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Campanha em Moria – Cena 7

06/06/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 6

“Curioso como você já falou muito mesmo sem ter sido chamado a faze-lo Mestre Toph. Porém, agora eu o chamo, e espero que sua língua seja tão afiada quanto nas outras ocasiões”.

Era agora. Eu senti meu coração acelerar e me concentrei pra não parecer nervoso. Eu precisava ter total controle de meu corpo e minha fala. A tarefa era difícil mas, subitamente, senti uma sensação reconfortante: um farfalhar cadenciado de asas veio em minha direção, e  as garras de Korf, meu amigo e guia fecharem sobre meus ombros. Eu não estava mais sozinho, e qualquer nervosismo que tive se esvaiu tão rápido quanto o batido de asas de meu leal companheiro.

Então iniciei meu relato. Não poupei nenhum detalhe, e contei com precisão a minha viagem até o portão leste de Khazad-dûm. Relatei minhas conversas com Ori, e fiz questão de ressaltar a desconfiança deste com Gramenos. Contei sobre nossa chegada ao Primeiro Pavimento, e o momento em que eu descubrira a armadilha dos orcs. Balin soltou uma maldição nesta parte da história, e enquanto eu narrava a batalha e fuga desesperada, percebi que meu senhor estava tenso.

Quando repeti as últimas palavras de Ori, e narrei sua queda no abismo sem fim, Balin urrou. Fiz uma pausa respeitosa e então aguardei.

“É o 2º amigo que perco em menos de uma semana. Quando vi você regressar sem a companhia dele, torci para que o mesmo estivesse à caminho de Dáin enquanto você voltava com ajuda. Mas quando o elfo me contou sobre o exército indo à Erebor, eu soube no meu íntimo o que aconteceu. A Colônia perdeu seus generais, mas eu perdi meus dois conselheiros e melhores amigos: Óin fora morto por um monstro chamado “O Vigia” no portão Oeste.”

A tristeza nas palhavras de Balin era tanta que o pesar voltou ao meu coração. Ori se sacrificara por mim, um velho cego que abandonara o machado para se apoiar num bastão. A troca não era justa.

Com pesar prossegui o relato, do ponto onde encontrei os forasteiros e fiquei em dúvida de continuar minha missão ou ajudá-los. Quando me decidi e narrei o caminho de volta à Khazad-dûm, fui breve pois boa parte do relato o próprio Wiglaf já contara.

Citei o sumiço de Lis, a perda dos postos avançados, as sombras na sala do Machado, e as informações obtidas com o orc capturado. A menção de um mago auxiliando os orcs foi uma surpresa pra Balin, mas aparentemente os monstros que acompanhavam os orcs nas profundezas não o incomodaram tanto. Finalizei o relato com a corrida até a Colônia, lutando contra o tempo para trazer Tyr em vida.

“Este meu senhor, é o elmo de Orik, o guarda. Ele morreu cumprindo seu dever, e eu trouxe seu equipamento para que sua família o exiba com orgulho”.

Balin assentiu e eu concluí:

“Espero que minhas escolhas e ações não o tenham desagrado meu senhor. Não deixei nenhum detalhe de fora na história, seja ele bom ou ruim.

“De fato Toph. Nunca duvidei de você, embora nem sempre concorde com suas opiniões. Você agiu da melhor maneira que pode, e isso é o suficiente”.

Gramenos então, quieto até o instante, começou a tecer suas teias:

“Uma história triste Bronze, mas com algumas informações úteis. O carregamento citada na carta e a sua menção às sombras merece uma investigação. Se Lorde Balin concordar, creio que já temos uma nova missão para os forasteiros e seu amigo”.

Traduzindo: A morte certa para um punhado de aventureiros entre milhares de orcs. Mas não iríamos nessa enrascada sozinhos. Uma idéia me veio à mente:

“Concordo contigo Imberbe, e ainda acrescento: quem melhor para nos guiar nas profundezas – lugar que nunca estive, do que um ex-batedor? Se Balin concordar, creio que você mesmo possa nos acompanhar em tão importante missão”.

