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Campanha em Moria – Cena 11

02/09/2012

Cena Anterior: Campanha em Moria – Cena 10

Não pare, não importa o que aconteça.

Cima, direita, baixo, esquerda, cima, esquerda, baixo, direita… As correntes devem ser como duas serpentes inquietas.

Sem aberturas, sem cansaço.

Porque diabos essas Sombras continuam de pé?

Toph dissera que assim que a Forja fosse destruída elas desapareceriam, mas algo estava errado, pois elas continuavam nos atacando. Pra piorar, lava começara a transbordar de um dos reservatórios que se romperam.

Os companheiros do Bronze já estavam nas últimas, e cada segundo que passava mais nossas chances de sobreviver minguavam. Éowulf juntou-se à nós na luta, mas depois que a Sombra de Toph soltou um encanto de sono, o gigante desabara no chão.

Os elfos já estavam fora de combate, e só nós, anões, mantínhamos nossas forças.

Khazâd!!!

– O objeto… que estes vermes estão ligados… deve ser outro que não a Forja. Você enxerga… alguma… outra coisa aqui… que poderia ser… a ligação deles… Gramenos?

Toph respirava com dificuldade. A Sombra do humano não dava descanso para o ancião, e eu sentia que logo ele também cairia.

Olhei o que sobrara da sala. A lava avançava lentamente na nossa direção, e logo ela encobriria o corpo caído do bárbaro. Ficava difícil enxergar com as correntes rodando ao meu redor, mas eu não conseguia ver nada que pudesse ser o objeto. Havia algumas ferramentas jogadas, mas eu duvidava que as Sombras tivessem ligação com uma tenaz velha ou um martelo enferrujado. Maldição!

Cima, direita, baixo, esquerda, cima, esquerda, baixo, direita…

Giro.

Não pare.

– Não Toph, só tem tralha aqui.

O corvo do Bronze então voou e começou a rodar a sala, procurando.

“Korf, o corvo”. No caminho para a Primeira Profundeza reparei no elo que Toph tinha com ele. Provavelmente fora o pássaro que manteve o Bronze longe do isolamento nos anos que se sucederam a volta dele à Colônia.  Nosso povo não era misericordioso com aqueles que eram capturados pelo inimigo, eu sabia muito bem disso. E eu não tive nenhum Korf para me ajudar. Cada olhar que recebia na Colônia era um misto de desprezo, desconfiança e raiva. Toph teve muita sorte.

Não pare.

Mais uma Sombra gritou, e mais uma vez elas pararam por alguns instantes. Sempre uma delas conseguia levar os golpes, enquanto as outras simplesmente atravessavam nossas armas. Qual era a lógica por trás de tudo isso?

O corvo  começou a rodopiar em cima da Sombra que gritara, a Sombra do bárbaro.

Não pa… ugh.

Uma flecha conseguiu passar pelas minhas correntes. A velocidade com que as girava estava diminuindo, e a Sombra do elfo achou o tempo certo de me atingir. Maldição!

Não pare. Não pare.

Tyr estava quase que ajoelhado se defendendo. Ele fora perto do humano para tentar arrastá-lo para longe da lava, mas a Sombra que o atacava não dava nenhuma chance.

Loni e Náli estavam um de costas para o outro, rugindo contra as Sombras.

O corvo então gritou algo para o Bronze, e este gritou pra mim:

– Gramenos… o que há na mão da Sombra que luta comigo?

Olhei. O bárbaro normalmente usava uma espada de duas mãos, mas a Sombra só a usava em uma. Na outra mão ela mantinha algo, passando de um dedo para o outro.

Ugh. Outro golpe. Os segundos que passei observando foram suficientes para abrir mais uma brecha na minha defesa, e a Sombra que me atacava aproveitou o momento.

– Há algo Toph, mas não consigo ver o que é… Você acha que é o objeto?

– Arrrrgh. Acho!!! Venha, vamos atacá-la, é nossa… última… chance. Venham todos!!!

Fomos. Atravessando mais golpes, fizemos um cerco na Sombra do bárbaro, e atacamos. As outras Sombras atacavam nossas costas, e eu senti minha armadura trincar.

Então, para nosso desespero, três orcs entraram na sala. Eles estavam vestidos das cabeças aos pés com armaduras, e cada um tinha um machado. Um machado anão.

