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Caravana do Mago Manco no World RPG Fest 2012 – Muitos Encontros

26/07/2012

Este post é a sequência da Caravana do Mago Manco no World RPG Fest 2012 – Uma festa muito esperada

Acordamos às 9:00 a.m. no sábado, e após um café-da-manhã caprichado, fomos para o event… opa, peraí, e os alimentos não perecíveis?

O Jairo nos lembrou desse detalhe, então parte da caravana foi até um supermercado próximo buscar as provisões. Sob o sol da manhã tivemos a oportunidade de observar o porque da cidade de Curitiba ser considerada uma das mais bonitas do Brasil. Com calçadas largas, árvores e jardins bem cuidados, fica fácil se encantar com a paisagem (“13 horas Gonçalo, 13 horas!”).

Com 14 kilos de alimentos comprados, incluindo o feijão mais caro do Brasil, voltamos ao hostel e pegamos um táxi com a Caravana completa para a FIEP, local do evento. Até hoje, o melhor lugar em que tinha ido num encontro de RPG era o Colégio Marista Arquidiocesano em SP, antigo local do EIRPG. Mas para mim, depois dessa edição da World RPG Fest, a FIEP, assim como sua cidade,  ganharam o título de melhor local nerd.

Situada no topo de uma colina, a construção envidraçada reluzia para todos nós, como se representasse uma gema luminosa no alto de uma pilha de tesouro. Paramos para sentir um vento refrescante no rosto, e desfrutar da vista privilegiada. A paisagem à nossa volta tinha uma magia cuja descrição em palavras é difícil… talvez a imagem ao lado ajude a me fazer entender!

Muitos encontros

Entramos no local e a primeira coisa que me chamou atenção era a presença de apenas um ambiente. Diferententemente dos outros eventos que compareci – EIRPG e RPGCON, onde havia uma separação clara de espaço para RPG, espaço de jogos de tabuleiro, espaço de card games, espaço de stands, espaço de associações e outros, na WRF tudo estava junto e misturado.

Esse ambiente único se revelou interessante porque facilitou o contato entre as pessoas com interesses (a princípio) divergentes. Eu mesmo nunca tinha jogado card game ou boardgame em eventos de RPG, e na WRF foi bem diferente… Bom, vocês verão como.

A primeira coisa que fiz foi correr atrás do Caco, que havia prometido deixar comigo o material da aventura de “O Um Anel” que eu narraria à tarde. Com a aventura e as fichas em mãos inscrevi minha mesa no evento, e fui encontrar o resto da Caravana no stand da Retropunk.

Ficamos um tempo conversando com o Guilherme, Fabiano e demais membros ilustres daquele lugar que na realidade abrigava também o pessoal da Redbox e agora, com a chegada do renomado Eduardo Caetano, abrigaria a Secular. O Du fez o favor de descarregar sua bagagem (pesada) de Violentinas e demais títulos da editora no stand, enquanto nós víamos diversos livros interessantes à venda. O “Abismo Infinito” e “Este Corpo Mortal” me chamaram muito a atenção, e o discurso do Guilherme sobre os mesmos não facilitava meu esforço heróico para resistir a tentação de gastar meus parcos recursos.

Mas logo a tentação acabou, pois fui arrastado para um card game na mesa ao lado pelos meus companheiros de Caravana, e por mais que eu nunca havia ouvido falar sobre “Terra Devastada”, fui conhecer o jogo de cartas desse RPG do mesmo autor do Abismo Infinito – John Bogéa. E que sorte que tive!

Apesar do jogo ainda estar em fase de playtest, o mesmo foi muito bem elaborado tanto na parte de ambientação quanto na parte mecânica. Sofri pra tentar superar os dramas da minha personagem (maníaca depressiva, cardíaca, filho morto-vivo), e toda a mesa xingou pra valer o Mozart Freakzoid quando ele tirou uma carta de um super zumbi que forçava todo mundo a ter seus dramas ativados. CACETE FREAKZOID!!!!

Enfim, minha personagem morreu logo que a saída da cidade foi encontrada, mas mesmo assim eu curti MUITO o jogo. Nas palavras do Jão, nosso mago manco: “Esse card game é o melhor RPG de zumbi que já joguei”. Com certeza comprarei o mesmo quando ele sair em crowdfunding!

Os botões pretos representam os zumbis, e os pinos os personagens. Eu joguei com o pino azul, que no momento da foto estava se arrastando na neblina para chegar na igreja e recuperar alguns pontos de convicção.

Depois que terminamos o Terra Devastada, montei uma mesa para o “O Um Anel”. Confesso que estava um pouco nervoso, pois embora eu houvesse testado o sistema com o Gonçalo na quinta de madrugada, eu havia lido rapidamente a aventura, e não a tinha totalmente na minha cabeça.

