre venho procurando ferramentas para jogar na internet, para reunir um antigo grupo que se espalhou para o Brasil. Tava de olho no Hangouts da google, que tem um mod pra rpg e vo dar uma olhada nesse ai também, pois a maioria não tem video nem som e jogar pelo teclado é tenso.

  2. 07/01/2013 08:44

    Que bacana, Chico! Como sempre, seu relato faz parecer que o jogo foi ótimo. Estou me inscrevendo agora no Roll20 e vou sugerir para o meu grupo geograficamente diverso experimentar também! Acho que nada nunca vai ser melhor que jogar pessoalmente, mas como você disse, é bem legal poder jogar com os amigos independentemente de onde eles estão!
    E depois dessa eu também quero experimentar esse Knights of the Round Table!

  3. 07/01/2013 14:23

    Existe também o software brasileiro RRPG Firecast que serve para jogar e narrar RPG de mesa pela internet! De fato, é o software brasileiro mais usado aqui por estas bandas =)

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