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Campanha em Moria – Cena 17 (Final)

10/12/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 16

_ Pelas barbas de Durin! – Disse Tyr

_Martelo e tenaz! – Disse Wiglaf

_ O que foi? O que aconteceu? – Perguntou ansioso o druida cego.

Demorou alguns segundos para alguém responder, então Butuitê engoliu em seco e, com a mão no ombro de Toph, narrou o inacreditável:

_ O corvo se transformou no mago.

Pallando com rubiEnquanto aos poucos aceitávamos essa estranha realidade, as nuvens de sombras e ilusões se dissipavam na nossa frente. Pela primeira vez víamos, nas mãos do mago, o símbolo de nossos inimigos: a vara azul. E ela tinha uma pedra vermelha na ponta, um rubi do tamanho de um punho fechado. Mas no momento o que mais me irritava era um sorriso de escárnio nos lábios dele. Que vontade de quebrar todos aqueles dentes! Uma palpitação se precipitou em meu coração, como há muito tempo não acontecia.  E como a mão de Butuitê tocou o ombro de Toph, senti que a mão do destino tocou o meu. Era chegada a minha hora! Vou matar o mago azul e entrar para sempre nesse meu novo clã que me acolheu aqui, nas profundezas do mundo, cumprindo assim as runas que Nordri marcou em minha testa. Mas antes que eu pudesse me mexer, a elfa Ellen se dirigiu ao inimigo dizendo:

_ Mago Azul você diz ser, mas existem dois deles e não apenas um, e nenhum deles se chama Radamanto. – Ellen era discípula de Galadriel e conhecia como ninguém a tradição da Ordem dos Istari, se havia alguma farsa ali, ela descobriria.

Apoiado em seu cajado azul, com a ponta de rubi, Radamanto sorriu. Enquanto isso os orcs cercavam todas as entradas e saídas da Praça dos Heróis.

_ Hmm, vejo que nem todos os sobreviventes da Colônia de Balin são leigos e xucros. Há entre os anões uma eldar… de Lórien suspeito. – Disse o mago.

_ E um homem de… de… – Eu quis falar, mas por um momento titubeei, mas logo encontrei uma palavra para terminar minha apresentação – … da Colônia.

Quando disse isso, por um lampejo de segundo, os anões se entreolharam e Radamanto percebeu, mas nada disse no momento. Foi Butuitê que quebrou o silêncio:

_ Você ainda não respondeu a nossa pergunta.

_ Sim, eu sou um dos Istari e como todos eles, tenho muitos nomes. Sou “irmão” de Alatar. No oriente sou chamado Rómenstámo, Amigo do Leste, entre os homens. Aqui em Moria os orcs me chamam Radamanto, Senhor das Sombras. Mas no Oeste fui chamado Pallando, o primeiro general das tropas de Oromë, e é devido a insistência do vala Mandos em pessoa que estou aqui. Ainda lhe resta alguma dúvida de quem sou e da encrenca em que está metida, criança?

Quando o mago acabou de falar, para o nosso desespero Ellen estava apática, quase catatônica.

_ Não, nenhuma. – Respondeu.

_ O que você fez com Korf, demônio? – Finalmente perguntou Toph com ira transbordando em sua voz.

_ Você matou seu animal, druida. – Radamanto agora girava seu cajado ao redor de seu eixo enquanto um fio de luz batia na pedra da sua ponta refletindo raios vermelhas por todos os lados. – No momento em que decidiu manda-lo sobrevoar o meu exército bem em cima de nossas cabeças. Você realmente pensou que ele conseguiria passar por todos os orcs de Moria sem ser visto? Tsc. Pensei que os druidas fossem sábios.

Toph estava calado. Radamanto continuou.

_ Quando o corvo foi abatido percebi uma oportunidade de entrar na Colônia e ainda ser bem recebido! Fique tranquilo fui bem alimentado e ainda pude passear por todos os salões da “inexpugnável” fortaleza dos anões. Agora eu conheço todas as saídas, corredores e câmaras dos anões. Vocês entraram aqui, mas não irão sair. Há orcs em todas as passagens.

