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Campanha em Moria – Cena 5

10/05/2012

Cena Anterior: Campanha em Moria – Cena 4

Malditos sejam os guarda reais e seus juramentos!

Estávamos presos na arena da morte com paredes de dez metros de altura, uma fera do mundo antigo na nossa frente e todos os orcs de Moria ao nosso redor! É, logo vi que aquilo ia doer.

Butuitê e Éowulf foram cada um para um lado para contornar o escorpião. Ellen começou a procurar por saídas ocultas nas paredes da arena e Wiglaf correu e se ajoelhou ao lado de um anão morto no centro da arena, transtornado.

Para mim aquilo tudo era demais! Eu não esperava uma traição de Wiglaf, e ao nos conduzir para a morte certa uma enorme raiva cresceu dentro de mim! Três vezes malditos sejam os guarda reais! Apesar de tudo, eu não estava disposto a morrer nesse dia, mas estava ardendo pelo calor da batalha e fui dar combate ao monstro. Mas se fosse para morrer, morreria com glória e daria aqueles orcs um espetáculo tão terrível que eles iriam torcer para nunca encontrarem os anões e a Colônia!

Corri de frente para a criatura girando meu machado e gritando e por um segundo o escorpião  hesitou. Brandi o machado uma vez e ele defendeu, duas e ele defendeu, antes que eu pudesse dar o terceiro golpe senti seu ferrão atravessando cota de malha, carne e osso. O golpe veio do alto, repentino e muito potente de forma que cai de costas no chão. Pude ver o monstro em cima de mim, os orcs em cima da arena e o teto de Khazâd-Dûm acima de todos. De repente, o corvo do mestre Bronze atravessou meu campo de visão e passou pelas grades do túnel atrás da fera. Bem, pelo menos um de nós sobreviveria mais um dia.

Só então reparei na voz suave de Toph com sua canção sussurrada que tomava conta de todo o ambiente, não podia mais ouvir os gritos de comemoração dos orcs ou os urros enlutados de Wiglaf. Ouvia-se apenas a música baixinha de Toph, no limiar da audição. Eu não era o único ao ouvir, o escorpião também ouvia, pois não atacava e seus braços medonhos abaixavam e subiam rapidamente como num repentino despertar, mas apenas o suficiente para em seguida tornar a abaixar. Uma sombra pairou ao redor do monstro e todas as tochas pareceram escurecer. O animal cambaleou e caiu prostrado no chão ao meu lado. Finalmente nosso guia tinha acordado e dessa vez seu encanto deu certo, muito certo.

Quando a criatura desabou senti vida em mim novamente. Juntos, Éowulf e eu conseguimos erguer a grade de ferro do outro túnel e antes que os orcs pudessem descer até o chão da arena, estávamos fora dela. Wiglaf ficou um pouco para trás, pois ele retirou a peçonha do escorpião e trouxe também o corpo de seu irmão juramentado.

No novo túnel haviam muitos monstros, como aranhas, outros escorpiões e criaturas estranhas que desconheço, quase todas eram gigantes, e todas eram terríveis de se contemplar. Não precisamos lutar com eles, pois estavam enjaulados. Apenas aguardando o dia de seu combate na arena dos orcs.

Toph era nosso guia novamente. Somente debaixo da Montanha, um guia cego podia ser mais confiável que um que não fosse, em Moria era mesmo tudo invertido, mas eu estava feliz que Toph, e não Wiglaf, nos guiava agora. E ele corria como se pudesse enxergar através do cajado, que ia à sua frente enquanto ele pronunciava encantamentos.

Chegamos num salão em forma de estrela, com sete pontas, em cada ponta uma porta. Todas enormes e altivas com grandes trincos, o símbolo da Fechadura e do Nauglamír ao seu redor me mostrou que estávamos na Câmara dos Segredos e os cofres de nossos antepassados se erguiam diante de nós. Por mais ansioso que eu estava por continuar a corrida para longe dos orcs do Primeiro Pavimento não consegui resistir a passar pelas sete portas. Uma delas emanava um brilho azul pelo vão.

Abrimos a fechadura com a enorme chave retirada do capitão orc logo que entramos em Moria. Lá dentro uma fogueira queimava ao centro iluminando esculturas nas paredes e muitos ornamentos. No centro de tudo, encontramos a fonte da luz, um machado. Ele parecia queimar com um fogo azul rente a lâmina. Afiado, como no dia de sua confecção. Uma arma que atravessou tempos e eras, eu não precisava de nenhuma runa para dizer do que se tratava, o Machado de Durin! O Pai dizia que a arma de um guerreiro que a usasse por muito tempo, carregava a força do guerreiro consigo pela eternidade. A alma do Pai estava ali, presente! Não resisti e o peguei e toda a dor de meu braço desapareceu, toda a tristeza, toda a aflição, poderia reconquistar Moria inteira somente com aquele objeto. O Imberbe, não é um traidor, afinal.

Machado de DurinO espanto de Wiglaf ao contemplar tal artefato foi assombroso. Ele abriu mais a boca do que eu seria capaz de apostar que uma boca abriria sem quebrar, por pouco não derrubou o corpo do guarda real que carregava, e não foi capaz de dizer uma única palavra. Foi um golpe duro para ele perceber que Gramenos não mentiu e apesar disso, Wiglaf e seus companheiros não foram capazes de encontrarem sozinhos, a arma do Pai. Foi preciso a ajuda de estrangeiros. Quando os anões da Noite de Moria falham, os anões da Luz de Erebor fazem jus às antigas tradições! E pelo Pai Durin, foi preciso a ajuda dos elfos! Wiglaf certamente não durmirá essa noite.

