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Campanha em Moria – Cena 3

23/04/2012

Cena anterior: Campanha em Moria – Cena 2

Dias atrás eu estava em minha forja labutando em trabalhos enfadonhos e sem vida como consertos em grades e portões dos senhores de Valle. Eis que finalmente entrou um senhor importante com uma tarefa que valia a pena: forjar uma espada. Mas não era qualquer espada, ela tinha que ser perfeita, forjada com mithril e runas de poder, digna de reis. O filho do senhor estava para se tornar um homem feito e a espada seria o presente. Senhor me pagou 50% adiantado e me deu um prazo relativamente curto para a conclusão da obra, afinal, era um presente de aniversário.

Eu conheci algumas runas com os anões da Montanha Solitária, mas havia um problema, algo que nem mesmo os anões de Erebor poderiam suprir: mithril, a prata verdadeira. Esse raríssimo metal só pode ser encontrado atualmente nas profundezas de Moria, o mais antigo reino anão, atualmente em guerra com os orcs. Aliás “guerra” é um exagero, pois a guerra foi perdida há séculos e os parentes de Dain Pé-de-Ferro, liderados por Balin estão tentando reconquistar esse antigo reino há cinco anos.

                Para chegar em Moria precisava de um anão como guia. Na taverna, encontrei um guerreiro anão bêbado se vangloriando de ser um matador de ursos e leões. O guerreiro era Tyr e ele tinha recebido uma missão do próprio Rei-sob-a-montanha: ir a Erebor e descobrir o paradeiro de Balin, afinal, há meses nenhum de seus mensageiros chegavam à Montanha Solitária. Após muito parlamentar com o guerreiro, consegui meu guia (e também guarda-costa) até Moria.

Partimos logo, pois nenhum outro anão se dispôs a acompanhar Tyr em sua missão. No meio do caminho, fomos surpreendidos por batedores orcs, o que foi uma surpresa e tanto encontrar essa odiosa raça tão longe de Moria. Após o início da escaramuça, tivemos a sorte de encontrar um cavaleiro solitário que estava vagando pela região. Mesmo com sua ajuda, os orcs lutavam muito bem e não se intimidaram. Um último reforço surgiu para nos ajudar: Butuitê, a Fleha da Floresta. O elfo era um ladino juramentado ao Senhor Anão Balin, e sua missão era proteger o caminho que ligava Erebor e Moria.

Modéstia a parte, elfo, humano e anão não eram páreos para a versão rangers dos orcs. Coube a mim, Lis, a ferreira, betiar as cabeças dos inimigos com meu martelo, a Lei do Artífice. O gosto pela batalha encheu meus pulmões e o trabalho duro na forja me deu a força necessária para o longo combate com os batedores do inimigo sem cansar e assim, pelo meu martelo, a maioria caiu, pois os corações dos orcs paravam, quando meu martelo batia. O cavaleiro conseguiu dar o golpe derradeiro em outro, mas perdeu seu cavalo. Houve apenas um sobrevivente, Butuitê seguiu seu rastro, mas só para descobrir uma tropa de cerca de 400 orcs, provavelmente de Mordor marchando para a Montanha Solitária. Butuitê decidiu seguir conosco para Moria, a fim de avisar seu senhor que não podia mais manter o caminho seguro com um exército daquele tamanho entre Moria e Erebor.

No caminho, próximos às fronteiras de Lórien, encontramos uma elfa bem diferente de Butuitê, ela era Ellen, a Filha da Floresta. Uma maga aprendiz de ninguém menos que Galadriel, a Senhora de Caras Galadhon. Versada em muitas línguas, quando a encontramos ela falava um idioma estranho ao sabor do vento enquanto as árvores farfalhavam vagarosamente ao seu redor. Ela havia previsto nossa chegada e disse que sua missão era nos acompanhar para debaixo da Montanha e auxiliar o Senhor Balin, se este fosse o seu destino. Tyr não gostou nada da idéia, mas não teve escolha, estava ansioso para encontrar seus parentes distantes e ser recebido como um rei orgulhoso e não iria conseguir despistar Ellen, nem fazê-la mudar de opinião.

