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Campanha em Moria – Cena 10

13/08/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 9

Só por um momento eu gostaria de sentir novamente a brisa no meu rosto. 
Só por um momento eu gostaria de sentir mais uma vez meus cabelos esvoaçando enquanto corro entre as árvores.
Só por um momento eu gostaria de sentir de novo a água límpida e gelada envolvendo meu corpo no abraço do rio.
Só por um momento…

Lealdade. Era só isso que me importava agora.
Não me interessa se eu tiver que lutar contra mil orcs. Eu faria isso! Eu posso fazer isso… Eu farei isso!!!

Temos que destruir a Forja de Moria. E neste momento não me importa a história dela e o elo que há entre os anões e suas obras. A dor da perda é o eterno pesar dos eldar, e se nós sobrevivemos a perda das Silmarilli, de Nargothrond, Gondolin, Eregion e incontáveis outras jóias, os anões sobreviverão a perda da Forja.

E talvez então, através do ensinamento da dor, nossos povos se entendam novamente.

Toph, Tyr e Gramenos já estavam há um quarto de hora examinando a estrutura da obra-prima. Ela parece ser tão resistente quanto a própria Montanha, e eu duvido que possa ser destruída por meios normais. Mas ninguém me perguntou nada (como sempre), então continuarei na minha.

O que mais me incomodava naquela sala não era a temperatura alta, tampouco o fedor que impregnava minha narina. O que mais me incomodava eram as Sombras. Já as havíamos avistado antes, quando encontramos o Machado de Dúrin, mas estas tinham algo a mais. Toph disse para as ignorarmos, mas era difícil não notar a dança macabra que elas faziam ao nosso redor. Elas se agitavam cada vez mais na medida que a Forja era mexida, e quando Gramenos martelou uma parte da mesma eu juro que uma das Sombras parou de dançar e olhou pra mim.

Não que eu esteja com medo… mas é desconfortável, sabe?

Para me distrair comecei a reparar nos equipamentos quebrados que trouxemos. Nunca fui um especialista na arte da confecção de armas, mas parecia impossível que coisas tão toscas saíssem de uma forja como aquela. Talvez o ato de destruí-la não fosse tão hediondo quanto o que os orcs já faziam com ela ali embaixo. Aquele equipamento órquico era um insulto ao potencial da obra-prima.

Enfim Gramenos tinha um plano. Era um plano ruim e perigoso, mas era o que tínhamos. Para abalarmos a estrutura da Forja, precisávamos de algo que tivesse uma relação com a mesma ou com o que ela representava. Dentro da sala não havia nada que nos podesse ser últil, mas fora dela havia.

Um símbolo de criação, um objeto construído com a rocha da Montanha… A Lei do Artífice! Precisávamos do martelo de Lis.

Fui o primeiro a me candidatar a ser um daqueles que iriam recuperá-lo. Eu sabia que o capitão orc não o entregaria facilmente, e se houvesse alguma batalha, eu queria estar nela. E, bom… eu iria para longe das Sombras.

Enquanto nos dirigíamos ao capitão, o Imberbe declarou que seria eu a convencê-lo a entregar o martelo. Eu deveria evitar o conflito a todo custo, para que não chamássemos atenção dos orcs que pudessem passar por ali. A palavra “Aranha” me veio na mente instantaneamente, e eu percebi que seria um teste. O ex-batedor queria saber se eu era capaz de mais coisas além de atirar flechas.

Concordei com a cabeça e me aproximei do Capitão. Eu conseguiria o martelo!

(…)

No meio da batalha percebi que deveria ter pegado mais flechas. As minhas já estavam acabando, e tanto o Capitão quanto o meio-troll, meio-orc ainda estavam de pé. Eu o apelidei de “Batatinha” na minha cabeça, mas na realidade ele era bem assustador.

A situação piorou bastante quando minhas flechas acabaram e Náli começou a aparentar cansaço ao aparar tantos golpes do Capitão. Ellen não ajudava muito na batalha, e Gramenos não movia um músculo. A Aranha só observava.

