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XXIX Maracon – Minha experiência em um encontro de RPG na Finlândia

14/10/2012

Desde setembro estou morando na cidade de Oulu na Finlândia, e já fazem algumas semanas que tenho ido às terças-feiras jogar jogos de tabuleiro na universidade que estudo.

Na última terça conheci um cara que é aficcionado por RPG, e depois de um bom tempo conversando, descobri que esse fim de semana aconteceria o maior evento de RPG aqui em Oulu: o Maracon.

Bom, já que perdi a Moonfest em São Paulo nesse fim de semana, nada mais justo do que ir a outro evento não é mesmo?

Cheguei ao local do evento sábado às 16 horas. O encontro rolou em um dos centros da juventude aqui de Oulu – “Nuorisota(lo)”, que é basicamente um lugar aconchegante com salas, quadra, sofás, wi-fi e cozinha. [Nota: “Nuorisotalo” significa centro da juventude, mas “Nuorisota” significa pequena guerra, então obviamente os jovens daqui vivem tirando as duas últimas letras pra manter o trocadilho. :P]

Depois de guardar meus casacos encontrei o Tuomas (o aficionado por RPG), e ele me contou que narraria um RPG chamado “Knights of the Round Table” (Cavaleiros da távola redonda), um RPG finlandês sobre os cavaleiros arturianos, com um sistema simples e bom para one-shots.

Me inscrevi na mesa dele, e enquanto esperávamos a mesma ser preenchida, ficamos vendo um pessoal dançar música medieval. As músicas eram bem simples, e o pessoal estava animado dançando em círculo.

Depois de alguns minutos eles pararam de dançar e ficaram falando alguma coisa em finlandês e olhando pra mim e pro Tuomas. Ele traduziu pra mim, e por incrível que pareça havia falta de homens na dança (dá pra imaginar isso num evento de RPG no Brasil?), e as damas foram gentis o suficiente pra me convidar a dançar.

Não pensei duas vezes e pulei na roda! Dançamos 2 músicas diferentes, e foi bem divertido dar dois passados pra esquerda, dois pra direita, girar, pular, girar, bater palma…

Bom, depois de dançar como um cavaleiro medieval, era hora de falar e pensar como um, então fomos à mesa.

Knights of the Round Table é um jogo bem simples, com uma mecânica rápida e eficaz. A primeira coisa que fizemos foi escolher um animal para representar nosso escudo de armas.

Eu escolhi meu animal favorito – cavalo, e meus companheiros escolheram rato, cobra, grifo e kraken(?!?!). Esses animais refletiriam a personalidade dos nossos personagens, e serviriam como guias para nossa interpretação (olha que irado!).

A 2ª coisa que tivemos que fazer foi rolar 2d6 e vermos numa tabela qual seria a nossa característica única. Meu personagem era amaldiçoado (esse seria só o início de ótimas rolagens que viriam), o cavaleiro-rato era um senhor feudal, o cavaleiro-grifo era estrangeiro, e o cavaleiro-cobra era um cavaleiro que todos achavam que havia morrido (o cavaleiro-kraken não chegou a rolar, pois como ele fazia parte da organização do evento, teve que sair no meio do jogo pra resolver outras coisas).

Nossa aventura se iniciou no casamento de uma nobre (prima do meu personagem), e lá fomos informados que a cidade de Canterbury estava sendo atacada por saxões. Arthur nos enviou para salvar o arcebispo da cidade (que representava a paz entre pagãos e cristãos), e junto com 8 recursos* de Camelot, partimos para a costa sudoeste do território que hoje é a Inglaterra.

*Aqui vai uma mecânica interessante do jogo: Exércitos, moral, suprimentos, e outros contam como recursos, que é um número x de dados d6. Cada cidade/Estado tem seu número de recursos, e conforme nós vamos realizando nossas ações, nós rolamos esses dados. Pra cada 1 que tirarmos, a cidade perde um recurso (como se soldados tivessem morrido, recursos gastos, etc).

Sir Tyrell, the Black Horse! (reparem que há um escudo de armas com um cavalo pacífico pastando sobre a grama reluzente no canto esquerdo. Isso foi antes de eu tirar o “amaldiçoado” na rolagem de característica especial! haha

 

Bom, a aventura se desenrolou por algumas horas, e no final eu e minha sorte gastamos 5 recursos de Camelot, mas conseguimos defender o monastério de Canterbury até o reforço de Arthur chegar, e Sir Tyrell, the Black Horse (meu personagem), teve o prazer de matar o rei ogro saxão (há criaturas fantásticas no mundo) em combate corpo-a-corpo. Canterbury foi saqueada por inteiro, mas o monastério e o arcebispo ainda estavam de pé!

Foi muito divertido jogar com o pessoal, e só lamento ”my lack of vocabulary” que otherwise poderia ter deixado minha participação tão ativa quanto normalmente é quando jogo falando em português.

Mas a partida teve momentos muito bons, principalmente com Sir Ilya, o cavaleiro russo, e Sir Undying Snake! Demos muita risada com o grupo estranho de cavaleiro que formávamos.

No meio da partida ainda tivemos uma pausa para assistirmos (e participarmos) na competição de rolagem de dados pela escada
(Sim, você não leu errado).

A competição é simples: jogamos o dado do topo da escada para baixo, e quanto mais próximo do primeiro degrau, sem tocar no chão, melhor. Cada degrau tem um valor (1 – 16 no caso, sendo 1 o degrau mais alto, e 16 o degrau mais baixo), e esse valor será somado ao número que cair no dado (1 – 9, o 0 contava como zero mesmo). Se o dado cair no chão ele não conta. Cada participante teve 3 tentativas de conseguir o highest score.

