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Campanha em Moria – Cena 6

17/05/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 5

A Colônia de Khazad-dûm. Eu voltara a ela antes do previsto, e numa situação muito diferente do que imaginara. Estava aliviado por ter chego antes que o veneno consumisse Tyr por inteiro, e ainda mais contente por ter trazido o Machado de Dúrin de volto ao seu povo. Mas não conseguia evitar o frio na barriga ao pensar no próximo encontro com Balin.

Relatar a morte de seu antigo companheiro Ori, bem como a dos nossos batedores dos diversos postos avançados nos outros pavimentos não seria fácil. A presença de um grupo de forasteiros como companhia, e a notícia da marcha de um exército na direção de Erebor também não melhorava a situação. Meu panorama era mais negro que uma noite sem estrelas.  Se Óin não tivesse tido mais sorte no Oeste, estávamos condenados.

A primeira voz que ouvi vindo da colônia fora a de Gramenos. Wiglaf me advertira que o mesmo havia caído nas graças de Balin, mas eu não estava preparado para tê-lo como anfitrião da nossa chegada. Sem maiores perguntas, o Imberbe nos conduziu dentro da colônia, em direção à Ágora de Fundin. Nenhum comentário fora feito, a única frase que ouvimos fora um “sigam-me”. Estava claro que nossa chegada era aguardada.

Tyr foi deixado na enfermaria e o resto de nós caminhava pelas ruas de pedra até o encontro com meu senhor. Éowulf ficara ao meu lado e me indagara o porquê do grupo que trouxera o Machado de Dúrin ser tratado com tanta falta de cortesia. Enquanto andávamos, exclamações de raiva gritadas contra os estrangeiros eram ouvidas. Eu sabia que enquanto Balin não autorizasse a estadia dos mesmos, a Colônia repudiaria os não-anões, sobretudo os elfos. Caso recebessem permissão de permanecer ali, eu imaginava que os colonos seriam mais discretos pelo menos.

Chegamos à Ágora, e caminhamos até o centro do lugar. Eu tinha aquele local na minha mente de tantas vezes que estive ali, e não foi difícil “enxergar” Balin sentado em um grande trono de rocha pura, com seus conselheiros e guardas reais ao seu redor. A Ágora era um local de reuniões acaloradas, julgamentos e assembléias com os colonos. Hoje porém ele estava com portas fechadas, e o único barulho que se ouvia era das tapeçarias tremulando à corrente de ar.

Subitamente Gramenos quebrou o gelo e saudara Balin, filho de Fundin, Senhor de Khazad-dûm.

“E eu o saúdo Gramenos. E a Wiglaf, Toph e Butuitë também.  Mas quem são os desconhecidos que chegam à mim? Contem-me suas histórias, pois a mensagem que recebi só me suscitou questões, e não respostas”.

Wiglaf fora o primeiro a falar, enquanto nós esperavamos.  Ele relatara sua missão, a emboscada que sofrera com seus companheiros, bem como as torturas e a prisão. Nessa parte fomos envolvidos na narrativa, e a luta com o escorpião monstruoso e a nossa fuga até o Machado nos era conhecida. Quando o Machado foi citado Balin ficou em alvoroço, que só cresceu quando um pano fora jogado no chão e o artefato enfim revelado. Imagino que um grande brilho deve ter iluminado a Ágora, mas a única coisa que senti foi uma explosão de calor vindo da arma. Um grito de glória saiu da boca de meu senhor, e ouvi Wiglaf subindo os degraus levando  o Machado até Balin. Quando este recebeu a arma em suas mãos soltou um grito de triunfo, e com sua voz reverberante, entoou uma velha frase dos barbas-longa:

“Khazad-dûm il khiluz khazâd, órf kord dri, ai-ultûl!”*

E “ai-ultû” retumbou por toda a Ágora, repetido pelos anões que ali se encontravam, eu inclusive. Orgulho-me de ser um Pé-de-Pedra e não um Barba-Longa, mas Balin salvara minha vida no passado, e sua vontade hoje é o que direciona minha vida no presente.

Wiglaf fora promovido à Mestre das Armas da Colônia, e muitos elogios foram tecidos à Gramenos, aquele que revelara a localização do Machado. Como ele teve este conhecimento era um mistério para mim, mas no momento tudo o que importava era a arma do Pai.