O que mais me irritava no mago é que ele não tirava o sorriso de seu rosto e cada segundo que passava mais orcs entravam na praça lotando-a.

_ Chega de papo furado! – Gritou Tyr de repente atirando seu machado no inimigo.

PRAC! O machado então se quebrou no ar com um aceno de Radamanto, e seus dois pedaços caíram a seus pés. Então o mago riu e sua risada macabra preencheu todo o espaço na câmara que os orcs ainda não haviam preenchido. As tochas nas paredes iluminam o que parecia ser o nosso fim, grandes sombras se amontoaram nas abóbodas da Praça e nem todas elas eram de orcs. Wiglaf então olhou para mim e gritou:

_ Irmão! Na vida e na morte! – Ao mesmo tempo se virando para correr em direção ao mago com sua clava de troll empunhada. Mas havia algo na gargalhada de Radamanto que deixou os passos de Wiglaf lentos e pesados e acanhados e cansados e enfim, parados.

_ Irmão? – Repetiu Radamanto e sua voz reverberou nas cúpulas ecoando nos salões em meio ao silêncio de centenas de orcs sentinelas. Havia algo estranho na voz do mago, algo podre no ar, uma vergonha, um segredo, algo que os anões sabiam, mas não me contaram. Quando eu estava finalmente me enturmando em meu novo clã, senti mais uma vez aquela sensação incômoda de ser um estrangeiro, de não fazer parte de nada, de não ter um lugar no mundo. Eu, mais do que ninguém, sabia o que era ser deixado de fora, e mais uma vez eu estava. Sentia isso. Podia ver na apatia dos anões e em como eles evitam o olhar do mago azul. Tyr, para não confrontar o olhar de Radamanto havia jogado seu machado no mesmo e agora estava desarmado. Wiglaf estava tão amedrontado com o segredo que o mago percebera que não era capaz mais nem de correr, tampouco andar, congelado de vergonha. Até Toph sabia, pude sentir em sua mudez.

_ Então o bárbaro solitário agora é seu irmão? – Prosseguiu Radamanto girando seu cajado azul refletindo raios vermelhos. – Logo vi a semelhança entre ambos. Ele é tão ignorante quanto você é… baixo. Golpe sujo o seu, general… nunca vi anões tão desesperados. Vocês marcam desenhos azuis na pele de um humano e isso o transforma num anão, é isso? Está aí um feitiço que eu desconhecia. – Debochou Radamanto.

Wiglaf não conseguiu responder, mas quando Toph abriu a boca o mago disse bem rápido palavras de um idioma antigo que eu desconhecia e que soavam estranhas e completou:

_ Khanibul rama tericomor. O que diz as runas da testa do bárbaro, druida? Seja gentil, conte a verdade.

Olhei para Toph, que estava tremendo como quem é obrigado a fazer algo contra a própria vontade, uma luta interna, mais uma que o mago azul ganhou.

_Está escrito: “Ele caminha entre nós, mas não é um de nós”.

Radamanto gargalhou tanto que mal pôde se manter em pé. Butuitê e Ellen não sabiam o que dizer para me consolar e Wiglaf e Tyr agora não suportavam o meu olhar. Eu pensei que estava escrito que seria um deles quando eu matasse o mago. Foi isso que Toph me disse que estava escrito na noite em que lhe perguntei. Eu sou mesmo um proscrito maldito e não tenho lugar no mundo, nem em cima da terra nem Debaixo da Montanha.

Eu estava sem palavras, sem forças para brandir minha espada, sem vontade de pensar ou respirar. A única coisa que queria era estar morto, afinal, já estava num túmulo.

_ Nós nunca te enganamos Éowulf. – Disse Wiglaf – Você é meu irmão, agora.

_ Nordri tatuou o que ele viu nas suas sombras interiores, Éowulf – Completou Toph – As marcas contam nossas histórias pregressas, as boas e as más. Você sabe disso. Esse é o objetivo delas: expor sua história aos que vão confiar as próprias vidas em você. Quando você entrou nessa Montanha, você era um guerreiro sem pátria, não um soldado da Colônia.

_ E agora? – Perguntei – Agora eu sou um… soldado da Colônia?