De repente senti falta de Éowulf.

Quando o Batatinha veio correndo pra cima de mim achei que seria meu fim. Minha faca de caça era risível perto da lança dele, e pela velocidade com que vinha, eu não teria como fugir.

Então aqueles que estavam só assistindo nosso massacre resolveram participar. A Filha da floresta exclamou algumas palavras em quenya e de repente o Batatinha parou de correr, a um palmo diante de mim. Seus olhos se arregalaram, como se estivesse vendo o próprio Fëanor na frente dele. E eu fiz questão de confirmar seus medos. Escalei o brutamontes chutando-o, e recuperando uma flecha que pendia no seu corselete, usei-a para o golpe final – diretamente entre os olhos, onde o elmo não protegia.

Comecei a rir de felicidade, e virei para meus companheiros. Eu precisav… mas o que era aquilo?

Gramenos enfim sacara sua arma, e eu nunca havia visto nada igual. O anão usava duas correntes como se fossem cordas, e nas pontas das mesmas haviam lâminas que retalhavam o Capitão. A luta foi rápida, e no fim o Imberbe tinha sangue por toda sua armadura. Sangue orc.

O martelo era nosso!

As Sombras estavam incomodadas, e eu também. Éowulf martelava a Forja, e cada golpe ecoava como um trovão naquela câmara. E a cada trovão as Sombras fechavam mais o círculo, dançando cada vez mais freneticamente.

Tyr levantava o braço direito pra cima e pra baixo, pra circular o sangue. Ele não falava nada, mas todos sabíamos que o veneno deixara suas marcas.

Gramenos já sacara suas correntes, Ellen lançava encantamentos nas tochas da parede, e Loní e Nali afiavam suas armas.

Só Toph parecia calmo diante da situação. De alguma forma acho que ele se esforçava para passar tranquilidade para nós. Mas levando em consideração que ele não via o que víamos, a tarefa dele era mais fácil.

Então a primeira parte da Forja se soltou, e as Sombras finalmente pararam de dançar.

Com um grito agudo, as criaturas uniram-se em uma só massa escura, e finalmente se dividiram atacando cada um de nós.

Uma sombra pequena, não maior do que Tyr, correu na minha direção e eu já atirara. Duas flechas precisas, na região do queixo.

Menos uma… ei!!!!

As flechas atravessaram a cabeça, ou (elmo da criatura) como se não houvesse nada material ali. E realmente não havia.

Bom, pelo menos aquele machado de sombras não deveria me causar problemas…

Filho da p***!!!!

O sangue no meu braço esquerdo provava outra coisa. Aquele machado era bem real.

Dei uma acrobacia para cima de uma mesa e consegui um pouco de espaço. Olhei rapidamente ao meu redor e vi que meus amigos tinham o mesmo problema. Toph lutava com uma sombra gigante, e Tyr gritava de raiva ao golpear freneticamente o vazio.

“As Sombras estão ligadas à Forja, precisamos resistir e proteger Éowulf. Vamos cercá-lo!” – gritou Toph.

Mas quando fui pular para o lado de meus amigos, senti uma dor excruciante no meu tendão, lembrando-me que meu inimigo ainda estava perto. O machado penetrara fundo dessa vez, e meu sangue jorrava.

De repente me vi separado de meus companheiros, que aos poucos conseguiram se reunir ao redor do bárbaro. As Sombras estavam entre nós, e eu estava condenado.

A “minha” Sombra veio para cima de mim novamente, e eu só tive tempo de me jogar para trás. Bati na parede e por um momento minha visão ficou embaçada.

Ouvi um grito de uma Sombra, cortando o barulho das armas e do martelar constante e poderoso de Éowulf. O grito foi suficiente para paralisar por uns momentos as criaturas, e aproveitei minha chance para rolar para fora da sala. Eu não tinha mais como ajudar meus amigos.

Será que a Sombra me seguiria?

Sim, lá vinha ela, com o machado à frente. Ela caminhava devagar, segurando a arma com a mão esquerda, enquanto o braço direito levantava pra cima e pra baixo, num movimento… familiar.