Coloquei a aranha na parede, e não iria soltá-la tão fácil!

“Eu Toph? Minha função é aconselhar Balin. Além do mais, meu corpo debilitado seria de pouca ajuda na missão…”

A Aranha interrompeu a resposta pronta. Usando rapidamente o texto decorado, o Imberbe não teve tempo de refletir e observar com quem estava falando. A desculpa para salvar sua pele serviria com qualquer outro, mas não comigo.

“Lamento muito os ferimentos que sofreu Gramenos. Tenho certeza que a corrente de ar no seu queixo desprotegido deve lhe trazer muito incômodo. Mas não se preocupe, eu vigiarei suas costas”.

Lorde Balin subitamente nos interrompeu:

“Basta vocês dois. Toph, perdi dois conselheiros recentemente, Gramenos fará falta se partir”.

“Mas o mesmo tem uma dívida para comigo meu senhor. Afinal, fui eu que insisti que o batedor capturado pelo inimigo continuasse vivo”.

“Você acredita que lhe devo algo Bronze?” – resmungou a Aranha

“Acredito. Sou um mestre das tradições, e tenho bem nítido em minha cabeçaos ensinamentos do meu povo”.

“Dessa forma então, se nosso senhor permitir, eu irei com vocês na missão e pagarei essa dívida. Mas, se eu for, serei o líder da equipe. Pois sou Gramenos, o Ouro”.

Balin suspirou. “Que assim seja. Vão e voltem, pois não posso me dar o luxo de perder mais anões”.

Fiz uma reverência e saí da Ágora.

Enquanto me dirigia ao salão de festas não consegui deixar de remoer o fato da Aranha ainda ter conseguido ser o líder da comitiva. Inacreditável! Seria difícil obedecer ordens de uma pessoa com caráter tão duvidoso, beirando o traiçoeiro. Mas paciência! “Khan-thûl  âin zwât!”*

No salão de festas encontrei meus amigos e sentei para comer algo. Ao contrário da minha cabeça, minha barriga estava vazia.

Pelo tom de voz dos presentes, eles já estavam de barriga cheia. A elfa já não tremia, e sua voz voltara a carregar o orgulho e arrogância de sempre. Butuitë conversava alto com Éowulf,  que pelos sons estava devorando um cabrito montanhês inteiro.

“Venha Toph, sente ao meu lado e saboreie essa carne. Não sei o que é, mas é muito bom”.

“É carne orc Éowulf. Ou acha que temos gado e ovelhas sob a Montanha?”

“Se eu soubesse que tinha esse gosto, não teria passado fome em muitas ocasiões passadas. Como foi sua conversa com Balin mestre cômico?”

“Tão agradável quanto a sua”.

“Então deve ter sido ótima!”.

“E eu me pergunto quem é o cômico agora? De qualquer forma Éowulf, tenho uma novidade. Nós iremos até a forja à procura de um carregamento de provisões dos orcs. Temo que nossa estadia na Colônia não seja longa”.

Éowulf e os elfos fizeram algumas perguntas, e respondi o pouco que sabia. Eu supunha que teríamos tempo de esperar Tyr se recuperar, mas eu precisava ainda falar com Nordri, o Mithril sobre isso e outros assuntos.

Mas o mundo podia esperar. Todos nós precisávamos descansar por hoje. Por isso, fomos até minha casa e após eu ter improvisado camas para todos, dormimos ao modo anão: como uma pedra.

No próximo dia expliquei a localização dos principais lugares da Colônia para os forasteiros e pedi para Korf acompanhá-los. Além de guia, meu amigo serviria como mensageiro no caso de qualquer problema.