_ Não sei. – Respondeu Toph – Você é?

Acho que eu não era. Mas não fazia diferença. Ali estava eu, amaldiçoado entre os exilados, carregando o peso do destino sobre meus ombros. E ali estava ela, terrivelmente bela e assustadora na ponta do cajado do mago, a estrela vermelha, a estrela da morte, minha velha conhecida. Eis que ela conseguiu me encontrar até Debaixo da Montanha. Os anões estavam todos condenados sem saberem, pobres coitados. Estavam mortos desde o dia em que me aceitaram dentro dessas muralhas.

Mas o que eu era? Éowulf? Nem mesmo o nome que uso é de fato meu. Peguei esse nome do líder do meu último clã, o capitão rohirrim, há muito falecido. Mas o nome que minha mãe me chamou até mesmo eu havia perdido nas névoas do esquecimento. Essa é minha sina, eu nunca saberei quem sou, ou qual a força que está dentro de meu coração.

Enquanto eu divagava em pensamentos obscuros, a guerra começou ao meu redor, pude acompanhá-la em câmera lenta: anões e orcs tingiam de vermelho a Praça dos Heróis, e ela me encarava.

Batalha anoes x orcsTyr enfrentava basiliscos, Butuitê sem flechas matava orcs à facadas e jogava nos inimigos o que tivesse nas mãos: arco, pedra e elmo. Wiglaf abria passagem em direção à Câmara de Mazarbûl, nosso último refúgio, enquanto Ellen escoltava as anãs da Colônia para lá. Toph então levantou o Anel de Topázio e clamou aos heróis da Colônia que lutassem por ela. E para a surpresa de todos, nas chamas das tochas surgiram as figuras de Balin, Ori e Oin, Gramenos, Lis, Lóni e Náli, Frár, Nordri e muitos outros, e o fogo nos corações dos anões foi aceso novamente, talvez pela última vez. Enquanto os guerreiros de luz, nas chamas das tochas duelavam com as sombras das profundezas nas abóbadas da Câmara, Radamanto e Toph duelavam um combate de magos. O mundo estava acabando, ruindo sob nossos pés, mas era bonito de ver. Belas mortes.

A história se repete: “Tudo isso aconteceu antes, e tudo isso acontecerá novamente”. O antigo ditado de um povo que já ousei chamar de meu há muitos e muitos anos atrás ecoou nos meus pensamentos. Lampejos de memórias da minha infância em Eriador vieram à minha mente. Até meu passado virá me assombrar? Dane-se, tudo está perdido mesmo.

Para que lutar? Os anões espalhavam sangue pelo chão de seus salões, e mesmo assim os guerreiros da Vara Azul pareciam incansáveis. Grandes capitães, astutos batedores, habilidosos arqueiros… nem mesmo os falecidos heróis khazâd tinham chance contra tamanho exército.

E apesar de presenciar um espetáculo visual, o mundo estava mudo e lento ao meu redor. Cada choque de armas para mim era tão ruidoso quanto um combate de penas. Vagando com olhar perdido neste mundo que aparentemente me ignorava, avistei as fortes expressões do Druida e do Mago lançando encantamentos sem som um contra o outro. Seus rostos se contorciam no seu duelo de vontades.

Mas nem com um dos Sete, Toph seria capaz de se opor à um mago, e não demorou muito para que o antigo guia se calasse e abaixasse seu cajado. Seu corpo estava intacto, mas assim como eu, seu espírito estava vencido.

Butuitë estava sendo perfurado por lanças orcs, e Tyr e Wiglaf lutavam desarmados contra dois trolls. Ellen estava fora do meu alcance de visão.

Era o fim.

.

May it be:

“Pode ser, que uma estrela do anoitecer brilhe sobre você.

Pode ser, que quando a escuridão cair, o seu coração se mostrará verdadeiro

Você caminha uma estrada solitária

Oh! Como você está longe de casa

Mornië utúlië

Acredite, e você encontrará seu caminho

Mornië alantië

Você sabe que uma promessa vive dentro de você

Pode ser, que quando as sombras chamarem,

Você voará para longe

Pode ser, que sua jornada

Seja para iluminar o dia

Quando a noite for vencida,

Você poderá surgir para trazer o sol

Mornië utúlië

Acredite, e você encontrará seu caminho

Mornië alantië

Você sabe que uma promessa vive dentro de você

Você sabe que uma promessa vive dentro de você”

.