Depois de muitos cálculos da corrente de ar, do alinhamento das estrelas e das explosões solares próximas à Aldebaran, consegui o 3º lugar na competição, dando a medalha de bronze pro Brasil (provável que a primeira medalha brasileira na modalidade! Hahaha).

Sábado terminou, e saí feliz com a minha experiência nerd finlandesa. Meu currículo RPGístico está expandindo nos lugares mais inesperados! Haha

Domingo voltei pro evento, dessa vez acompanhado do meu amigo Paulo Zambarda, também brasileiro e paulista. Continuamos a aventura do dia anterior, dessa vez com o cavaleiro-tartaruga (Paulo) e o cavaleiro-raposa irlandês.

Nosso objetivo nessa aventura era convencer Jarn, o novo rei saxão (meio-ogro) a abandonar a Bretanha, e meu personagem era chave nessa aventura, afinal o Jarn só estava vivo porque eu o poupei da morte previamente quando o Black Horse o derrotou num duelo.

Mas infelizmente perdemos muitos recursos  na última aventura (mais ainda no final, quando o mestre rolou todos os dados de Camelot, pra ver como estaria nossos recursos ao final da sessão), e mesmo o meu personagem sendo amigo do rei saxão, tínhamos pouca moeda de troca para oferecer ao mesmo.

O cerco contra Camelot foi inevitável, mas apesar de todos os contratempos conseguimos recrutar lanceiros do norte, irlandeses e druidas para o nosso lado! Estes foram cruciais na defesa da cidade, e seus altos muros permaneceram de pé.

Infelizmente porém outras cidades importantes caíram, e os saxões conseguiram tomar Wessex, Devon e Canterbury. A britânia arthuriana tombaria em uma questão de tempo, e a inglaterra que conhecemos hoje teria seu início com os anglos e saxões que chegaram.

Damn it!

Sir Tyrell, the Black Horse, ainda teve uma batalha épica contra Jarn, half giant, na frente dos portões de Camelot, mas dessa vez os dados não me ajudaram, e mesmo ferindo o rei saxão, perdi.

Mas nosso respeito e amizade era grande demais para termos um derramamento de sangue, e Sir Tyrell virou um vassalo do rei Jarn, uma ponte entre os britânicos e saxões, que, querendo ou não, agora seriam vizinhos.

Terminamos a mini-campanha felizes, pois mesmo tendo terminado os tempos dourados de Camelot, realizamos grandes feitos. Afinal, éramos cavaleiros da távola redonda, e queríamos ser imortalizados através das canções!

Por último cada um deu um cumprimento ao outro, em razão das ações que o personagem respectivo fez em sessão. Fiquei contente em receber dois cumprimentos (minha honra subiu + 2 pontos \o/), e eu mesmo cumprimentei Sir Regard, a raposa que conseguiu articular a importante aliança com os irlandeses.

Muito bom!

From left to right: Fox knight, God(s) on the chair, Horse knight, Mouse knight and Tortoise knight

No final do evento papeamos um pouco com o pessoal e ajudamos na arrumação do centro da juventude.

O pessoal da CRYO está de parabéns por fazer um evento tão legal!

Eles já ganharam um admirador vindo do outro lado do oceano!
:D

Kiitos Paljon CRYO ja Tuomas!

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11 Comentários leave one →
  1. m4lk1e permalink
    14/10/2012 21:08

    Foda pra caramba!

    Vê se consegue um desses pra nós, e o tutorial de regras pro jogo da escada! \o/

  2. 14/10/2012 21:33

    Cara, muito simpática essa sua experiência – e eu adorei o sistema, um dia quero jogar nele! :D

  3. 15/10/2012 11:27

    Incrível só isso pode definir essa experiência

  4. 15/10/2012 11:31

    Se não sair a tradução em inglês até eu voltar pro Brasil eu levo um em finlandês mesmo e vou praticando em terras tupiniquins.

    O jogo da escada é simples Jairo, posso ensinar qualquer um que se interessar! haha

    Alexandre: Vou aprender melhor o jogo e depois eu narro uma mesa em algum evento aí no Brasil :)

    Álvaro: Valeu cara! Vou relatar minhas próximas experiências também :)

  5. gerbur12 permalink
    15/10/2012 21:39

    Cara que experiência extraordinária!

    Muito bacana mesmo! Ler e ver as fotos, por um instante me senti nas gélidas terras do norte, rs.

    Muito bacana! Mal posso esperar para jogar uma sessão desse jogo arturiano! hehe.

    E p*** m****! Alguém dá uma cueca nova pro Chicão porque a dele já está tudo cagada! Oh muleque sortudo esse aí! Encontrou um evento de RPG na Finlânda?!?! Inacreditável, vou pegar uma pazinha para ver limpa isso aí, rs.

    Que sorte cara! E que bacana! Muito legal mesmo essa sua experiência!

    • m4lk1e permalink
      16/10/2012 20:11

      O Gonçalo é, realmente, uma pessoa muito gentil… x.x

      • 17/10/2012 10:49

        Eu desconfio que essa explosão de gentileza foi influenciada por outros acontecimentos impublicáveis que eu contei pro Gonça esses dias hahaha

        Rock ‘n roll!

  6. gerbur12 permalink
    20/10/2012 23:44

    Que isso meus caros, eu pensei que vocês já estivessem acostumados com a lendária gentileza dos anões!!!!

    huahuahuauauhhuahuauha

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