                Enfim, alguns dias depois, nosso estranho grupo encontrou seu último membro, um verdadeiro anão da Colônia secreta de Balin! Seu nome é Toph, o Bronze. O anão é ranzinza e misterioso, cobre metade de seu rosto com um capuz e revelou pouco de seus pensamentos. Após conhecer nossa história, concordou em ser nosso guia dentro da Montanha, pronunciou palavras em seu idioma secreto e as portas das Minas de Moria, o Abismo Negro, se abriram para nós.

No início, um corredor obscuro estreito conduzia reto para o interior da Montanha. Era possível ver ameias no corredor, por onde certamente seriam disparadas flechas velozes contra os inimigos de Moria. Por alguma razão que não gostei muito, Toph não desarmou a armadilha de seu povo, e nos deu apenas uma dica: “corram e não parem no corredor”. Dito isso, seguiu pelas sombras.

Butuitê o seguiu rapidamente e depois de alguns segundos, o corvo de Toph voltou como um sinal para segui-los. E nós seguimos. Eu não fui rápida o bastante e pisei em uma pedra que se afundou e disparou a armadilha, de maneira que fui alvejada por uma flecha anã há muito colocada ali. Por sorte, pegou de raspão e não tive maiores problemas.

Ao final do túnel, já em terra firme, encontramos um guerreiro anão morto e outro moribundo. E os nossos temores se concretizaram: a reconquista não estava indo bem, e os anões já não conseguiam manter seus domínios dentro da Montanha. Ellen percebeu que o anão estava com seus minutos contados e não perdeu tempo em tentar curá-lo, ao invés disso, buscou retirar o máximo de informações do guardião do portão. E retirou. Ele morreu, e Toph se zangou com a elfa.

Seguindo por essa porta, entramos no Salão dos Convidados, a sala redonda, com muitas mesas para receber os amigos da Montanha, mas não encontramos amigos ali, apenas mais orcs. O cavaleiro matou muitos deles e o guerreiro Tyr também. Butuitê subiu habilmente pelas paredes redondas e encontrou o capitão orc no segundo andar do Salão. Voltou num pulo. O capitão puxou uma alavanca e abriu os portões dessa sala para o Hangar das Escadarias, e nós tememos sua ação. Por sorte, Butuitê conseguiu flechá-lo o que o atrasou. O elfo e o cavaleiro Éowulf correram atrás do capitão orc pelo Hangar escuro e conseguiram neutralizá-lo antes que ele desse o alarme. Éowulf, o cavaleiro sem passado, o matou pelas costas.

Ambos voltaram com uma chave grande e muitas perguntas. Qual caminho seguir? Que porta aquela chave abria? Quanto tempo teríamos até sermos descobertos por orcs numerosos demais para abater? Se Toph sabia as respostas, guardou-as para si e os caminhos que escolhia eram estranhos. Chegou a passar por cabeças de guardas anões fincadas em estacas em frente de portões ameaçadores, sem parecer se dar conta delas. Talvez ele pensasse que nosso grupo pouco acostumado com o escuro da Montanha não perceberia aquele aviso hediondo, mas percebemos.

Foi então que tomei minha decisão: abandonar o grupo. A equipe era desunida, cada um tinha um objetivo diferente e de vez em quando as diferenças entre as raças ficavam pesadas demais para serem suportadas debaixo da Montanha e as discussões recomeçavam. Pergunto-me como o rabugento e desiludido Balin receberá esse estranho grupo: um anão orgulhoso e fanfarrão de Erebor, um anão da luz do sol, não um que conhecesse a eterna Noite de Moria, não um anão da Colônia, certamente, não um dos seus; um elfo que descumpriu com sua palavra e abandonou o caminho entre os povos anões à orcs e coisas piores;  uma elfa maga de Lórien, todos sabem que os anões não nutrem bons sentimentos com elfos e mágicos; e para fechar com chave de mithril, um cavaleiro misterioso que não revela seu propósito e é capaz de matar pelas costas. Vivi tempo demais em Valle, ao redor de Erebor para saber que os anões vêem em tal atitude o sentimento que eles mais desprezam: covardia. É mais uma das regras de seu imenso código de honra: não se mata pelas costas, não é honrado matar um inimigo que não pode se defender. Além disso, há também o nosso guia que era, no mínimo, misterioso. Podia confiar nele? Jamais saberei.