Olhei pra trás embasbacado. Da onde surgiu aquela voz límpida capaz de interromper o silêncio que me rondava e ainda recitar palavras tão lindas?

A elfa da floresta estava atrás de mim, e pela primeira vez vi o quão bela e frágil ela era. Sua roupa antes estampada com motivos silvestres agora estava rasgada e enegricida com sangue seco. Seu braço direito estava em uma posição anormal, obviamente quebrado. E, mesmo nessa situação deplorável, para meu total espanto, ela sorria.

E eu chorei. Chorei porque consegui sentir meu coração novamente, e a dor que eu guardava nele era tamanha que ela explodia em lágrimas na minha face. Chorei pelo garoto dúnedain que perdeu seu nome, chorei pelo jovem rohirrim que vagou sozinho após perder sua segunda família. E por fim chorei porque eu estava deixando aqueles que me ofereceram um lar morrerem ao meu redor sem fazer nada.

“Você sabe que uma promessa vive dentro de você”

Eu era um soldado da Colônia. E aquele mago iria morrer.

Avancei na direção da fonte daquele mal, e decapitei dois guardas que ousaram se colocar entre mim e meu alvo. Nada iria me impedir.

O mago olhou pra mim  assustado, e então com alguns gestos conseguiu paralisar meu corpo. Eu sentia cada músculo rijo como uma pedra, e minha raiva ia ao limite enquanto eu me esforçava para me mover. Maldição!

_Está acabado dúnadan. Junte-se à mim e entenda a estrela vermelha da qual você tanto correu. Você nunca mais precisará fugir novamente.

Concentrei toda a minha vontade nas minhas pernas, e o máximo que consegui foi mexer uma delas meio metro. Malditos magos e seus truques baratos!

Toph e Ellen apareceram ao meu lado, e eu entendi que travaríamos agora a batalha final. Segurei minha respiração e concentrei minhas forças.

Das profundezas a voz do anão surgiu, e com seu Anel e braceletes de valioso mithril à mostra ele exclamou:

_Está acabado, Mago? Realmente, seus dias de feitiçarias irão acabar hoje. Você acha que é chamado de Senhor das Sombras porque escraviza espíritos antigos das profundezas e porque tece teias escuras nos corações dos bons…

E a límpida voz da floresta falou novamente, ainda linda e pura, mas não mais doce, e sim determinada:

_Mas você é um tolo se pensa assim! Você é chamado de Senhor das Sombras porque é só isto que todo seu esforço resulta. Só sombras, espectros do que deveria ter sido. Você falhou na sua missão D’Oeste, Pallando. Este é o seu fim.

Expirei e realizei meu último esforço. E para assombro do antes tão confiante Mago, o encantamento que me prendia foi rompido. Pulei na sua direção, e mesmo com o mesmo tentando bloquear meu golpe com seu ridículo cajado de madeira, estendi minha espada montante ao encontro da barriga do verme. Atravessei sua carne tão facilmente quanto atravessei a de inúmeros orcs. No fim, ele não era nada demais.

A estrela vermelha foi vencida, e eu não preguerreiro humano iradocisava mais fugir:

_Que as sombras que você aprisionou te devorem, e que seu sofrimento seja dez vezes maior do que de todos aqueles que você fez sofrer. Eu sou Arahad, filho de Haradan, eu falei.

Perplexo, o mago caiu. Aconteça o que acontecer eu finalmente tirei aquele sorriso insolente de sua face. Sua expressão agora era a de um leigo. Um ignorante que não entendeu como eu pude escolher o lado dos anões, o lado derrotado, dos que iriam morrer. Pois a verdade agora era muito clara. Milhares de orcs estavam dentro da Colônia, na Praça dos Heróis! E os sobreviventes da Colônia eram poucos e estavam cansados e feridos. Bem, pode ser que eu tenha escolhido o lado dos que vão morrer, mas sei dentro do meu coração que escolhi o lado dos vencedores.