“Mesmo desacreditado você mostrou-se sábio e digno de confiança meu caro Gramenos, o Ouro. Você será meu conselheiro principal agora e…”

OURO????? Gramenos o ouro??? Desde quando aquela aranha tinha sido aceita como um Druida da Montanha, ainda mais com uma posição dessas? Nossa ordem era mais velha que o bisavô do Imberbe, mas parece que Balin não se importava com a relevância dos títulos, ou tinha Gramenos em mais consideração que eu e Fiórd, o Prata. Agora Gramenos só estava abaixo de Nordri, o Mithril. As consequências disso eu ainda veria.

Foi duro ouvir aquilo, e minha atenção só voltou a cena quando meu nome fora dito:

“Toph, o Bronze, me dirijo à você agora, pois embora já saiba da sua ajuda e a dos seus colegas na busca do Machado, desconheço a razão de você não estar a caminho de Erebor neste momento. Introduza os estrangeiros e conte-me o que aconteceu com meu mensageiro que partiu com um anão e voltou acompanhado de estranhos .

Engoli seco e comecei a falar. Apresentei meus companheiros começando propositalmente por Tyr, o anão que ironicamente não se encontrava ali. Contei da missão demandada por Dáin, de buscar informações da Colônia, e do valor do guerreiro em batalha. Em seguida apresentei brevemente Butuitë, que eu sabia que meu senhor já conhecia. Citei o certeiro tiro do elfo no capitão orc que possuia a chave do aposento que abrigava o Machado, e sua excepcional agilidade.

Fiz uma pausa, respirei fundo e comecei a arranhar a superfície do problema. Introduzi Éowulf, o valente bárbaro que decapira orcs nas minas, e Ellen, a elfa que detinha conhecimento da língua das trevas e grande habilidade mágica. Na minha cabeça lembrei da demora da mesma em curar Orik, o guarda do posto avançado, mas nada disse. No futuro seria eu a julga-la nesta questão, e ela já tinha problemas suficientes no momento.

Balin então começou a falar. Na mesma ordem em que eu apresentara, ele começara a inquirir os presentes. Tal qual um martelo no metal quente a ser moldado, suas perguntas eram firmes e diretas.

Butuitë fora o primeiro, e meu senhor fora quase agressivo com o elfo, inquirindo-o sobre seu dever de proteger a passagem entre Khazad-Dûm e a Montanha Solitária. As palavras do elfo no entanto foram tão rápidas quanto seu arco, e o arqueiro então contara do avistamento do exército à caminho da Montanha. Meu senhor então ficou calado e dispensou o elfo, mandando-o se alimentar no salão de festas.

Balin então se virou ao humano e a elfa, e recomeçou a “martelar”. O interrogatório foi um desastre, e ambas as “vítimas” gaguejavam ao falar. O “metal” de meus companheiros mostrou-se maleável,  e o martelo do ferreiro, implacável.

Se eu permanecesse calado o destino dos dois seria ruim, e Balin já os ameaçava de expulsá-los sem as línguas, como uma medida para proteger o segredo da localização da colônia. Desta forma, da mesma maneira que fiz no passado, neste mesmo local, intercedi pelos condenados. Talvez eu esteja virando um velho imprudente e louco, mas que se dane. Perder Ori para os orcs me trouxe dor, “perder” dois amigos para o meu próprio povo me traria vergonha.

Lembrei meu senhor da importância de um inimigo dos orcs como aliado. Por mais que os motivos de Éowulf fossem obscuros, sua habilidade em combate era bem clara. Não fora Gramenos que tivera seu caráter anteriormente em cheque? Este se mostrara valioso para a Colônia no final, porque não estender a mesma chance ao humano?

Balin não era cruel, mas era tão flexível quanto o trono em que sentava. Eu ouvi um muxoxo da parte dele, mas antes de se pronunciar, o próprio rohirrim selara seu destino, ajoelhando e oferecendo sua espada ao meu senhor e à Colônia. O gesto satisfez meu senhor, que enfim aceitara o humano como servo. Logo tarefas seriam atribuídas à ele, mas por hora ele poderia ir comer. Um ronco do volume de um grunhido de um urso saíra da barriga do bárbaro, e foi suficiente para mostrar a gratidão do mesmo para com Lorde Balin.

