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Campanha em Moria-Cena 9

29/07/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 8

O Machado de Dúrin estava no centro da Praça dos Heróis. Ao lado dele estava a coroa-elmo de Balin, feita aos moldes do Elmo de Dúrin. Entretanto, embora o elmo fosse apenas uma réplica, sua qualidade era inquestionável. Quanto ao machado, não se tratava de réplicas, era mesmo o machado utilizado pelo mais velho dos Sete Pais dos anões: Dúrin, o Imortal. Ali, no centro da praça ele emitia seu brilho azul em ondas ligeiras que dançavam no o teto da câmara, como reflexo da água.

Eu estava na praça para contemplar os pedacinhos do luar que entravam pelas antigas lanternas de Khazad-Dûm, a luz do luar entrava pelas lanternas na encosta da montanha e iluminavam toda a Praça dos Heróis. Era bom sentir um pouquinho do cheiro do luar novamente, já fazia mais de um mês que eu estava Debaixo da Montanha, longe da lua e das estrelas, longe das árvores de Lothlórien e da serenidade dos eldar e dos seres viventes da floresta.

Os anões vinham à praça para contemplar o machado e o elmo. Às vezes tocavam a ponta do pedestal em que estavam os dois artefatos e faziam alguma prece para logo em seguida voltar ao trabalho. Os naugrim, como meu povo os chama, são um tipo diferente. Eles não são naturais e modificam a natureza ao seu redor. Não se contentam com suas cavernas, eles a escavam, ampliam, mineram, constroem. Essa é a palavra: eles constroem! E ao construir, transformam a natureza a sua maneira, criando seus grandes salões subterrâneos. Admito porém, que apesar de todo o artifício que eles usam, suas construções são belas e magníficas de se contemplar. Fiquei surpresa com o trabalho deles na Colônia. Eles fundaram a Colônia há apenas 5 anos, mas eles trabalharam e construíram tanto que aos meus olhos tudo aquilo deveria ter levado 150 anos para ser construído. Eu estava errada a respeito da idade da Colônia, no que mais estaria?

_ O Machado e o Elmo são realmente uma beleza, não acha? – Disse um anão ao meu lado, despertando-me dos meus pensamentos.

_ Percebo que eles dão esperança ao seu povo. – Respondi.

– Vão mudar os destinos dessa guerra, você verá! – Ele estendeu a mão para um cumprimento – Bruenor, ao seu dispor. Sou um dos artífices que trabalhou no elmo.

_ Ellen de Caras Galadhon, a seu dispor. – Respondi – Sou uma das escolhidas para ir à Primeira Profundeza destruir a forja que arma o exército dos orcs. Belo trabalho.

_ Esta notícia é realmente triste. – Disse Bruenor depois de um tempo – Essa forja que hoje arma os orcs é a Grande Forja dos Anões, foi ela que pariu esse machado que todos vêm contemplar.

_ Sinto muito, Bruenor. Foi o seu rei, Balin, quem nos deu essa missão.

_ Lorde Balin – Bruenor corrigiu – Nós quisemos chamá-lo de rei, mas ele negou esse título. Disse que considera Dáin Pé-de-Ferro de Erebor como o seu rei e que deveríamos fazer o mesmo. Balin é “apenas” um Senhor. E imagino quanto ele sofreu ao tomar a decisão de destruir a Grande Forja. Tempos difíceis os nossos.

Não tive palavras para responder ao pesar de Bruenor e ele foi embora, tocou o pedestal do Machado e do Elmo e voltou para seu labor como os outros. Dias depois, Balin deixou a Colônia com sua comitiva, usando Elmo e Machado, e a praça ficou mais vazia e triste, como os corações dos anões.

Logo chegou o dia de nossa comitiva deixar a Colônia. Estávamos reunidos em frente o Portão principal da Colônia que dava para o Segundo Salão, esperávamos por dois anões atrasados: Tyr, de Erebor e Gramenos, o Ouro. O Imberbe chegou acompanhado por dois guardas reais, os irmãos gêmeos Loni e Nali, designados por ele mesmo para serem os seus guarda-costas na missão.

Nossa despedida não reuniu tantos anões quanto à despedida de Balin, mas dois deles vieram: Nordri, o Mithril e Bruenor, o Artífice.

Bruenor trouxe a antiga espada de Éowulf. Ele a havia reforjado e agora a arma tinha runas de proteção, como seu portador.  Os olhos do bárbaro se iluminaram. Pude sentir que ele ficou contente em trocar seu martelo de trabalhador por sua espada de guerreiro. Ele não nutria mais esperanças que ela lhe fosse devolvida pelas mesmas pessoas que a tomaram: os anões. E agora, ela era mais letal.