Quando o mago caiu algo estranho aconteceu. As sombras no teto da câmara pararam de lutar contra os heróis de fogo dos anões. Todas elas olharam ao mesmo tempo para Radamanto e mergulharam em seu tórax. Segundos depois só havia um cadáver muito antigo, de um homem que havia falecido a séculos no lugar onde o mago deitara para morrer.

Além disso, os orcs também interromperam seus combates, por um tempo. Estavam atônitos, dando leves tapas em suas próprias cabeças, como quem acorda de um longo pesadelo, mas ainda não tem certeza que finalmente acordou. Essa era nossa deixa! Esses segundos eram preciosos, os anões sabiam disso, e Wiglaf gritou:

_ Para a Câmara de Mazarbûl! Para a Câmara dos Registros!

Nós recuamos para os arsenais superiores e depois para a última Câmara da Colônia, a mais alta delas, a biblioteca que guardava todos os documentos e pergaminhos dos anões, bem como o túmulo de Balin.

Lá, Bruenor, o artífice das pedras, travou as portas da Câmara com seus últimos batentes e encantamentos. Mas todos sabíamos que não seguraria os orcs para sempre. Eles estavam livre do domínio do mago e de seus propósitos, mas ainda eram orcs. Logo desabariam sobre a porta da câmara como o mar desaba contra a encosta do continente.

Dentro do que foi a Câmara dos Registros, agora só havia livros e tomos queimados. As anãs haviam queimado todo o conhecimento que Balin trouxera para a Colônia para que isso nunca caísse nas mãos dos orcs. Apenas deixaram intacto o Livro de Mazarbûl, o livro que conta a história Colônia em seus cinco anos de resistência na eterna noite Debaixo da Montanha. Como era bravo o meu clã!

Tum! Tum! TUM!

Voltamos a ouvir os instrumentos dos orcs do lado de fora e também as pancadas que davam em nossa úlima porta, com aríetes e pedras. Toph entregou o Livro de Mazarbûl a Wiglaf e também uma pena dizendo:

_ Tambores. Tambores nas profundezas. Eles tomaram a Ponte e o Segundo Salão. Nós estamos presos…

E Wiglaf foi escrevendo suas últimas palavras.

Pude ver Tyr ajoelhado ao lado do túmulo de Balin falando baixinho:

_Eu entrei aqui como um anão. Permita que eu saia daqui como um anão. Como o senhor.

As mulheres anãs entoaram um cântigo em khuzdûl que não pude compreender. Também ajoelhadas em círculo, jogavam pequenas pedras sobre seus ombros enquanto cantavam e realizavam um movimento cada vez mais torpe e rijo. Até que por fim, quando terminaram a canção, não eram mais anãs, mas estátuas de anãs, ou Pedras-Vigia, como os próprios anões chamavam. Elas haviam escapado da morte dessa vez, para lutar outra vez no futuro e quem sabe Reconquistar Moria definitivamente. Eu tinha que admitir, elas tinham brio.

Por fim, Toph e Wiglaf decidiram que deveriam esconder o Livro de Mazarbûl para a posterioridade. Ele não poderia cair nas mãos dos orcs. Butuitë procurou por todo canto um bom esconderijo, mas não encontrou nenhum que os orcs não ousariam mexer… exceto um.

Tyr e eu abrimos o túmulo de Balin e lá dentro, em seus braços, Toph depositou o livro. Ele também tirou Khevala do seu dedo, o Anel de Topázio, e colocou no dedo de Balin. Fechamos o túmulo e Bruenor entalhou ali novas runas de proteção. Os orcs não teriam acesso ao nosso líder, nem aos nossos últimos tesouros. Que outros, de coração nobre e em demandas maiores encontrem nossos presentes e conheçam nossa história. Saibam que nós éramos soldados da Colônia e lutamos até o fim.

_ Irmãos! – Gritou Wiglaf levantando sua clava quando a porta estava prestes a estourar – Lutar ao lado de vocês tem sido o privilégio da minha vida, mas morrer ao lado de tão bravos heróis é uma honra!

