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Battlestar Galactica e o RPG

04/11/2012

Eu me surpreendo com o poder de algumas obras de arte.
Há músicas, livros, filmes e séries tão excepcionais, que criamos um laço afetivo forte o suficiente pra dizer que não somos mais os mesmos depois que tivemos contato com a obra.

Posso contar no dedo a minha lista de obras de arte que de alguma forma moldaram a minha personalidade – Tolkien, Rush, Rurouni Kenshin…, e nesses últimos meses tenho que incluir definitivamente uma nova obra: Battlestar Galactica.

Terminei de assistir a série ontem, e de repente sinto no peito uma sensação de saudades –  a Galactica e sua tripulação completaram sua jornada comigo.

Mas só através da série da TV.

Afinal, eu tenho o RPG, e o que é este senão uma maneira de vivermos experiências memoráveis com nossos amigos?

E é exatamente por isso que eu vim escrever esse post, pra mostrar pra todos os leitores e amigos porque eles devem conhecer essa série. E se você já conhece a mesma, vou apontar bons motivos pra usá-la como cenário de aventuras de RPG.

E caramba, se você já conhece a série e já joga/jogou algum RPG baseado nela, faça o favor de comentar e compartilhar sua experiência conosco!

Apresentação

Na realidade há duas séries de Battlestar Galactica, uma de 1978, e uma de 2003.
Eu acompanhei a mais recente, e é dela que falarei aqui.

Battlestar Galactica é uma série de ficção-científica, onde a trama principal se desenvolve na fuga dos remanescentes da civilização humana dos seus algozes cylons. Estes são robôs que foram criados há muitos anos pelos humanos, e após uma guerra e um ataque nuclear surpresa, toda a civilização humana foi reduzida a aproximadamente 50.000 pessoas.

Na série os humanos habitam 12 colônias, e quando estas são bombardeadas, alguns poucos fugitivos conseguem tomar naves espaciais e formar uma frota liderada pelo comandante William Adama, e pela presidente Laura Roslin.

Os cylons vivem atacando os humanos, e quando estes descobrem que os robôs possuem modelos que possuem aparência e organismo humano (lembra dos replicantes do Blade Runner?), a paranóia corre solta, e ninguém mais confia em ninguém.

Nem em si mesmo!
Há “Sleeper agents” infiltrados pela frota – cylons que não sabem da sua própria natureza e acham que são humanos.

Já tá dando pra pegar o clima da série né?

Pois bem, até então parece que a trama se desenrola em humanos x cylons certo?

Pois é, mas e se eu disser que esse é só a primeira camada, só o pano de fundo da série?
Pois os trunfos dessa obra de arte não são os efeitos especiais incríveis e as cenas de batalhas iradas entre cylons e humanos. Estes são louváveis, mas o real destaque dessa série são os conflitos e problemas que os humanos vivem entre eles mesmos.

RPG

Na medida que os cylons vão se mostrando cada vez mais capazes de amar como os humanos, e os humanos vão se mostrando cada vez mais capazes de ser insensíveis como máquinas, quem pode recriminar quem?

Como resolver os inevitáveis conflitos de uma nova sociedade que mantém a estrutura de uma que foi construída para um contexto totalmente diferente daquela que ela vive no momento?

E como manter a esperança daqueles que já não tem mais nenhuma?

Esses são algumas das questões que a série trabalha nas suas 4 temporadas. São horas e horas de tensão, batalhas, disputas políticas, conflitos entre personagens, discussões que envolvem a moral, a sociedade e até mesmo a religião.

Frak! Olha que fonte riquíssima pra uma campanha de RPG!
E não consigo pensar em melhores exemplos de interpretação do que os que podemos ver na série. Quando você percebe que você respeita ou odeia com todas as suas forças este ou aquele humano/cylon, você entende que está diante de um trabalho de interpretação fora do comum.

E refletindo agora que terminei de assistir a série, é engraçado pensar que um dos personagens mais legais da mesma é a própria Battlestar Galactica, a nave que serve de morada pros personagens. De alguma forma, eu já sentia no final da série que ela também era minha casa!

Há mais milhares de coisas que poderiam ser ditas. As numerosas referências a outras obras e acontecimentos atuais reais, ao trabalho individual de interpretação de atores como Edward James Olmos (William Adama), conceitos novos introduzidos pela série na ficção científica, e até mesmo a trilha sonora estupenda composta pelo músico Bear McCreary (que por sinal estou ouvindo neste exato momento que escrevo esse post).

Mas minha idéia aqui não é sumarizar toda a série, e sim fazer uma ponte entre esta e o RPG.
Espero ter conseguido despertar seu interessa nessa trama riquíssima. Eu nunca me considerei um fã de ficção científica (o medieval sempre me atraiu mais), mas assim como o principal do Game of Thrones não é Westeros, e sim as disputas políticas e os personagens, posso dizer o mesmo de Battlestar Galactica.

E se você não tem muito tempo pra assistir séries, vou te dar uma boa dica, que serviu comigo e possivelmente servirá para outros: O jogo de tabuleiro do Battlestar Galactica é muito bom, e transmite de forma surpreendente o nível da série. É uma boa porta de entrada pra esse mundo de humanos e cylons.

E se você está pronto pra partir pro RPG propriamente dito de BSG, já existe material ao seu alcance: Battlestar Galactica Roleplaying Game. Não há muita informação do mesmo espalhada por aí na internet, mas sei que o sistema usado é o Cortex, e que há a avaliação do RPG foi entre o aceitável e o boa. Assim que eu testá-lo farei um post mais explicativo do livro.

So say we all!!!

“Adama: Starbuck, what do you hear?
Starbuck: Nothing but the rain.
Adama: Then grab your gun and bring in the cat”
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2 Comentários leave one →
  1. 05/11/2012 11:30

    Esta é minha série favorita de LONGE!!!
    Um rpg seria muito massa, com os jogadores sendo “humanos” e o mestre talvez decidindo no random que é cylon (se é que teria algum) o importante é manter motivações diversas pra que o clima de paranoia e mantenha sempre vivo!
    ps: animei de escrever uma resenha do jogo de tabuleiro! posso? =D

  2. 05/11/2012 16:55

    Dá pra fazer um RPG irado.
    Quando eu voltar pros trópicos a gente vai ter que jogar uma sessão!

    E ÓBVIO que você pode escrever a resenha!

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