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Campanha em Moria – Cena 12

07/09/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 11

3 dias haviam se passado desde que destruímos a Grande Forja e encontramos Khevala. Nossa  esperança aumentara com a descoberta da relíquia, mas a passagem pelos pavimentos vazios desafiavam nossa vontade.

O relato da descida de Wiglaf era assustador. Segundo ele, milhares de soldados orcs se dirigiram para o 7º pavimento, e provável que nesse instante todos já estivessem acampados lá. Nossa subida era urgente, e embora cansados, mantínhamos um bom ritmo.

Meus pesadelos continuavam assolando meu sono nas raras horas de descanso, e eu percebia que devia estar fazendo algum barulho, pois toda vez que acordava todos olhavam pra mim. Uma vez a elfa veio perguntar se eu gostaria de contar meus sonhos para ela. Pffff… Eu sou Gramenos o Ouro, não devo satisfações a ninguém!

Toph falava pouco, e frequentemente ficava afastado quando tinha a oportunidade. Eu sabia que ele estava maravilhado com o Anel. Todos estávamos. Segundo o Bronze, aquele era o Anel dado ao pai da Casa dos Punhos-de-ferro, e fora dado como perdido alguns anos antes da batalha de Azanulbizar. Pouco se sabia sobre Khevala, pois nossos registros e histórias das Casas Obscuras  – tais como os Punhos-de-ferro, eram bem limitados. Permanecia o mistério.

Curioso pensar que encontramos um objeto mágico tão importante da nossa história – o Anel, ao mesmo tempo que perdemos outro tão simbólico – a Forja. Talvez fosse um sinal de que nosso povo vivia um tempo em que precisaríamos confiar mais nas mágicas e tradições do que na nossa minguada força.

Se fosse isso mesmo, talvez a troca de relíquias não tenha sido tão ruim afinal.

No nosso caminho ocasionalmente cruzávamos com alguns orcs feridos que ficaram para trás para guardarem as passagens e orientar os atrasados. Nossa pressa era tanta que nem perdíamos tempo matando-os  ou mesmo buscando informações. Simplesmente corríamos para a Colônia.

Eu ia por último, observando toda a comitiva. O elfo fazia questão de acompanhar Toph a todo momento, e eu via que ele frequentemente olhava pro bolso de Bronze. O arqueiro falava da grandeza de Balin a todo instante, como se quisesse lembrar o druida de quem deveria ter a posse do Anel.

E ele estava certo. A batalha foi travada em  nome de Balin e da Colônia, e eram estes que tinham direito aos espólios. Toph sabe disso. E se sua lealdade com nosso Senhor falhar no final, nós lembraremos ele.

O arqueiro aliás tinha um faro para tesouros fora do normal. Em uma das nossas raras paradas, ele encontrou uma adaga anã da 1ª era escondida dentro de um vaso! Ele foi todo animado pedir para Toph examiná-la, e o Bronze ficou espantado ao perceber pelas inscrições que aquela era uma obra do próprio Telchar!

– Mais um tesouro para Balin então Mestre elfo? Um Anel e uma adaga mágica, nosso líder ficará muito contente.

– O Anel com toda certeza. A adaga veremos…

– Com certeza veremos.

Tesouros sempre foram a fonte de desavença entre anões e elfos, desde o Nauglamir. Mas eu não deixaria ele nos atrasar:

– Chega de falatório, vamos partir! Ainda temos que atravessar a ponte  para o 5º pavimento.

– A “Passagem da Senhora” senhor Gramenos, por favor. Não esqueça da história que envolve essa obra.

– Maldição elfa, ande mais depressa e fale menos!

– Eu já contei do encantamento lançado por Galadriel no dia que…

– VAMOS!!!!

Não sei como Toph conseguiu liderar esses imbecis até a Colônia. Desconfio que além de cego ele também devia se fingir de surdo ocasionalmente. Só Tyr demonstra uma paciência fora do comum para ouvir as histórias da elfa. Ele escuta atentamente cada uma das sonolentas e longas explicações da mágica, e as vezes até complementa as informações. Certamente a virtude do anão de Erebor é a paciência!

O caminho para a PONTE passava por um local anteriormente ocupado por um grande acampamento orc, e para nosso azar, ele continuava ali. Nos abrigamos em uma das tendas vazias  e enviamos o elfo para reconhecer o terreno. Nós esperaríamos maiores informações a salvo de curiosos.

De repente, para nosso espanto, Toph caiu de joelhos. Ele tremia e balbuciava palavras indistintas, em uma língua estranha para mim. Seria a língua negra? A “sabe-tudo” entendeu o que ele falou:

– “A Ruína de Dúrin” Toph? Do que você está falando?