Mas seguindo o que meu sensei sempre diz – “Precisamos sair da nossa zona de conforto e encarar os desafios”, paguei pra ver e fomos jogar!
Três membros da Caravana sentaram na mesa para testar o novo sistema, e antes que eu pudesse ficar preocupado com o número reduzido de  jogadores, dois caminhantes apareceram das sombras e se juntaram à nós. O grupo dos 5 estava formado!

A aventura começou pouco depois das 15h da tarde, e após uma breve explicação do sistema – que é elegantemente simples, saímos de Curitiba e fomos à Esgaroth. A Cidade do Lago estava recém reformada logo após a morte do Dragão Smaug, e era ali que os aventureiros iniciariam a história. O estranho grupo de amigos (um barding, um beorning, um elfo cinzento, um anão e um hobbit) chegava na cidade logo após passar alguns mals bocados na Floresta das Trevas, e ansiavam por umas canecas de cerveja e uma comida quente (sem falar num banho).

Tive a idéia de aproveitar a presença de um barding no grupo, e fiz que todos os guardas da cidade conhecessem o personagem do Gonçalo, o Lifstan. Para minha surpresa, o aventureiro se revelou um baita dum bufão, e não foram poucas as bravatas ditas pelo caçador de recompensas. Logo grande parte dos habitantes de Esgaroth se reuniram na Taverna da Pedra Torta para encontrar um grupo tão distinto e ouvir as histórias de viagem de Lifstan. Logo a atenção dos curiosos fora voltada para Trotão, o Hobbit (Mozart) e Beran, o beorning (Jairo), pois eles eram parentes de dois heróis – Bilbo Bolseiro e Beorn.

Em ordem horária: Beli, Beran, Caranthir, Trotão e Lifstan

Bom, nem preciso dizer que nessa altura do campeonato a taverna virou uma festa, e mesmo com o aparecimento de Frám, um anão de Erebor que tinha notícias preocupantes de dois mensageiros da Dáin que sumiram, nada parecia estragar a noite dos personagens. Beli (Alex) e Beran se comprometeram a descobrir mais sobre o sumiço dos mensageiros e disseram que iriam encontrar Frám na Casa da Montanha no dia seguinte. Hoje a noite era de festa!

Depois do beorning e do hobbit desmaiarem de coma alcóolico, e do Alex ter gasto um ponto de esperança para que seu anão não desmaiasse na frente do elfo (d+!!!!), os personagens foram dormir e a festa acabou. Na manhã seguinte eles se encontraram com Frám e Glóin, e ouviram do desaparecimento de dois anões, que se dirigiam às Montanhas Nebulosas para entregar uma mensagem ao Senhor das Águias. Um dos desaparecidos era irmão do próprio Glóin, e este estava quase arrancando suas barbas grisalhas de preocupação!

Mas quem poderia se preocupar quando Lifstan, o caçador de tesouros e um dos maiores heróis da atualidade, oferecia ajuda? Dizia-se que a habilidade do barding só era comparável à generosidade dos anões! hahaha

O grupo então partiu de barco seguindo um mapa com a trilha dos mensageiros. E após alguns dias monótonos de viagem, entraram nos terríveis Pântanos Compridos. Chafurdando-se na lama e fazendo de tudo para encontrar os poucos rastros disponíveis, os personagens se viram no final do dia com um dilema: seguir à noite e enfrentar a escuridão em troca da rapidez ou montarem acampamento e arriscar chegar tarde demais nos mensageiros.

A opção 1 foi a escolhida, e pra recompensar a perseverança e o heroísmo dos personagens, fiz eles encontrarem!

Um troll.

Caranthir (Gillian) se afastou do grupo para explorar a frente como batedor, mas sua furtividade não foi suficiente para evitar a voracidade do monstro, e ele foi recepcionado com uma bordoada na cabeça. Logo todo o grupo correu para ajudar o elfo, e uma batalha feroz foi travada nos pântanos. Mas, graças ao machado afiado de Beran, bem como a picareta mortal de Beli, os personagens conseguiram derrotar a criatura das sombras, e puderam descansar sobre um platô de pedras que se mantinha acima das fétidas águas do pântano: o próprio corpo do troll.

Cansados da batalha e agora conscientes do que poderiam encontrar nos pântanos, os personagens descansaram e acordaram na próxima manhã com a chegada de uma patrulha élfica. A presença de Caranthir serviu para garantir a paz entre cada lado, e logo eles descobriram que o líder da patrulha – Galion (o mordomo que bebeu vinho demais e deixou Bilbo roubar suas chaves enquanto dormia) sabia onde os anões acamparam pela última vez. Seguindo para lá, os heróis encontraram uma trilha que levava a um lago estranho, com ruínas de construções antigas. Investigando o local eles subitamente ouvem uma campainha e… peraí, o que Lifstan está fazendo?

Caramba, Lifstan mergulhou no lago (este era o 6º teste de dados que o Gonçalo tirava um olho de Sauron – erro crítico)!