Ao passar pela Ponte de Durin, resolvi ficar para trás e voltar ao Hangar. Eu farei meu próprio caminho, como sempre. Sozinha sou mais silenciosa, mais rápida, mais confiável. O combate em Rhovanion me mostrou que eu posso lutar tão bem quanto qualquer guerreiro, não preciso de guarda-costas, meu martelo, a Lei do Artífice, me protegerá. Só nele eu preciso confiar. Decidi que não caminharei para a morte como nosso grupo está fazendo tão obedientemente e me volto para baixo e para o norte, se ainda houver mithril em Moria, eu encontrarei.

Próxima Cena: Campanha em Moria – Cena 4

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10 Comentários leave one →
  1. 24/04/2012 15:00

    Ja faz um bom tempo que estava esperando pela continuação, e valeu a pena.
    Primeira vez que leio uma aventura na terra media que não seja uma quase copia da história original.

    Mas uma pergunta? Você parou de jogar ao abandonar o grupo?

  2. gerbur12 permalink
    24/04/2012 21:09

    Que legal que você gostou, André.

    Eu sou Gerbur, o autor do relato e também o mestre dessa crônica. Devo dizer que não esperava um comentário como o seu. Me motivou bastante! Obrigado pelos elogios.

    Respondendo sua pergunta: A jogadora dessa personagem (Lis), é nossa caríssima amiga Bel. Ela começou a campanha conosco, mas se mudou de cidade e não pode mais continuar. Essa foi sua última participação (até agora).

    Como ela parou de jogar conosco seu personagem desapareceu após a comitiva atravessar a Ponte de Durin, e ficou a dúvida para os outros personagens: o que houve com a Lis? Quando eu decidi escrever essa aventura, pensei que seria bacana relatar da perspectiva dela, de modo que eu pudesse contar essa história e responder essa pergunta. Já vi que foi uma boa idéia! rs.

    Agora, quanto a pergunta: será que a nossa ferreira Lis voltará a aparecer nessa campanha (agora como um npc do mestre)? Aí, somente as sombras mais escuras de Moria saberão, mas elas não contam pra ninguém, rs.

    Bom pelo menos, até sair os próximos relatos, rs.

    Abraço Anão,

    Gerbur.

  3. Chico Napolitano permalink*
    24/04/2012 22:02

    Mandou muito bem no relato Gerbur!
    O André tá aí pra dizer que não é só puxa-saquismo meu! haha

    Vou te dizer que eu (Toph) estava curioso pra saber o destino da Lis.
    Tenho um palpite que voltaremos a ve-la novamente, mas quando e em que condições, só Eru, Mahal e nosso querido Mestre sabe.

    Aguardo ansiosamente o próximo relato também, nossa história está ficando digna de ser cantada nos salões de Khazad-dûm!!

  4. 25/04/2012 11:45

    Realmente, fica a expectativa da volta dela.
    Eu dou o maior apoio para a continuação dos relatos de campanha, e principalmente do jeito que vocês tem feito, como se fosse um diário e a cada relato contado de um ponto de vista diferente.
    É bom saber como cada um encara a empreitada e enriquece a mesa.

    Estarei no aguardo.

  5. 04/05/2012 10:00

    Agora sim li com calma e UAU! Ficou muito bom! Será que vou voltar? xD

  6. byahammond permalink
    04/05/2012 15:01

    Espero que a Lis volte e com o Mirthil! Não esqueci do escudo prometido!

    Tyr

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