Meu coração congelou, e de repente eu também comecei a sentir o problema. Um medo sobrenatural tomou conta de mim, e meus pelos da nuca eriçaram. Comecei a olhar para todos os lados em busca da fonte do problema, e ao não ver nada, entendi que estávamos próximos de um mal muito além do nosso alcance. Os outros começaram a se incomodar também, e quase morremos de susto quando o arqueiro entrou na tenda falando:

– Vocês não vão acreditar no que eu vi. Um bal…

– Vamos sair daqui. AGORA!!! Ele poderá sentir a mágica do Anel. VAMOS!

Chutamos o traseiro da cautela e corremos para a passagem da ponte. Os orcs nos viam e não entendiam o motivo da pressa, mas o único que tentou perguntar algo levou um empurrão do bárbaro e logo todos deram passagem.

A escuridão era total, pois os orcs não precisavam de iluminação para enxergar. Mas felizmente também tínhamos conosco alguém que não precisava de iluminação para saber o caminho, pois se acendessemos alguma lanterna revelaríamos nossa real natureza, e todo o acampamento viria atrás de nós.

Corremos por dois quilometros e chegamos a ponte. Pingávamos de suor, e Toph ainda tremia. A “Ruína de Dúrin” tinha ficado para trás, mas sua lembrança ainda era presente no Bronze.

Diante de nós estavam dois capitães orcs. Dois uruk-hai, montados em aranhas. Eles guardavam a ponte, e sabíamos que não nos deixariam passar facilmente. Dois outros capitães montados também permaneciam no final da mesma.

– Qual é a de vocês apressadinhos? As ordens são para partirmos juntos.

– Temos ordens do capitão Karangûl para irmos antes. Nos dê passagem!

– Karangûl?? Onde está aquele verme? É bem ele que está atrasando nossa saída. Barzâsh! Vou arrancar a orelha dele quando eu ver a cara feia dele.

– Ele vêm logo. Mas temos que ir na frente, temos mensagens para entregar.

– Podem deixar as mensagens comigo e voltar para seus postos. Há alguns rapazes levando notícias pro Chefe.

Merda. O brutamontes não nos deixaria passar de nenhum jeito.

Uma flecha zuniu ao meu lado e acertou um dos olhos da aranha. A batalha começara.

Palavras antes ditas por Nordri então me vieram à mente:

“A solidão andará ao seu lado durante toda a sua vida Gramenos, os membros da Ordem dos Druidas são mais temidos do que amados pelo nosso próprio povo. E são poucos os que conseguem morrer como heróis depois de voltarem da captura.

Mas Toph impediu que você morresse pois sentia que o batedor capturado ainda teria uma utilidade para a Colônia. Tome esta lanterna como presente, que ela ilumine a mente e seus caminhos obscuros”.

Eu odiei Toph desde aquele dia.

“- Eu te salvei Gramenos, você tem uma dívida comigo”.

Salvou? Salvou do que? De uma morte justa, e um descanso anônimo? Agora eu morreria e seria sempre lembrado como Gramenos, o Imberbe, aquele que ninguém confia. Meu único elo com a Colônia era a ordem dos Druidas da Montanha, na qual eu tenho o título de “O Ouro”. Os braceletes que Nordri, o Mithril me deu são compridos, indo dos punhos até bem próximo dos cotovelos. Não são largos, e apertam os braços desconfortavelmente. Nordri diz que eles são justos para lembrarem ao druida que seu dever é duro, e não se pode jamais se esquecer dele.

Balin e Wiglaf me agradeceram pelo Machado, mas os colonos ainda me viam com os mesmos olhos. Nem os estrangeiros confiavam totalmente em mim. Mais me temiam do que outra coisa.

E agora eles lutavam novamente, com todas as forças.

Porque eles lutavam? Por quem eles lutavam? Eles não eram anões, nunca seriam. Khazad-dûm não era a casa deles.

Eu não conseguia entender. Não fazia sentido.

E então o bárbaro gritou: “TODO MUNDO É TODO MUNDO!”, e decepou uma das patas da aranha.

E finalmente eu entendi.

O exército orc ouviu o barulho de batalha e começou a correr na nossa direção. Tínhamos poucos minutos para conseguir atravessar a ponte. Mas mesmo que conseguissemos, eles nos alcançariam do outro lado.

Como eu poderia evitar isso?

Que esta luz sirva para iluminar a mente e caminhos obscuros”

Luz!!!

Abandonei a batalha e corri para a parede lateral. Acendi minha lanterna e foi como uma explosão de luz dentro de um poço negro. Corri para os aríetes que os orcs haviam montado para destruir a ponte caso nosso povo quisesse fugir.

