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Terras Frias – Uma Campanha para Lobisomem (Cena Um)

22/08/2012

“Esta é a história de dois povos, irmãos em um passado remoto, que agora estão em guerra. De um lado, os guerreiros Wendigo ostentam rancor pela morte de outros irmãos, a quem culpam seus Irmãos Mais Velhos.

Do outro lado, os misteriosos Uktena mantêm-se afastados dos demais Garou em função de sua busca pela cruel Wyrm, a força que rói as raízes do mundo. Para muitos, esta tribo merece a paciência e consideração por seu trabalho, mesmo que a corrupção possa persegui-los o tempo todo…

Isto está bem visível na Reserva Indígena Pine Ridge, situada na Dakota do Norte. Estas terras possuem grande importância para os Wendigo, já que a tribo Sioux vive ali. Ademais, seu caern mantém a memória sobre Wounded Knee – onde, há mais de um século, aconteceu o massacre de seu povo. Até hoje, culpam os Uktena pelo ataque dos confederados, e estes interessam-se pela região a ponto de fundarem outro caern, há poucos anos…

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                                                                         ***

Imerso na escuridão mais profunda, o lupino Serket corria por sua vida. Podia ver o manto de sombras se desdobrando em olhos de todo tipo, e gargalhadas bestiais alcançavam suas patas. Ao mesmo tempo, seu caminho se formava pelo som de palavras que, juntas, formavam uma mensagem bastante familiar:

“A Gaia, o que é de Gaia”.

O despertar agitado do lobo negro chamou a atenção de seu benfeitor, um índio de feições enegrecidas como os rochedos de Pine Ridge. Deixara de lado seu cachimbo para lhe falar, o aroma acre do peiote dominando a choupana.

– Vejo que teve outro sonho, garoto. – Disse, preocupado. – Mas acordaste na hora certa.

O Garou ainda estava deslocado, e apenas a queda suave da neve o trouxe à realidade.

– Em que posso ajudá-lo, caro mestre?

O anfitrião se levantou de sua cadeira de balanço e caminhou, vacilante, até a lareira. Aproximou-se de Serket com uma pequena caixa de madeira nas mãos, envolta por vários laços de junco.

– Leve isto até os dois lados da guerra. – Explicou, as palavras empedernidas pelo pesar. – Quando a hora chegar, você saberá o que fazer.

Esta frase não teve sentido algum para Serket. Nos últimos dias, Persegue-a-Verdade o acolheu como a um filho, mesmo sem ter nada para retribuir tamanho favor. Nesse meio tempo, precisou reaprender suas origens por não lembrar nada desde o seu despertar: era um Peregrino Silencioso e, por sua natureza errante, sabia que havia algo para fazer naquelas terras.

O lobo concordou em levá-la em seu pescoço, devidamente atada por uma tira de junco. Preparava-se para partir, em silêncio, quando Persegue-a-Verdade falou mais uma vez:

– Tenha o máximo de cautela quando chegar a Wounded Knee.

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                                                                          ***

Em Wounded Knee, a tensão estava contagiando a todos. Guerreiros se preparavam para entrar em combate, afiando suas lanças e preparando suas pinturas de guerra. Atacariam o caern dos Uktena, após culpá-los pelo rapto de filhotes e Parentes, nas últimas noites.

Entre os bravos lobos da neve, Melissa tomava tal fardo para si. Seu parentesco com Touro Sentado, lendário líder Sioux na época do massacre em Wounded Knee, garantia sua segurança no caern – ainda que sob as irritantes suspeitas de sua população. No entanto, sua provação viria com o escarnecedor tom do seu líder, Filho-da-Geada.

– Honre o seu sangue, Duas Pernas! – Bradou, quase convocando os uivos da maioria consigo. – Vá até a curva do rio e nos traga a Purificadora, para liderar nossa marcha sangrenta!

Ainda que não concordasse com as colocações insidiosas, a jovem não perdeu tempo: desejava estar na luta, mais que qualquer outro guerreiro da região, e daria o seu melhor para obter o respeito esperado. Caminhou rapidamente pela trilha de pedras e árvores, ricamente ilustrada pelas histórias do local, até chegar à curva do rio.

Mas a lança sagrada dos Wendigo não estava lá.

A procura pelo artefato resultou em um ataque inesperado de um cervo, visivelmente corrompido pela maldade. Conseguiu deter a criatura a tempo, com sua fiel Adaga de Dente dilacerando seu flanco direito em um único golpe. O cervo vacilou em um novo ataque, por estar mortalmente ferido, e lançou-se ao rio.

Não desejava retornar ao centro do caern sem a relíquia, para elevar as suspeitas daqueles que deveriam ser seus irmãos. Vestiu a pele de Lobo para, com seu olfato apurado, encontrar o responsável por tamanha maldade.

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Sua busca, porém, a conduziu novamente ao caern, onde presenciou a chegada de um lobo negro, esquálido como os lendários chacais de Anubis. Ele fitava em silêncio o inquestionável Filho-da-Geada, cuja face lupina transparecia em temor.

– Leve isto para os Uktena, e os amaldiçõe por esta piada infame!