Tyr??? Aquela era a sombra de Tyr?

Olhei para dentro da câmara e vi a forma de outras sombras. Um brutamontes e uma outra atarracada, que usava um bastão. E eu nem precisava enxergar as outras para adivinhar que haveria mais duas esguias e outras atarracadas. Aquelas eram as nossas sombras! Aquelas criaturas miseráveis nos imitavam!

E então elas teriam as nossas mesmas fraquezas. Juntei as forças que me restavam e atirei com meu arco novamente, mas desta vez não mirei na cabeça e nem no coração. Mas no braço, direito.

E dessa vez a flecha não atravessou, mas ficou ali, cravada.

A Sombra de Tyr emitiu um uivo, e parou sob o arco da entrada, me olhando. Eu não tinha mais forças para atacá-la novamente, então a única coisa que consegui fazer foi gritar:

– TOOOOPH, GRAMENOS, SÃO AS NOSSAS SOMBRAS! ESTAMOS LUTANDO CONTRA NOSSAS PRÓPRIAS SOMBRAS!!!

– ISSO EXPLICA MUITA C…

‘CLANK’

E mais um pedaço da Forja se quebrara, fazendo as Sombras uivarem novamente.

A Sombra de Tyr ficou parada me observando. Ela guardava a entrada da câmara, e nós dois sabíamos que ela não precisava fazer nada para me derrotar. Eu já estava caído, e logo mais sangue suficiente sairia do meu corpo pra eu desmaiar e enfim ir encontrar Mandos.

E era uma situação cruel esta, pois enquanto a Sombra me via morrer, eu assistia o círculo de proteção à Éowulf cair, pouco a pouco. Loni e Ellen já estavam de joelhos, e sangue escorria do braço direito de Tyr. Eu não conseguia ver os outros, mas imaginava que a situação não deveria ser muito diferente.

Eu ouvia o movimento da corrente de Gramenos, e ouvia a batida cada vez mais lenta da Lei do Artífice. Éowulf deveria estar ficando cansado, tanto quanto o resto.

E eu não podia ajudá-los. Eu que tantas vezes confiei nas minhas habilidades de batalha, falhei quando mais precisavam de mim.

“RESISTIREMOS! RESISTIREMOS PELA COLÔNIA, POR BALIN, E PRINCIPALMENTE POR AQUELE QUE ESTÁ AO NOSSO LADO! FORÇA ÉOWULF!!! VENCEREMOS AQUI, OU MORREREMOS COMO IRMÃOS!!”

Como irmãos.

Toph…

Lágrimas saíam de meus olhos sem que eu pudesse controlá-las, e de repente pareceu que todo o mundo ficou embaçado…

Lágrimas… será que Toph ainda conseguia chorar?

‘BRRRRRRRRRRRRRRUUUUUUUUUUUUUUUUUUMMMMMMMMMMMM’

Conseguimos! A Forja foi destruída!

Passos, eu ouvi passos correndo na nossa direção.
Mais orcs, com certeza.

Eu me sentia tão leve…

Se eu pulasse de uma árvore agora, tenho certeza que voaria sobre as copas, assim como os pintassilgos e rouxinóis…

Talvez eu mesmo me tornasse uma ave… um pássaro de folhas, um pássaro da floresta

E então eu finalmente me sentiria livre, sem deveres e sem medo. E finalmente poderia aproveitar a minha vida, sem preocupação. Nem que fosse…

… Só por um momento.

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 11

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8 Comentários leave one →
  1. 14/08/2012 10:04

    Nu que tenso…

  2. gerbur12 permalink
    23/08/2012 15:34

    Você ainda não viu nada. Aguarde as próximas cenas, ehehe.

    A seguinte, inclusive, está para sair já (Sem pressão, Chico, rs)!

  3. 23/08/2012 15:52

    Sem pressão, claro.
    haahahah

    Logo sairá!

  4. 24/08/2012 10:19

    Com muita pressão =D
    To zuando. ^^

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