Nordri deu a Gramenos uma lanterna para iluminar “a mente e caminhos obscuros”.  A Toph, Nordri deu um tomo com um encantamento. Disse que era de suma importância de Toph estudasse, pois muito em breve chegaria o momento de usá-lo, mas não disse em voz alta qual era o encantamento. Falou também que as sombras que guardavam o Machado de Dúrin no cofre em que o encontramos eram seres muito antigos e também ilusionistas. Disse que deveríamos prestar muito atenção nelas para não sermos enganados. Então tanto o mestre druida, como o artífice naugrim nos deixaram.

Tyr chegou logo em seguida, uma procissão de anões veio com ele, enchendo-o de presentes e amuletos e cartas, atrasando-o, dificultando sua movimentação. Esses anões tinham esperança que Tyr não fosse à Primeira Profundeza, mas a Erebor e lhe encheram de presentes e palavras para seus parentes na Montanha Solitária. Assim nossa comitiva estava completa e deixamos o grande útero que era a Colônia, mas não sem antes mais um atrito entre o Imberbe e Toph:

– Muito bem, Bronze. Conseguiu o que queria. Eu poderia ficar na Colônia e preparar nossas defesas para o inevitável, mas partirei com vocês para dentro da Eterna Noite de Moria. Enquanto isso, a defesa da Colônia ficará nas mãos do velho e cansado Mithril, e do esquentado e pouco racional Wiglaf. Espero  que esteja contente.

_ Então a defesa da Colônia estará em boas mãos. – Toph respondeu colocando uma mão no ombro de Gramenos. – Quantos as suas mãos… bem, elas deverão ajudar a realizar o plano que tua mente ajudou a forjar.

_ Tudo bem, mestre Bronze. Eu irei com vocês nessa demanda. Mas torçam, para que eu seja leal à Balin e à Colônia. Porque se eu for o traidor que todos pintam, eu os conduzirei para uma armadilha. Para um lugar escuro e sem defesas, onde os orcs e coisas piores patrulham, e todos serão capturados, torturados e depois que suas lealdades forem colocadas à prova, vocês serão mortos. Reze ao Pai para que eu não seja um traidor, mestre Toph. – Dito isso, os Portões se abriram e nós partimos para a Noite Eterna de Moria.

Quando chegamos ao local onde derrotamos uma tropa orc antes de chegarmos à Colônia, procuramos um pouco e encontramos o carregamento orc que a carta que eu lera mencionara. Era um baú de ferro muito grande e comprido, um trabalho bem feito inclusive, mesmo em se tratando de um trabalho orc. No entanto, nem todos os orcs da sala estavam mortos. Uma nova tropa estava ali, pronta para transportar o baú.

Quando o primeiro orc se deu conta de nossa comitiva, havia uma flecha no olho dele. Butuitê era rápido como um relâmpago que cortava ao meio a longa noite! Uma segunda flecha ele disparou com seu arco e um segundo orc foi ao chão agonizando. Toph também correu girando seu cajado e derrubou muitos orcs com golpes rápidos e precisos. Tyr correu para os cantos escuros do salão e matou os inimigos escondidos à espreita.  Nossa comitiva foi tão rápida e eficaz que praticamente não deu chance para um contra-ataque orc. Entretanto, um deles fugiu.

Éowulf alertou que um segundo ataque viria. Então nos preparamos. Tyr ficou escondido nas sombras para um ataque furtivo. Butuitê ficou a distância com seu arco e flecha prontos. Toph e Éowulf ficaram atrás do baú de ferro do carregamento para virá-lo em cima dos inimigos que estavam chegando. Eu fiquei longe, junto com Gramenos, Loni e Nali. Entoei uma canção de poder aprendida em Lórien com a Senhora Galadriel em pessoa, para invocar a majestade da escuridão da Floresta contra o terror da escuridão da Montanha. Deu certo.

Os orcs diminuíram seu passo e chegaram ao salão amedontrados. Assim que o capitão orc entrou no recinto uma flecha de Butuitê atravessou sua garganta e calou o inimigo. Seus soldados, assustados, correram para se proteger atrás do baú. Assim que a primeira linha de soldados se abaixou ali, Éowulf e Toph empurraram o pesado baú sobre os inimigos e pelo menos três orcs foram esmagados. Outro tentou fugir pela lateral escura do salão, presa fácil para o guerreiro Tyr. A escaramuça acabou rápido e nossa comitiva teve apenas ferimentos leves. O carregamento dos orcs era nosso.