Então fui ter com Nordri. Encontrei-o na enfermaria cuidando de Tyr. Este último tinha a respiração mais leve, mas pelo que o Mithril me dissera, ainda precisava de alguns dias pra se recompor totalmente. A resistência anã é realmente digna de canções, pois se um humano ou elfo tivesse o veneno em seu corpo por tanto tempo, estaria deitado numa lápide, e não numa cama.

Contei à meu professor sobre as sombras e os feitiços da sala do Machado, e por um tempo me senti jovem novamente, ouvindo meu mestre ensinar seu inculto aluno. Ouvi histórias lembradas por poucos, e comecei a aprender um contra-feitiço poderoso. Durante três dias ouvi e aprendi ao lado de Nordri, e neste tempo tive pouco contato com meus amigos. Depois soube que eles treinaram , aprenderam e ajudaram os anões nos preparativos da batalha iminente entre a Colônia e a hoste negra de Moria. Balin dera ordens à todos os colonos para que os tratassem com respeito, e  autoridade de nosso senhor era indiscutível.

No quarto dia após nossa chegada, tive a alegria de ter a companhia de Tyr ao meu lado novamente. Andamos por toda a Colônia e tivemos uma conversa tão longa quanto agradável. Os elfos e o humano eram boas companhias a seu modo, mas não há nada que substituia uma boa conversa em khuzdûl com um companheiro anão. Por mais que a iminência da batalha impedia uma confraternização digna – compartilhando um barril de cerveja enquanto entoamos as antigas canções de nosso povo, tivemos um ótimo dia na companhia um do outro.

Finalmente então, após uma breve permanência na Colônia, reunimo-nos novamente no portão. Butuitë tinha novas flechas com pontas de ferro, Ellen conseguira papel não sei onde eTyr já segurava impaciente seu machado recém- afiado. Éowulf no entanto não era visto há algum tempo por nenhum de nós. Balin o chamara logo depois que eu saíra para minhas aulas, e nenhum dos elfos o vira novamente neste meio tempo em que eles ajudavam nos preparativos. No entanto, havíamos estabelecido essa data para nos encontrar, e eu confiava na palavra do rohirrim.

“Ferthu hal Tyr! Fico muito contente em vê-lo de pé novamente.”

Aqueles que enxergavam soltaram uma exclamação de espanto e eu aguardei pacientemente pelas novas. Éowulf nos contou que havia sido promovido à guarda real a pedido do próprio Balin, e agora, assim como Wiglaf, ele também exibia tatuagens contando sua história por todo o corpo.

“Nordri, o Mithril as tatuou em mim, enquanto enxergava muitas coisas na fumaça de uma fogueira. Acho que nem você Toph sabe fazer uma magia tão poderosa quanto essa! Nunca vi nada parecido, me senti… como posso dizer? Acho que “lido” seria a palavra. Nunca fui bom com elas de qualquer forma.

O tom de voz do bárbaro sugeria que ele não havia gostado muito desse processo de leitura.

“Mestre anão, faça um favor pra mim: coloque a mão na minha testa e leia pra mim o que significam essas runas. Foram as que seu professor levou mais tempo para tatuar, imagino que tenham algum significado importante”.

Toquei o guerreiro e suspirei. Havia ali uma mensagem bem clara à todos os anões.

“Serei um filho da Montanha quando matar o mago”. É isto que está escrito Éowulf. Parabéns por seu novo posto!

Os elfos e o humano festejaram, mas Tyr ficou quieto. Ele sabia ler tão bem quanto eu.

*|Um pé-de-pedra não se verga!|

Próxima cena: Campanha em Moria – Cena 8

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6 Comentários leave one →
  1. 06/06/2012 09:56

    Haaaaaaa não acredito que ficou no suspense????
    Fiquei curioso para saber o que ta na testa do cara.
    Isso ta perecendo o fim dos episódios de game of thrones

  2. 06/06/2012 11:27

    Isso que é elogio hein André? hehehe

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