Orcs idiotas, nós nunca abandonaríamos Khazâd-dûm.

Espalhei o fogo por todo o lugar, e uma serpente de chamas se formou atrás de mim. Eu já fui “Gramenos, a serpente de aço” no passado, mas a “serpente de chamas” também dava um bom título.

Cortei o que prendia o primeiro aríete e ouvi aquele tronco monstruoso se chocar contra a ponte. Meus amigos ainda estavam nela. Mas eles conseguiriam, teriam que conseguir.

Os batalhões seguiram as chamas, como imaginei. Se a ponte fosse destruída eles não teriam como chegar ao 7º pavimento.

Mais um aríete se foi, e a ponte já devia ter rachaduras grandes. Mais dois e estaria tudo terminado.

Os goblins mais rápidos chegaram. As serpentes de aço começaram a dançar.

3 goblins com um só movimento. Muito bom. Os corpos atrasariam os demais.

Pelo barulho da batalha na ponte, eles ainda estavam no meio. Maldição!

Flechas me perfuraram. Claro que eles não iriam lutar de maneira justa. Eu tinha pouco tempo.

O terceiro aríete partiu. O estrondo ecoou por todo o salão.

Alguns uruk-hai pularam os corpos e vieram na minha direção. Eles lutavam como demônios.

Cima, direita, baixo, esquerda, cima, esquerda, baixo, direita…

Não pare.

A ponte já estava parcialmente destruída, mas eles ainda não a haviam atravessado. Eles usaram fogo para assustar as aranhas, mas os capitães ainda estavam de pé.

Senti algo impedir minha corrente de se movimentar. Um dos uruk-hai havia enganchado sua arma dentada na lâmina. Outro perfurou meu estômago com uma lança. Senti o gosto de sangue na minha boca.

Olhei para a ponte, eles estavam quase do outro lado.

Que Mahal os proteja. O quarto e último aríete partiu.

O barulho da ponte partindo foi como um trovão. Pedaços começaram a cair no abismo sem fim, e com uma imensa satisfação consegui ver meus amigos saltando dela para o chão, do outro lado. Eles estavam a salvo. E, o mais importante: centenas de orcs atrasados jamais chegariam ao Sétimo Pavimento, ou pelo menos levariam meses até encontrarem ou construírem um novo caminho. O Anel estava a caminho de Balin, e os orcs não. Eu fiz minha parte, e minha lealdade jamais será questionada novamente.

Eu sempre fui um anão da Colônia, não importa o que dissessem, e agora todos se lembrarão. Gostaria de ouvir as canções…

O calor estava infernal, com todas aquelas chamas ao meu redor. Eu sentia a mordida das cimitarras orcs perfurando a armadura de placas, carne e osso. Aparei alguns golpes com os braceletes dourados, mas lâminas curvas dos orcs eram tantas… Pude sentir o cheiro da morte ao meu redor, mas mesmo assim não conseguia parar de sorrir.

Eu consegui, e não havia mais nada que eles pudessem fazer para me impedir. Eu sou Gramenos, o Ouro, e agora os orcs não vão se esquecer de meu rosto imberbe tão rapidamente.

– Todo mundo… é todo mundo.

* Machados dos anões! Os anões estão sobre vocês!!

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 13

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8 Comentários leave one →
  1. 07/09/2012 05:25

    Deu uma tristeza escrever esse relato…

    Nunca o esqueceremos Gramenos!!

  2. 11/09/2012 16:50

    E no final ele era fiel a colonia.
    Pelo menos é o que parece =D

  3. gerbur12 permalink
    11/09/2012 23:01

    Sim, nesse episódio é desvendado o mitério: Gramenos, um anão da Colônia, afinal.

    Ele foi também o primeiro NPC a ganhar seu próprio relato! Isso mostra como esse personagem evoluiu e foi significativo para a trama, e pensar que era um personagem para morrer no primeiro ato. Lembram-se da primeira aventura? Ele seria condenado a morte diante do conselho dos anões e do próprio Balin, se não fosse Toph (e o Chicão com uma sorte nos dados capaz de mudar os planos do mestre, hehe).

    Portanto mestres, nunca subestimem seus NPS, você nunca sabe quão longe eles poderão ir na história e modificá-la e acontecer junto com ela.

    Bacana isso, e nós pensamos ter controle de alguma coisa, tsc, tsc. rs.

  4. 17/09/2012 14:00

    Verdade pura.
    NPCs por mais simples que seja sua participação na aventura, precisa criar uma boa base pra ele, molda-lo. Nunca se sabe o bem que ele pode fazer para um jogo

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