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Campanha em Moria – Cena 13

02/10/2012

Cena Anterior: Campanha em Moria – Cena 12

_ Imberbe!!! – Gritaram os irmãos Lóni e Náli enquanto brandiam seus machados no ar. O restante de nós estava em silêncio.

Ellen olhava atentamente a plataforma em chamas onde as serpentes de aço de Gramenos mataram seus últimos orcs. Talvez o fogo estivesse embaçando a vista da elfa, talvez a emoção. Toph entoou uma canção triste, que falava sobre os heróis da Colônia e suas belas mortes. Tyr ajoelhou-se, sentou-se sobre seus calcanhares e colocou o capuz. Butuitê, o elfo gatuno, fingia estar procurando algum tesouro perdido e deu pouca atenção a última luta do Imberbe. Talvez os elfos com sua pouca experiência com a morte ainda não saibam como lidar com o fim, e assim preferem ignorá-lo. Humpf, depois eles se julgam sábios…

Meus companheiros, que desceram comigo até a Forja para resgatar os amigos de Balin estavam tão mortos quanto o Imberbe. Urdi e Láin, eram os seus nomes, e eles morreram ao protegerem a nossa retaguarda contra o exército orc, enquanto o bárbaro Éowulf e o anão Tyr abriam caminho na ponte contra os capitães orcs e suas aranhas. Nós havíamos conseguido voltar ao Quinto Pavimento e o caminho agora até o Sétimo era tranquilo e com muitas passagens, mas Khazad-dûm havia cobrado um preço alto pelo nosso retorno aos Pavimentos Superiores.

Nosso tempo era curto, não sabíamos qual o tamanho do exército que já tinha passado pela ponte que o Imberbe derrubou. Mesmo assim, a situação pedia algumas palavras, coube a mim essa tarefa e eu poderia levar muito tempo descrevendo Gramenos, mas uma única frase o resumiria bem:

_ Ele era um anão da Colônia. E isso é suficiente.

Mas não era.

Tributo ao Imberbe

Lóni e Náli haviam descido até a Primeira Profundeza como os guarda-costas de Gramenos. E a morte de seu líder e amigo havia tocado ambos profundamente. Enquanto a emoção eclipsava seus olhos cada um deles segurou metade de suas barbas com a mão esquerda e com a direita a cortaram. CORTARAM! A barba de um anão não é como a barba de um humano mortal que está sempre a cortá-la e ela sempre volta a crescer. A barba de um anão cresce para sempre, desde que não seja cortada. Uma vez cortada ela nunca mais crescerá. A barba de um anão não é simplesmente um apêndice do seu corpo, ao contrário, é um importante membro de seu corpo. Como um braço ou uma mão, uma vez cortada, nunca mais volta a crescer e deixa para sempre o anão, mutilado.

_ Imberbe!! – Eles gritavam levantando a barba decepada no ar com uma mão e com a outra batiam suas armas em seus tórax – Imberbe!!!

_ Nós acreditamos em você, Imberbe! – Gritou Náli.

_ De hoje em diante não será visto como desonrado um anão sem barba! – Gritou Lóni para o abismo diante de si e para o calado exército orc do outro lado.

_ De hoje em diante o anão imberbe será visto como uma homenagem a um herói! – Completou Náli.

_ Imberbe, o herói! – Eles berravam – Imberbe, anão da Colônia!

No fim, não foram minhas as palavras que encerraram o cântico de Gramenos, mas as de Lóni e Náli que ecoaram nos salões onde antes havia a Passagem da Senhora Galadriel. Os orcs haviam tomado a ponte, mas Gramenos a derrubou a custo da própria vida. Nós não esqueceremos o seu sacrifício, Imberbe.

_ Que ele possa ouvi-los na outra vida – Disse Ellen por fim, e quando estávamos prontos, retomamos nossa trajetória até a Colônia.

