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A Corrupção Em Jogo

01/05/2012
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Embalado por estórias de terror e suspense, venho aqui falar em um assunto já “batido” por tantas histórias:

a Corrupção.

Esse é um tema recorrente na literatura, cinema e até mesmo nas diversas mitologias da humanidade e, creio eu, em narrativas, é algo igualmente presente: quantas vezes o seu valente grupo de aventureiros não se deparou com a malícia e sedução dos inimigos, acompanhado pelas promessas de poder e a garantia de que seus desejos fossem realizados.

Pode parcer um clichê, é claro – se a situação fosse tão clara quanto parece. Por isso, venho até aqui esclarecer um pouco mais sobre como usar a corrupção em suas estórias (algo interessante e, ao mesmo tempo, controverso…)

Corrupção x Convicção

Antes de continuar com o texto per se, vamos a uma breve definição de Corrupção, com o apoio da nossa amiga Wikipédia;

Corrupção deriva do latim corruptus que, numa primeira acepção, significa quebrado em pedaços e numa segunda acepção, apodrecido, pútrido. Por conseguinte, o verbo corromper significa tornar pútrido, podre. Numa definição ampla, corrupção política significa o uso ilegal – por parte de governantes, funcionários públicos e agentes privados – do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir renda pública ou privada de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum – como, por exemplo, negócios, localidade de moradia, etnia ou de fé religiosa.

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Deixando o “literal” de lado, Corrupção conduz à indução para atos que contrariem a integridade e/ou papel de um sujeito. Coação, chantagem e suborno são exemplos do que a corrupção pode fazer. Muito diferente da Convicção, que corresponde a algo já implícito e pessoal de cada um.

“Mas, como perceber isso no jogo?” Eis a pergunta que eu estava esperando.

Alguns jogos já estimulam a definição de Convicções como regra (as famosas “Tendências”, do velho Dungeons and Dragons ou os “Arquétipos” de Storyteller), e assim fica fácil prever os rumos da personagem – o apego ao seu ideal, ou uma chance de aprender coisas novas. Dessa forma, o bem e o mal tornam-se opções para o jogador, caminhos a serem seguidos e/ou evitados durante a narrativa.

Jogos de Corrupção

Diferente das particularidades e ideais de uma personagem, a Corrupção virá de fora dele, de algo aparentemente maior que o próprio imagina. De acordo com o cenário, o mal pode ser direto em seus objetivos, ou sutil o bastante para motivar o grupo a agir de acordo.

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Vou dar um exemplo: em Ghondaria (o mundo que criei há alguns anos), o mal se faz presente pela Escuridão – nascida do acúmulo de rancores e angústias dos mortos de uma grande Guerra. Seu poder se mesclou com o mundo, e a essência sombria dos falecidos persiste em toda forma de vida. Sua manifestação mais intensa forma os Inquietos, entidades malignas e parasitárias que semeiam a dor da morte por onde passam (para o terror de todos que vivem por lá…)

Claro que isso não precisa ser direto, como na descrição acima. Autoridades, lideranças políticas e religiosas são excelentes exemplos de corrupção, já que motivações pessoais  de sua parte podem ser ocultos ou subentendidos (“se me ajudares a punir os abades da região e seus hábitos com a destruição, liderarei nosso credo para salvar os inocentes, caro Paladino!”). O envolvimento de figuras públicas com a corrupção gera intrigas, mistério e desconfiança no jogo – clima mais que perfeito para motivá-los a agir conforme seus desígnios…

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Em suma, pouco importa o tipo de narrativa: o mal pode ser trabalhado pelo jogador e as Convicções de sua personagem; ou pela intervenção do Narrador, que pode convencer um ou mais membros do grupo (seja sutilmente, seja impiedosamente) a se mover conforme as cordas são puxadas. A partir desse ponto, basta aos Narradores administrar adequadamente as consequências pessoais e gerais de cada movimento “corrompido”, que garantirão o desfecho da estória…

Que Luna os ilumine, e até a próxima!

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4 Comentários leave one →
  1. Chico Napolitano permalink*
    02/05/2012 19:02

    Dá pra fazer uma discussão muito legal com esse tema.
    Quem já jogou Shadow of the Colossus (clássico para play2) já se deparou com esse elemento no final do jogo, e provavelmente refletiu sobre a corrupção nas histórias.

    Na nossa penúltima partida de RPG (Senhor dos Anéis), também entramos nessa discussão quando um dos personagens matou um orc rendido e o Mestre o recompensou com um ponto de corrupção.

    Eu acho fantástico quando no final de uma aventura é possíbel observar a mudança de tendência do personagem, e a evolução do mesmo de acordo com os perrengues que ele passou. Já vi muitos personagens “bons/neutros” facilmente se caracterizarem como mals no final de uma campanha, e também vi alguns poucos fazerem o caminho inverso.

  2. 02/05/2012 19:34

    É um post bem legal. Fica muito mais fácil trabalhar esse tipo de questão quando os personagens dos jogadores são melhor trabalhados, possuem um histórico, ambições e personalidade. Assim o mestre é capaz de explorá-las criando drama e pontos de decisão importantes em que o personagem terá que escolher entre si próprio ou algo acima dele, se ele satisfaz as suas ambições ao ao anseio de outras pessoas.

  3. gerbur12 permalink
    02/05/2012 20:04

    Sim M4lk1e, gostei do post!

    Como o Chico disse, por coincidência, a corrupção acaba de entrar no nosso grupo de RPG. Com a morte desonrosa que nosso amigo bárbaro deu ao seu prisioneiro rendido e amarrado, ele ganhou seu primeiro ponto de corrupção e agora tem que lidar com isso.

    No CODA, ele pode se livrar desse ponto de corrupção sendo honrado e justo. Mas claro que a corrupção vai continuar tentando-o a se corromper mais até que ele perca seu personagem por completo para “o lado negro da força”, rs. Será bacana ver essa luta.

    A corrupção é sempre um bom elemento para o RPG, seja em aventuras sombrias ou as de fantasia medieval, como O Senhor dos Anéis.

  4. m4lk1e permalink
    02/05/2012 22:50

    Basicamente, jogos que adotam este tipo de recurso focam-se para um dentre dois lados opostos: o arrependimento (leia-se uma readaptação das personagens diante das consequências da Corrupção), ou a responsabilidade plena por tais atos.
    Mas quero ressaltar que, por mais fácil que pareça adotar a Corrupção em cenários medievais/feudais, seu manejo fica ainda melhor em outros tipos de estória (não iria deixar de citar a influência e conduta de Loki nos Vingadores, por exemplo, ou a maquinação de cultistas em honra a Cthulhu, ou outras ilustres criaturas do Mythos).

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