Os personagens seguiram seu companheiro enfeitiçado e encontraram uma passagem para uma câmara dentro de uma das ruínas. Vários caminhos partiam dessa câmara principal, que só tinha uma chaminé como atração no aposento. Ao explorar estes caminhos os personagens encontraram alguns monstros pantaneiros e, para a alegria geral da nação, uma grande quantidade de tesouro dentro de uma porta de adega.

Mas, antes que pudessem enxer os bolsos de ouro e jóias, uma horda de pantaneiros surgiu e começou a correr em direção ao grupo. Foi aí então que Caranthir revelou sua presença de espírito e bolou um plano que garantiria que seu nome seria lembrado nas canções. Chamando atenção dos pantaneiros, o elfo conseguiu correr em círculos enquanto seus companheiros saíam da adega, e usando a parede como impulso, Caranthir pulou fora bem a tempo de Beran e Beli fecharem a porta com os pantaneiros dentro. O tesouro estava longe, mas os inimigos também!

Continuando a exploração do ambiente, os personagens finalmente encontram Óin e Balin (!!!) trancados numa câmara, famintos e doentes por passarem dias trancafiados a espera de um resgate. Com a missão cumprida, os personagens correram para voltar pelo mesmo caminho que usaram pra entrar mas se depararam com outros pantaneiros barrando a passagem. Trotão então usou sua esperteza de hobbit e gritou para os companheiros usarem outro meio de saída – a chaminé!

Meio desajeitados, meio desesperados, fazendo num sei o que, num sei quê, num sei que lá, o grupo consegiu fugir com os anões! Mas, ao contrário do que os personagens esperavam, Balin e Óin queriam terminar sua missão, e pediram para os personagens avisarem Glóin que estes estavam bem agora e que entregariam a mensagem apesar de tudo. O grupo então se dividiu, pois Beran fazia questão de acompanhar os anões que passariam pelas suas terras, assim como Beli, que não deixaria os anões ainda enfraquecidos por nada no mundo. A outra metade iria para Esgaroth, avisar o companheiro de Thorin que seu irmão estava bem, levando um anel do mesmo como prova da história.

Depois de muita adrenalina e muitos olhos de Sauron tirados pelo Gonçalo, a aventura terminou com Beli e Beran recebendo um presente do Senhor das Águias, representando a amizade entre os povos, e com Lifstan, o herói, e seus dois ajudantes – Caranthir e Trotão, entregando o anel de Óin à Glóin, e recebendo uma quantidade de ouro digna de um príncipe!

Alex/Beli, Gillian (não tenho certeza se esse era realmente o nome dele)/Caranthir, Gonçalo/Lifstan, Jairo/Beran e Mozart/Trotão

Bom, já deveria estar na hora do live action de Vampiro – que começaria às 18h e… COMO ASSIM SÃO 8 E MEIA?!?!?!

É meus amigos, é incrível como o RPG e a arte em geral consegue nos transportar de um mundo para o outro. Eu realmente acredito que o tecido espaço-temporal não é tão rígido assim, pois apesar de jogarmos por 5 horas, eu apostaria metade do tesouro de Glóin que não se passaram mais de 3.

O evento já estava no fim, e após reunirmos todos os membros da Caravana, pegamos táxis para ir à uma próxima aventura, longe da Terra Média: The Peppers, uma balada. Sim meus amigos,  nerds numa balada!!! Eu não disse que havia uma distorção no tecido da realidade?

Passamos a madrugada lá, e ainda encontramos alguns RPGzistas – Monte Cook, Claudio Pozas, Guilherme da Retropunk, Caco, entre outros, que contribuíram para deixar aquela a balada mais nerd de Curitiba! Depois de pouca bebida para alguns (eu) e muita bebida para outros (Gonçalo – “Week human” e Freakzoid – “Eu to bemmzzzzzzz”), voltamos às 5h30 para o hostel, caminhando e discutindo sobre as mulheres e outras criaturas más do mundo.

Domingo prometia!

Continuação: Caravana do Mago Manco no World RPG Fest 2012 – O Último Debate

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7 Comentários leave one →
  1. 26/07/2012 12:10

    Putz, essa aventura do Um Anel foi gigante! Até que aconteceu bastante coisa para cinco horas de jogo, o sistema deve ser bom!

  2. 26/07/2012 12:40

    Pois é Jão, assim como o playtest do Quintessência no domingo e todos os nossos planos para a viagem como um todo, saiu totalmente diferente do que eu esperava! hahaha

    O sistema é bom sim, mas pra ser sincero eu esperava um pouco mais dele.
    Vou procurar mais uma experiência com ele pra embasar melhor minha opinião!

  3. m4lk1e permalink
    26/07/2012 12:53

    Se comparado aos demais, este foi o que mais encarnou o espírito da Terra-Média. E concordo com a passagem distorcida do tempo – o jogo fluiu tão bem, que parecia ter durado apenas duas horas!
    Agora, o grupo em si roubou a cena – com interpretações tocantes e sucessos convenientes (exceto pela parte do Gonçalo, mas isso só tornou a personagem dele mais interessante).

    Enfim, Jão, foi foda!

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