Após mais alguns dias de viagem chegamos enfim as mediações da Colônia, no Primeiro Salão do Sétimo Pavimento.  Antes secreta, a Colônia agora tinha um exército cercando-a. Um exército imenso, com milhares e milhares de orcs, uruks, aranhas gigantes e coisas piores. Enquanto permanecíamos estáticos observando aquela massa maligna, pareceu que os pilares que sustentam o teto da Montanha começavam se mover. Um olhar mais atento mostrou que não eram os pilares de Khazâd-dûm que estavam se mexendo, mas os maiores trolls que eu já vi, vindos das profundezas do mundo. E no final da vasta horda do inimigo estavam as muralhas da Colônia, altas e cinzentas, tão resistentes quanto a encosta da Montanha. Mas por mais imponentes que fossem, aos meus olhos elas pareceram tristes e abandonadas, rodeadas por tantos olhos hostis.

O que mais me impressionou, no entanto, não foi o número do nosso inimigo, mas sua organização. Os orcs de Moria estavam divididos em companhias, armados e vestidos uniformemente. Todos eles com elmos semelhantes, escudos semelhantes, lanças semelhantes e o pior, a mesma bandeira: a Vara Azul. Os orcs são conhecidos por se dividirem em muitas tribos e clãs, cada um deles com seus próprios líderes, dialetos, armamentos e bandeiras. Ver todos os orcs de Moria marchando sob uma única bandeira foi assustador. Que poder era esse que conseguiu reunir e organizar todas as tribos?

Estávamos vestidos de soldados orcs, mas não podíamos conversar uns com os outros, pois os orcs saberiam pelas nossas vozes e sotaques que não somos da sua raça imunda. Apenas trocávamos olhares e fazíamos alguns sinais com as mãos para nos comunicar. Somente Ellen, a elfa de Lórien, conseguia falar nas nossas mentes e ler nossos pensamentos. Ela estava se desgastando para manter esse encantamento ininterrupto e a qualquer momento poderíamos ser descobertos, o que seria certamente o nosso fim. Precisávamos sair dali e entrar na Colônia, mas como?

Nesse instante Toph começou a assoviar para seu corvo, Korf, que respondeu e por um momento eles pareceram conversar e se entenderem. O corvo então levantou vôo e foi em direção a Muralha, e no instante que uma esperança foi acesa nós ouvimos o assovio de uma besta uruk-hai. Não cheguei a ver a flecha, mas vi o corvo despencar das alturas para o centro do exército inimigo. Mas a sorte estava do nosso lado e logo o pássaro levantou vôo novamente e seguiu sua missão. A mensagem de Toph chegaria à Colônia.

Esperamos por um tempo o retorno do corvo, mas com o passar das horas decidimos nos afastar do exército e encontrar algum lugar onde pudéssemos conversar, pois poderia levar muito tempo até o corvo voltar e mesmo se voltasse, as bestas dos uruks estariam esperando por ele.

Através de túneis laterais escuros e antigas passagens secretas dos anões, nós conseguimos dar a volta na imensa hoste de nossos inimigos. Chegamos, enfim, às antigas câmaras, e finalmente pudemos conversar normalmente.

Estávamos assustados com o exército numeroso, e a nossa ansiedade para agir era evidente. Todos falavam ao mesmo tempo, ora comentando sobre o exército inimigo, ora sobre o caminho que deveríamos seguir. Butuitê, o arqueiro, acreditava que seria melhor sabotarmos o exército orc ainda disfarçados, e Éowulf, o bárbaro, queria procurar e eliminar o líder da hoste.  Eu e meus companheiros anões obviamente defendíamos nossa ida à Colônia, mas parecia que não conseguiríamos nortear nossos passos sem que uma voz forte tomasse conta da situação.