Mais um estava salvo, mas ainda havia a elfa, que nesta altura estava a beira das lágrimas. Ela explicava seus motivos, dissertava sobre suas habilidades e suas expectativas, mas nada adiantava. A agressividade de Balin, antes contida, agora aflorava. Eu não precisava de magia para saber que lembranças de uma prisão élfica lhe viam a mente.

Antes do pior acontecer, intercedi novamente. Lembrei meu senhor que a idéia de um elfo com conhecimentos da língua escura se juntar a nós fora idéia minha, apoiada também por Nordri, o Mithril, líder de minha ordem. Dispensar Ellen seria excluir nossa chance de conhecer o inimigo.

Ouvi um “orc não se conhece, se mata” vindo de algum canto, mas ignorei o comentário. Para minha surpresa, Gramenos trouxera esperança então, levando uma carta encontrada com um batedor orc até a elfa, ilegível para todos os anões ali.

Ellen pegara a carta, respirara fundo e lera a mesma lentamente. Haviam trechos manchados, mas a mensagem era clara, e a filha da floresta desvendou o conteúdo que nenhum de nós conseguiria obter: a informação de um carregamento de provisões indo à forja na primeira profundeza, e relatos de que os orcs procurariam a Colônia no 6º e 7º pavimentos agora.

“A elfa foi aceita Toph, mas você se responsabilizará por ela de agora em diante. Tenha em mente que qualquer falha dela será sua também, e você pagará com a vida se minha decisão se mostrar errada.

Quanto a você elfa, vá comer! Comida anã lhe fará bem, parece que você está um pouco pálida”.

A elfa saiu com passos rápidos, ignorando a provocação. Finalmente haviam só anões na Ágora, e a conversa de verdade começaria.

*|Khazad-dûm é a grande mãe dos anões, e estes lutarão por ela, até o último filho!|

Próxima cena: Campanha em Moria – Cena 7

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8 Comentários leave one →
  1. 17/05/2012 08:59

    Tenso o clima da colonia, não é para menos.
    Essa campanha tem tudo para ser grande. Primeiro pq ela da um foco nos anões da terra média com um pouco mais de carinho aos pequenos turrões (Tolkien aprecia tanto os elfos que parece ter criado a mesma antipatia deles pelos anões). Segundo por que tem um ambiente envolvido no suspense. A velha e escura montanha, cercada de inimigos e coisas afins.

  2. gerbur12 permalink
    17/05/2012 20:05

    Antes de mais nada, quero deixar meus cumprimentos ao Chicão, autor do relato! Muito bem escrita a aventura! Mal posso esperar pela próxima!

    E sim, André. Esta tem sido uma história bem anã, né? É uma pena que Tolkien não escreveu muito sobre o Povo de Durin, estamos tendo que preencher muitas lacunas com o que imaginamos que faria parte de uma cultura anã. Esperamos que esteja ficando digna de uma aventura da Terra-Média!

    Quanto ao clima de tensão na Colônia, está total! Os anões conseguiram algumas vitórias como o Machado de Dúrin e descobrir os próximos passos dos orcs, mas muitos morreram para isso e os orcs estão fechando o cerco. Para a próxima sessão levarei fichas a mais pois a Colônia não pode mais garantir a segurança dos personagens debaixo da Montanha!

  3. 21/05/2012 09:35

    Não apenas digna à terra média como digna a essa raça tão leal que é os anões. Os rpgistas não costumam dar muito crédito aos anões. De longe minha raça favorita em características e sociedade.
    Continuarei acompanhando

  4. gerbur12 permalink
    24/05/2012 20:34

    André, como você já deve ter percebdio, eu também sou muito suspeito para falar sobre anões, rs.

    Mas assim como você, adoro essa raça. Os anões são muito “orgânicos”, gosto deles porque são “viscerais”. Diferente dos elfos que são mais etéreos e inatingíveis, os anões me parecem mais reais, mais “de carne e osso”, enfim mais humanos.

    Imagino-os com as unhas sujas, um pouco porcos e maus-educados, mas de corações enormes. Grandes amigos e parceiros nos momentos difíceis e também inimigos difíceis de se engolir.

    Eles vivem debaixo da terra com todos os demônios e criaturas malignas do mundo, mas eles não fogem. Eles ficam, eles combatem, eles permanecem. É por isso que eu adoro os anões.

    Barûk Khazâd!

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