_ AAAAooooo!!! – Respondemos todos nós, anões e elfos, brandindo machados e espadas.

Tum TUM! – Respondiam os tambores e aríetes do inimigo.

_ Pode ser que eles tenham ganhado essa guerra! – Continuou Wiglaf – Pode ser que eles tenham atrasado o sonho da Colônia! Mas nós vamos fazê-los tremer só de se lembrarem terem ousado entrar na Câmara de Mazarbûl!

_ AAAAAAAoooooooo!!!

Tum TUM TUM!!

_ Pode ser que em cima da terra os orcs nos diferenciem entre anões, elfos e homens! – Rugiu Wiglaf – Mas vamos ensiná-los agora, que Debaixo da Montanha a lei que rege não é a das trevas da noite, mas a da consistência da pedra! Eu olho para vocês e não vejo elfos ou anões ou homens… vejo irmãos!!

_ AAAAAAAAOOOOOOOOOOOOOOOOOOO!!!

TUM TUM TUM TUM!!!!

_ Irmãos! – Wiglaf crescia e andava de um lado para outro como um leão enjaulado a medida que discursava – Hoje termina o Cântico da Colônia! Mas vamos mostrar aos orcs que nossa música não termina com os batuques dos tambores dos orcs, mas com os sons de nossos machados ceifando lhes a vida! Irmãos! Vamos, preparem seus instrumentos! Vamos trovar juntos uma última vez!!!!

_ Barûk Khazâd! – Gritavam uns.

_ Khazâd ai-mênu!!! – Completavam outros.

_ Vamos ensiná-los que mexeu com um de nós, mexeu com todos nós. Vamos ensiná-los o lema da nossa Colônia. Vamos ensiná-los que Debaixo da Montanha…

E em uníssono respondemos, do fundo do nosso coração:

_TODO MUNDO É TODO MUNDO!!!

E as portas se abriram.

Marcas da Montanha

FIM

Apêndice 1 – O réquiem de Toph

 

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10 Comentários leave one →
  1. Fernando L Reis permalink
    11/12/2012 10:36

    O nó da garganta não se desfaz!! Resta-me guardar com muito carinho e compartilhar com meus amigos esta jornada tão brilhante!

    “Lutar ao lado de vocês tem sido o privilégio da minha vida, mas morrer ao lado de tão bravos heróis é uma honra!
    (…)
    Hoje termina o Cântico da Colônia! Mas vamos mostrar aos orcs que nossa música não termina com os batuques dos tambores dos orcs, mas com os sons de nossos machados ceifando lhes a vida!”

    ESPETACULAR! EU DIRIA EXATAMENTE O MESMO!!

    Parabéns, meus caros escritores, que possamos então viver tão nobremente quanto morreram nossos pequenos gigantes!
    Continuarei acompanhando vosso trabalho na certeza que em breve terei o prazer de ler novas campanhas. Até lá, que o Arquiteto os guarde na palma de Sua mão.

    • 11/12/2012 12:27

      Você está certo Fernando, o nó não se desfaz facilmente.
      Confesso que não foram poucas as vezes que me emocionei na hora de escrever e ler os relatos.

      E se você nos agradece pelos relatos, nós o agradecemos pela companhia.
      Muito obrigado por acompanhar nossa história!

      Pode ter certeza que outras virão.
      Aliás, eu e o Gerbur já estamos com alguns planos…

      No mais, fique atento ao seu e-mail, logo você receberá um e-mail nosso com uma surpresa.

      Abração!

  2. 11/12/2012 11:01

    Não poderia ter fim melhor.
    Realmente meus parabéns gerbur12 e ao Chico também.
    Foi o melhor reporte de campanha que já li em minha vida.
    Sensacional.

    • 11/12/2012 12:45

      Você não sabe a satisfação e o alívio que dá ler esse seu comentário André!

      Não foram poucos os rascunhos trocados entre nós sobre as cenas, principalmente sobre essas últimas. O senso de responsabilidade era grande, e mais de uma vez rolou um: “Será que o André vai gostar?” hahaha

      Sério!