Após uma breve busca pelos cadáveres de nossos inimigos, Butuitê encontrou a chave do carregamento, se tratava de armaduras: quebradas, rachadas e trincadas, mas ainda assim armaduras. Os orcs iriam levá-las a seus ferreiros na Primeira Profundeza para que elas fossem consertadas. Nós discutimos e decidimos que essa seria nossa passagem até a Grande Forja: nós seríamos os orcs que entregariam o carregamento. Vestimos-nos com suas armaduras e seu único emblema: a Vara Azul. Isso era raro, geralmente os orcs se dividiam em diversas tribos cada uma com seu próprio símbolo. Mas ali, Debaixo da Montanha, cada orc que abatíamos levava sempre em seus peitos e capacetes, a Vara Azul. Aparentemente eles estavam unidos sob uma única bandeira e isso não era nada bom.

Devidamente caracterizados como orcs, fizemos nosso caminho para o obscuro interior de Moria. Na frente do carregamento ia Gramenos e Éowulf, como os capitães orcs de nosso pequeno destacamento. Os demais iam puxando e empurrando o carregamento. Eu ia dentro do baú, lendo as mentes dos orcs que encontrávamos e decifrando suas palavras odiosas ditas na Língua Negra. A Senhora de Caras Galadhon me ensinou a traçar as palavras, mesmo através do pensamento. Dessa forma, eu escutava e entendia os orcs da Vara Azul, e através de Gramenos e Éowulf, eu respondia a eles em sua própria língua. Nossa comitiva era estranha, mesmo assim, graças ao conhecimento da Floresta, ninguém suspeitou de nós.

Nós tínhamos mais uma peculiaridade em relação às outras tropas orcs: enquanto todas elas marchavam para o Sétimo Pavimento, nós marchávamos para o Primeiro. Seria estranho se não estivéssemos levando o carregamento das armaduras, então, poucas vezes fomos questionados. Assim, pavimento por pavimento fomos descendo para o interior de Moria, até chegarmos ao Primeiro Pavimento e a Cidade Orc. A cidade estava vazia, o que facilitou nossa entrada e descida para um dos lugares mais obscuros da Terra-Média: A Primeira Profundeza de Moria, lar de criaturas mais antigas e malignas que orcs, e da Grande Forja.

Logo na entrada, um capitão orc e um enorme sentinela guardavam a passagem para a Forja dos Anões. Senti um calafrio percorrer o corpo de todos os meus companheiros, mas não me deixei intimidar e comecei a traçar as palavras. Aquele era o capitão orc que havia escrito a carta que os anões interceptaram e Balin me pediu para ler no meu primeiro dia na Colônia. Ele estava esperando o carregamento e rosnando que estávamos atrasados para a guerra. Até aí, tudo bem, mas algo estava muito errado, meus companheiros estavam mudos e gelados, frios como só a falta de esperança pode ser. Então fechei meus olhos e vi através dos deles: o capitão orc portava em suas mãos hediondas um certo martelo de batalha que todos conhecíamos: A Lei do Artífice. O martelo de nossa amiga desaparecida, Lis.

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 10

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8 Comentários leave one →
  1. gerbur12 permalink
    29/07/2012 00:11

    Olá amigos!

    Desculpe pela demora por publicar mais um capítulo da nossa aventura em Moria. Espero que o relato tenha ficado bacana e compense a demora.

    Agora, senhores, estamos chegando perto do final da crônica. Este alias, é o começo do fim.

    Já começo a sentir saudades.

    Abraço a todos e bom divertimento!

  2. 29/07/2012 02:46

    Fazia um tempo que eu não sentia a alegria de chegar aqui e ver um post da nossa campanha me aguardando.

    Belo trabalho Mestre anão!

  3. 30/07/2012 10:17

    Muito bom.
    A ideia de relembrar um personagem do inicio da campanha foi bem legal.
    A forma como foi narrada ficou foda.

    Uma pena estar chegando ao fim.

    Como dizem, tudo que é bom dura pouco

  4. gerbur12 permalink
    05/08/2012 17:18

    Valeu André e Chico!

    Então, não é legal deixar pontas soltas e o primeiro relato que escrevi aqui no Aveturando-se foi o da Lis. Foi muito elogiado, tanto aqui no blog, como no fórum Valinor e no nosso e-mail de grupo. Todos perguntaram o que aconteceria com a Lis, se ela apareceria novamente.

    Achei que seria importante não esquecê-la primeiro pela personagem e segundo para mostrr o que acontece com pessoas sozinhas em Moria, hehe. Mas pode ser que sua lembrança ainda não tenha chegado ao final de sua importância, como veremos a seguir.

    Aguardem e confiem!

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