Até que nosso guia, que permanecia calado em um canto nos ouvindo, começou a falar. E assim como a rocha que sustenta a Montanha é dura e firme na sua consistência, assim foram as palavras de Toph. Uma mudança surpreendente se operou nele, e percebi que o druida estava assumindo o papel de líder deixado vago por Gramenos. Nós iríamos seguir pelos túneis até a Colônia, e combateríamos o exército junto aos nossos irmãos. Lutaríamos ao lado destes, e faríamos o nosso melhor para honrar nossos juramentos.

E tal era a habilidade e a confiança do Bronze nas suas palavras, que nem uma voz se levantou para se opor. Nosso caminho estava traçado.

Continuamos por túneis esquecidos, seguindo nosso confiante guia. Até a postura cansada do velho Toph parecia ter mudado, e eu me perguntei da onde saia todo esse poder. Seria do Anel?

Quando chegamos ao final do túnel, onde deveria haver dois guardas da Colônia, para a nossa surpresa não havia nenhum. Dissemos as palavras chave e as portas se abriram para nós e logo estávamos do lado de dentro da Muralha, no Segundo Salão, e pude ver com meus próprios olhos como eu fiz falta para meu povo. Quando saí com Urdi e Láin para resgatar nossos amigos na Primeira Profundeza, deixei o comando militar da Colônia para o druida Nordri. Mas nossas defesas estavam parcas, fracas e dispersas para os meus padrões. Havia muito a fazer, e poucos soldados. Assim que encontrei o capitão Frar dei algumas ordens para ele e mandei os irmãos Lóni e Náli que se juntassem a sua tropa e subissem no alto da muralha para preparar nossas catapultas e defesas. Logo eu me juntaria a eles, mas antes precisava falar com Nordri.

Onde estavam os soldados da Colônia? Porque não estavam se preparando para defender o Segundo Salão do ataque eminente dos orcs da Vara Azul?

Mas não foi o ancião Nordri que respondeu minhas perguntas.

De repente as paredes começaram a tremer, e foi então que ouvi a Trompa da Montanha, que há muito não era tocada. Seu som cristalino ecoou melancólico pelos salões da Colônia e do Sétimo Pavimento. E então eu soube o que havia acontecido. Sua nota longa era grave e profunda, e só podia significar uma coisa: morte.

Meu coração acelerou freneticamente, e sem pensar corri em direção ao coração da Colônia, a Ágora de Fundin, que ficava nos Arsenais Superiores. A batalha nem havia ainda começado, quem poderia ter morrido tão precocemente?

Atravessei voando a Praça dos Heróis, seguido de perto por todos os sobreviventes de nossa comitiva. A praça, antes movimentada e cheia de idas e vindas, encontrava-se deserta e vazia. Apenas as estátuas e imagens de nossos antepassados mantinham solenemente suas posições. O lugar estava morto, mas uma claridade grande, feita por muitas tochas vinham da Ágora. Já havia começado. Definitivamente, alguém muito importante havia nos deixado.

Entrei na câmara e me deparei com toda a Colônia. Soldados, pedreiros, ferreiros e mineiros e mulheres e crianças, todos estavam lá, de pé, mas com as cabeças abaixadas. No centro da sala, um de nós estava deitado, sobre uma esquife de pedra.

Balin.

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 14

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6 Comentários leave one →
  1. 03/10/2012 09:56

    Fica melhor a cada dia.
    Quando as coisas parecem estar caminhando para a calmaria, la vem uma trovoada.
    Assim como nos livros de Tolkien.

  2. gerbur12 permalink
    07/10/2012 03:15

    hahaha Mestre André, você está comparando um Deus à insetos… rs.
    Mesmo assim os insetos sentem-se muito satisfeitos com seus elogios, pode ter certeza.
    Isso só nos inspira a produzir textos de cada vez maior qualidade.
    Para aqueles que gostaram da carga dramática desse episódio, se preparem que o próximo será bem mais! O funeral de Balin dará o que falar!
    Abraço Anão a todos!

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