A jovem se aproximou, determinada a saber do que se tratava, e viu que o visitante oferecia uma pequena caixa de madeira com as patas – para repulsa de seu líder.

– Você, Duas Pernas! – Disse, visivelmente contrariado. – Acompanhe-o até o covil dos Uktena.

– Mas, a Lança…

Os olhos de Filho-da-Geada encheram-se da mais pura consternação.

– Se não está aqui, eis outra excelente razão para ir até lá. O acompanhe para distraí-los, até que estejamos prontos para o combate.

Juntos, Melissa e Serket partiram para o Riacho dos Mistérios, como era conhecido o caern dos Uktena. Pelo caminho, glifos de escárnio e promessas de ódio estavam cravados em árvores e no solo batido. Motivos mais que suficientes para selar as palavras entre os garou naquela hora.

Às margens de um pequeno bosque, o perigo foi facilmente percebido pelos invasores. Entre as árvores, uma legião de espíritos vagava. A Wyrm se fazia presente neles, denunciada pela magreza e obsessão por qualquer coisa que deles se aproximasse.

– Precisamos ser cautelosos. – Serket disse, pouco antes de convocar o silêncio para ocultar seus movimentos. – Una-se com o ambiente, antes que algum deles nos perceba.

Melissa aproveitou a vantagem da neve para rastejar pelo solo e, com o máximo de cautela, atravessaram o caminho até a clareira principal, coração do caern.

Uma vez em seu interior, o peso dos inúmeros glifos selados no chão dificulta seriamente seus movimentos, a pontos de nem deixá-los falar adequadamente. Caminharam até a cabana simples de taipa, no centro dos glifos, quando perceberam que a caixa começara a pulsar vagarosamente.

Abriram-na somente no interior da choupana, onde não encontraram mais que amuletos diversos e uma caldeira cheia de água, pois o seu compasso crescera. Espantaram-se ao encontrar o pedaço de um coração, ressecado e pulsante como um ser vivo.

Na mesma hora, foram surpreendidos por um enorme desafio: era um dos vários espíritos que rondavam o caern, em tamanho muito maior. A fadiga os privara de uma luta digna, e a criatura facilmente os afugentou com um sopro, tão violento quanto as vorazes tempestades de inverno…

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                                                                         ***

– Hey, Ronnie. – A voz pacífica de uma jovem desperta completamente Melissa e Serket, privando-lhes das lembranças dolorosas do combate. Os demais jovens na casa aparecem, seguindo um rapaz alto e forte.

– Por Luna, estão bem. – Suspirou aquele que, a julgar pela conduta, deveria ser o líder daquele grupo. – Apresento-me como Ronnie Chifre-do-Unicórnio, Filho da Lua Cheia e líder da Matilha dos Dentes Vingativos.

– Melissa, nobre representante dos Wendigo. – Respondeu a jovem, sem qualquer embaraço por estar nua.

– Serket. – Respondeu o lobo, desconfortável por aquela situação. – O que aconteceu conosco?

A aflição de Ronnie sumia aos poucos de sua expressão.

– Os encontramos à borda da cidade, sem saber o que aconteceu. Sequer sabíamos se sobreviveriam, já que pareciam estar em coma.

– Estávamos no covil dos Uktena… – Melissa interviu, à busca de respostas mais coerentes.

– Então, temos sobreviventes de lá. – Insistiu o Alfa da Matilha.

Algo que não foi bem compreendido por ambos. Ronnie prosseguiu.

– Noite passada, os Wnedigo marcharam para dizimar seus Irmãos Mais Velhos. Tentamos alcançar o Riacho para evitar o pior, mas parece que chegamos tarde demais…

– O quê quer dizer…? – Melissa estava impaciente, à beira de um frenesi.

– Não havia ninguém lá. – A jovem da Matilha prosseguiu, agora ao lado de seu líder. – Wendigo, Uktena… ninguém. Nem mesmo havia sinais de luta.

– E o coração? – Serket perguntou, ao se perceber sem ele.

Ninguém entendeu a pergunta, e os recém-chegados já estavam de pé para agir. Apenas Ronnie intercedeu.

– Iremos até o caern dos Wendigo, para saber o que realmente aconteceu.

Melissa tencionou acompanhá-los, até que o Peregrino disse qual seria o seu plano.

– Vou procurar por aquele coração.

Antes de sair, o Ahroun deu a dica para os companheiros:

Aconselho vocês a procurar o recluso Olhos-do-Grifo, o único Garra Vermelha da região. Sua percepção é apurada mesmo entre os Garou, e creio que ninguém conhece tanto as histórias daqui quanto ele…”

TO BE CONTINUED…

 

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7 Comentários leave one →
  1. 22/08/2012 01:49

    “Vestiu a pele de Lobo para, com seu olfato apurado, encontrar o responsável por tamanha maldade.”

    Muito bom Jairo.
    Vou acompanhar de perto a história de vocês!

  2. 22/08/2012 17:32

    Realmente muito boa.
    Vo acompanhar esse tb.

  3. Monseha permalink
    17/09/2012 12:08

    Muito bom… Deu saudades de Lobisomen.

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