Gritei de raiva e amaldicoei as criaturas que chegaram. Já não tínhamos problemas suficientes?

E então os orcs gritaram de volta:

– |Barûk Khazâd! Khazâd âi menu!!!| *

E o desespero deu lugar a esperança, pois aqueles eram anões, disfarçados assim como nós. Wiglaf viera nos ajudar!

– A mão, ataquem a mão!!

A Sombra girava, fazendo de tudo para proteger o braço que segurava o objeto, mas com o nosso efetivo aumentado, conseguimos finalmente atingi-la no local certo. Loni conseguira cravar seu machado na mão esquerda da Sombra.

E quando ele fez isso, todas as Sombras uivaram. Uma espiral de vento partiu da golpeada, e todos nós nos afastamos. As criaturas começaram a se retorcer, e em meios aos gritos vimos a Sombra do bárbaro largar uma moeda no chão. Era uma moeda toda negra, e quando esta caiu no piso, toda a sala ecoou.

Nós vencemos, mas poucos ainda estavam de pé.

Começamos a arrastar os forasteiros para fora da sala, e quando saí, vi que o elfo já estava fora, estirado no chão. Sangue espalhava-se ao seu redor, e eu supus que ele já estivesse morto.

Voltei à sala para ajudar Toph a sair, e vi que o mesmo estava parado ao lado de onde a moeda caíra. Ela estava sendo consumida pela lava, e Korf narrava a cena pra ele. A moeda negra começou a diminuir, e de repente apresentou um aspecto prateado. O que poderia ser aquilo?

Lembrei que antes de sair da Colônia, Nordri me dissera que as  Sombras eram na verdade espíritos muito antigos, espiões de um mal primevo que há muito perderam seu propósito e encontraram nos abismos de Khazad-dûm um refúgio para seus tormentos. Esses espíritos eram corruptos, sedutores, ardilosos e mestres da mentira. Mas, o que eu e o corvo estávamos assistindo era a magia das Sombras indo embora daquele objeto. A lava limpava-o de todo mal.

E, para a nossa surpresa, o objeto revelado era um anel. Um anel prateado, com uma jóia amarela engastada nele. Me agachei para pegá-lo, mas o corvo foi mais rápido. Com um mergulho, a ave pegou o anel e o levou até seu dono.

De repente senti meu coração bater mais rápido. Algo me dizia que estávamos diante de um tesouro muito precioso. Seria possível?

– Vamos sair daqui Gramenos, agora não é o momento. Nossos companheiros precisam de nós.

Quando encontrou seus amigos o Bronze começara a aplicar os primeiros-socorros, e Wiglaf ajudou despejando licor na boca do arqueiro. O elfo acordou cuspindo e gritando de dor.

Depois de alguns minutos e muitas faixas, a elfa também acordou e ajudou Toph com a cura. Todos sobreviveríamos no final das contas.

Wiglaf, Urdi e Láin nos levaram até uma sala abandonada, e enfim tivemos tempo para descansar. Nos jogamos no chão e começamos a conversar. Todos tínhamos muitas perguntas, mas minha curiosidade estava beirando o limite, e eu estava menos preocupado com as notícias da Colônia, e mais com o que havíamos encontrado na câmara da Forja.

– Toph, nós realmente encontramos o que estou pensando?

O Bronze deu um sorriso, e quando sentiu que todos prestavam atenção nele, abriu a mão e revelou o anel que havíamos encontrado.

– A resposta é sim, Gramenos. Eu lhes apresento Khevala, o Anel de Topázio!

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 12

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8 Comentários leave one →
  1. 03/09/2012 08:14

    Eu pensei que ele fosse um traidor.
    Talvez apenas um mal entendido, mas ainda tem estória por vir.
    Muita boa a narração.

  2. gerbur12 permalink
    06/09/2012 12:39

    Quem o Gramenos? Ou o Toph?

  3. 12/09/2012 12:03

    Gosto do jeito que vocês contam. Mesmo eu que participo das sessões e sei como as coisas acontecem, acabo ficando muito curiosa para chegar o final do relato e até mesmo o próximo.
    Parabéns companheiros.

    Todo mundo é todo mundo!

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