Continuamos nossa fuga, deixamos os tesouros para trás, os gritos ds orcs estavam mais próximos. Agora nossa missão era a mesma da dos companheiros de Wiglaf: entregar o Machado de Durin ao Senhor Balin e não tínhamos tempo a perder. Eu estava revigorado e disposto a percorrer todos os Sete Pavimentos em uma única semana, se fosse possível. A elfa Ellen se ofereceu para curar meus ferimentos com as especiarias de Lothlórien, entretanto eu disse a ela que nenhum elfo colocaria as mãos em um anão e não estava disposto a mudar de opinião!

Os dias se passaram, mas o perigo não ficou para trás. Em um em cada dois Pavimentos nós éramos surpreendidos por orcs e outras criaturas, inclusive um basilisco uma vez.  Estranhamente, os inimigos não me assustavam, mas sim Wiglaf. O guarda real de Balin caminhava conosco, pesaroso, passava dias inteiros sem dizer uma única palavra, mas ele sempre observava o Machado, dia após dia, sem se importar que eu notasse sua obsessão.

Entretanto, nem tudo era perigo e preocupação, afinal, eu estava em Khazâd-Dûm! Passávamos de Salão em Salão, Câmara em Câmara e eu podia ter um reslumbre dos Dias Antigos. Cada construção era nomeada. Os corredores exibiam os nomes das importantes famílias anãs do passado, enquanto os salões exibiam os nomes de seus construtores. Era possível acompanhar a árvore genealógica dos antigos simplesmente passando de um cômodo a outro. A Montanha tinha muita história para contar e ela a contava, sozinha, mesmo agora quando todos os bardos estavam mudos e calados.

Era uma bela história. Da época que construtores e mineradores eram tão importantes quanto os maiores reis. Eles eram reconhecidos, pois enchiam de vida a pedra morta. Eram eles os nobres e os senhores do reino e suas palavras eram sinônimo de poder e marcavam a rocha pela eternidade. Seus nomes e os nomes de suas Casas cravadas nas paredes de Moria eram uma lembrança silenciosa de um tempo melhor, quando pedreiros viviam para sempre. Que grande honra estar ali e caminhar pelos arsenais do tempo, para lembrar de coisas e pessoas que jamais deviam ter sido esquecidas.

Paredes de HistóriaUm dia no Quarto Pavimento fomos surpreendidos por uma tropa muito grande de orcs e Wiglaf falou comigo pela primeira vez desde a morte de seu irmão. Ele quis o machado, foi austero, obstinado e percebi em seu olhar os traços da loucura. Ele transpirava, suava e sangrava de forma que suas tatuagens ficaram brilhantes e ameaçadoras emitindo um brilho azul na escuridão da Montanha. Eu estava com raiva e muito a contragosto entreguei o machado a ele, pois conhecia aquele olhar de guerreiro. Ele teria o que queria. Wiglaf foi dar cabo da patrulha de orcs com meus companheiros e me deixou zangado e com tempo suficiente para sentir a dor dos meus dias em Moria. Pela primeira vez senti meu braço pesado e latejando. Quando olhei, minhas veias estavam verdes e pretas, senti o corpo quente e minha testa começou a transpirar. O veneno do escorpião estava agindo.

Um dos orcs se rendeu e foi interrogado por Toph. Quando o mestre acabou de obter suas respostas, Wiglaf argumentou que não deveriam manter nenhum prisioneiro indicando que o orc fosse solto, mas Éowulf ainda estava no calor da batalha e matou o prisioneiro rendido e amarrado. Wiglaf o olhou com suas expressões marcantes, mas se conteve e seguiu em silêncio. Éowulf pareceu mais velho e sombrio após esse dia também.

Quando chegamos ao Sétimo Pavimento eu estava exausto. Cada músculo de meu corpo doía. Meu braço parecia ter sido arrancado de mim. A febre me queimava vivo. Estava me esforçando para continuar respirando. Então uma luz forte e quente afastou a escuridão, havíamos chegados aos Arsenais Superiores e eu soube que aquela era a luz das lanternas da Montanha. Éowulf estava me ajudando a caminhar, mas mesmo assim pude ver anões vívidos sentados em meditação em frente à encosta da Montanha e eu soube que elas eram as Pedras-Vigia das histórias de outrora e a encosta da Montanha eram as muralhas da Colônia de Balin.

Minha visão estava turva, mas pude ouvir os sons de engrenagens e roldanas e rodas dentadas mil, e também senti um vento fresco acariciando meus cabelos e barba e soube que os Portões Secretos da Colônia estavam se abrindo para nós. De repente o som dos carrinhos nos trilhos, de alavancas sendo puxadas e de travas sendo destravadas encheu todo o ambiente, tivera eu voltado no tempo dos Dias Antigos? Estava eu dentro do Cântico de Khazâd-Dûm? Não importa, o sonho era real, estava acontecendo a minha frente e ao meu redor. Tive um último pensamento: “A Montanha está viva. A Montanha está viva e posso sentir o seu pulsar” então as trevas me envolveram e desmaiei.

Próxima cena: Campanha em Moria – Cena 6

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5 Comentários leave one →
  1. gerbur12 permalink
    10/05/2012 22:02

    Em homenagem a minha amiga Amanda, segue mais um relato do guerreiro anão, Tyr!

    Espero que todos apreciem.

  2. 11/05/2012 16:04

    Como sempre, estou acompanhando.
    Mais um bom relato.
    Pensei que o anão ia roubar o machado.

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