      Somos muito gratos por todo o suporte que você nos deu. Fica muito mais fácil deixar de estudar pras provas ou passar madrugadas em claro quando se sabe que terá um “parabéns!” depois.

      Por último, concordo contigo. Se esse foi o melhor reporte que você já leu, essa foi a melhor campanha que já joguei. A gente alcançou um nível de interação que eu nunca havia nem vislumbrado antes.

      Mas vou ficar quieto por hora, ainda temos dois posts como “apêndices” pra falar mais sobre a campanha.

      Fique esperto no seu e-mail!

      Grande abraço

      • 11/12/2012 13:41

        A campanha foi muito bem desenvolvida mesmo, os plots twist que teve deram um gosto muito bom para a leitura. Esses que teve nos dois últimos reportes com a transformação do pássaro e a história do Éowulf fazendo a conexão com os escritos não revelados nas outras cenas foi muito bem pensado mesmo.

        Já fiz propaganda da aventura para meus colegas rpgistas.

  3. gerbur12 permalink
    11/12/2012 23:07

    E assim termina o meu projeto mais apaixonado de 2012. Que bom que vocês gostaram. Esse final foi particularmente difícil de escrever, porque é uma história trágica, não um conto de fadas, e o Chico e eu não queríamos que ninguém ficasse com um sentimento tipo: “Putz, eu acompanhei a história por 17 capítulos para eles perderem??? Quanta energia que gastei a toa”. Mas sim um sentimento como: “Puxa, que história bacana, valeu a pena viver essa história com esses heróis”. Para isso, Chico e eu discutimos muito sobre o como transmitir esse sentimento a vocês, como mostrar que eles perdem a guerra, mas de alguma forma, eles são os vencedores e se nós estivéssemos lá no lugar de Éowulf, nós, como ele, escolheríamos ficar entre os vencedores, como ele fez. Não importa as consequências dessa decisão.
    E ver elogios tão marcantes como o do André e também o do Fernando, só me faz pensar que graças a Deus, conseguimos atingir esse objetivo. Conseguimos contar uma boa história capaz de fazer leitores acompanhá-la por meses e meses durante o ano.
    Como o Chico disse, o combustível de nosso sucesso é certamente esse carinho que nossos leitores tiveram conosco. Além do André (e mais recentemente do Fernando), temos muitos leitores que não postam, como mostra as visualizações dos relatos. E são essas visualizações e comentários que nos instiga a escrever melhor, a realmente proporcionar um entretenimento bacana àqueles que não tem preguiça de ler, rs.
    E também para recompensá-los, Chico e eu corremos contra o tempo, para conseguir publicar esse último relato agora, na semana de estréia de O Hobbit! Assim, nossos leitores já saem de uma mídia nerd para entrar em outra, hehe. Nem da tempo de sentir saudades, rs.
    Quero agradecer também ao nosso grupo de rpg, que obviamente sem eles, essa história jamais aconteceria, são eles: Amanda (Tyr), você é demais, interpreta muito te quero sempre em minhas mesas de rpg; Vinícius (Butuitë), um dos nossos heróis, jogando conosco quase todas as sessões e também um estudioso do Brasil (Butuitë é flecha em tupi, sabiam?); Vitão (Éowulf), nos proporcionou um personagem incrível, apareça mais, see ya!; Elen (Ellen mesmo, rs) criadora da elfa mística de Lórien, quase de Avalon, rs; Bel (Lis) só jogou conosco bem no comecinho, mas acompanhou os relatos que eu sei!; ao Gabriel (Wiglaf), que enrolou o ano inteiro, mas finalmente foi jogar uma sessão conosco, rs!; e finalmente ao Chicão (Toph), nosso primeiro escriba e dono do blog, que tão gentilmente cede seu espaço na internet para nossos relatos! Valeu a todos, vocês são incríveis!
    Bom pessoal, é isso. Não vou me estender mais, porque teremos 2 apêndices para falar mais sobre a criação dessa crônica. O primeiro não percam, é uma música que certamente merece um tópico só para ela.
    Abraço Anão a todos e até a próxima!

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