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Terras Frias – Uma Campanha Para Lobisomem (Cena 3)

16/09/2012

Este texto é a continuação da história descrita aqui e aqui.

Recuperados do combate, Melissa e Serket pensavam no que fazer agora. Sabiam por Allana que chegar até o Campo de Batalha seria muito difícil, se o fizessem sozinhos (já que os caerns conhecidos estavam além do seu alcance).

Foi neste momento que Ronnie interviu.

– Como você veio até aqui, Serket?

– Nem eu sei ao certo – A confusão pairava em suas palavras. – Tudo que tenho são vagas lembranças, antes de acordar, na casa do Persegue-a-Verdade.

– Então… – Concluiu Allana. – Acho que vocês já têm onde ir.

Ronnie os acompanhou até a casa do velho índio, sem deixar de manter o contato com seus irmãos de matilha. O chalé, à margem da população de Porcupine, estava com a porta entreaberta. Entraram na casa, já preparados para o pior, quando encontraram apenas um bilhete em sua cadeira de balanço:

“Caso me procures, estarei na Grande Teia, em busca das plumas de nossa amada Coruja”.

– Grande… Teia? – Perguntaram-se entre si, confusos.

Neste momento, Serket se viu novamente nos ares, voando com a Coruja e seu falecido amigo, Pluma-da-Justiça. Pôde conhecer um dos redutos da humanidade naquelas terras, e suas torres enlaçadas por grandes teias de aranha.

– Aquele é o lugar da humanidade, meus filhos. – Disse, exalando sabedoria. – Será meu destino, depois que deixá-los com os seus…

A consciência volta com Ronnie, que parecia ter a resposta mais adequada para a situação.

– Vamos voltar, pois teremos uma longa jornada até Eagle’s Nest – a maior cidade em Pine Ridge!

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Enfrentaram por duas horas a chuva violenta naquelas terras, dificultando a visão da estrada.
Pararam à beira do asfalto, quando a presença nada sutil dos espíritos os afastou do veículo, e os conduziu à floresta.

Uma pequena trilha os levou até uma torre de vigilância da Guarda Florestal, guiados pela presença inquietante dos espíritos e pelo cheiro de gasolina e óleo queimado. Acabaram surpreendidos por uma das criaturas fiéis à Weaver – a força dos homens e das cidades.

– Tomem cuidado! – Foi o último aviso de Ronnie antes de tentar subir à torre, e ser surpreendido por uma grande aranha mecânica, cheirando a fumaça e óleo. Ronnie usou seus poderes para apaziguar a criatura e, quem sabe, obter algo dela – um plano frustrado por Melissa e seu impulso combativo que, sob as vestes do lobo guerreiro, desmembrou a criatura  e se banhou de seu “sangue” fedorento – até que a própria fugisse para a Umbra novamente.

– Por que fez isso? – Os questionamentos dele faziam o sangue da Wendigo ferver, e suspeitas emergeriam destas discussões, se os fatos no alto da torre não fossem estranhos o bastante…

Na guarita, tudo estava em ordem. Não havia sinais de luta: somente um corpo morto e mutilado. Seu torso, no centro da sala, estava aberto à altura do coração, agora inexistente naquele corpo. Serket conhecia bem aquele ritual, que parecia ter relação com o coração antes guardado por seu mestre.

O Filho de Gaia parecia preocupado, pois aquela criatura estava muito longe da cidade, seu lar natural. Perfurou, com as mãos nuas, a barreira da realidade para chegar à Umbra, onde a chuva cantava os lamentos da natureza em seus ouvidos.

Uma longa teia percorria o céu, e coube aos Garou atravessá-la até o seu destino.

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Atravessaram a extensão da teia, com as próprias mãos, até alcançar a primeira torre de Eagle Nest. como ainda poderia ter outras aranhas por perto, voltaram ao mundo real – pois poderiam encontrar na cidade o que procuram.

Encontraram uma figura singular em um beco escuro, revirando latas de lixo em busca de comida. Foi prontamente reconhecida por Ronnie, e sua saudação não foi nada agradável.Sua aparência decrépita era reforçada por seu cheiro de sujeira e podridão, e a cicatriz hedionda em seu rosto a denuncia como uma dos Servos de Luna.

Apresentando-se como Boca-do-Lixo, ela acolheu o grupo em seu abrigo momentâneo, no mesmo prédio por onde desceram.

Ao servir pão e uma sopa (feita com pedaços de plástico, latas de alumínio e uma bota velha) para os visitantes, fez a pergunta que não queria calar:

– O que buscam aqui?

– Procuramos Persegue-a-Verdade – Serket foi direto ao assunto. – pois achamos que ele possa ter ido atrás da Coruja…

A sem-teto rapidamente se levantou, contrariada.

– Depois dessa, não devia nem lhes dar comida. Pedir minha ajuda para salvar o inimigo de meu Totem? Essa é boa.

– Entenda uma coisa. – Melissa tomou a palavra, como toma com as garras a vida de seus inimigos. – Deve haver algo que podemos fazer por você. Basta dizer do que se trata, que faremos para você nos ajudar.

– E VOCÊ ACHA MESMO QUE PODE ME AJUDAR? – Boca-do-Lixo estava frustrada, quase a ponto de colocá-los para fora. – Depois que todos me deixaram aqui sozinha, e meu lar foi tomado pelos ratos da “mardita”. Nada pude fazer pela minha casa, e agora vocês vêm me oferecer algo? Francamente!

Foi neste ponto que Melissa soube por onde atingir sua anfitriã.

– Nós podemos reaver sua casa, para que fiques feliz novamente. Deixe-nos lidar com isto, e poderemos ter as sua palavra em nos ajudar?

A comoção no rosto da sem-teto parecia suficiente.

– Vamos. Eu os levarei até lá perto.

A confiança parecia restaurada para todos, se Ronnie não tivesse desaparecido subitamente, ao calor da discussão…

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To Be Continued…

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5 Comentários leave one →
  1. Monseha permalink
    17/09/2012 12:17

    E dessa vez nada do “buxinho”. Saudades dele também.

  2. 20/09/2012 19:28

    Mas sumiu, como sumiu?
    Sumiu assim, sumindo?

  3. m4lk1e permalink
    20/09/2012 20:53

    Mistéeeeeerio… ^^

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