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Três Razões para Jogar Lobisomem: o Apocalipse

31/03/2012

Saudações a todos os amigos RPGistas!

Bem, como este é o meu primeiro artigo, acho melhor começar do princípio. Tornei-me um RPGista lá pelos idos de 1995, época bem reconhecida pelos veteranos como um período de mudança. O Mundo das Trevas era um recém-chegado em nosso país, e a supremacia de AD&D e GURPS havia se abalado.

Foi nesta época que conheci o Lobisomem – um cenário que, desde o seu lançamento, foi esnobado pelos jogadores de Vampiro por ser “pancadaria pura”. Anos mais tarde, me tornei um Narrador e, à contramão das maiorias, faço questão de jogá-lo até hoje.

Claro que, a esta altura, você deve estar se perguntando, amigo leitor: “com tantos jogos igualmente voltados pra ação, por que me importar com este livro em especial?”

Para responder a esta pergunta, me limitarei a três motivos principais.

Motivo Um – O Contexto

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Os títulos da White Wolf são conhecidos pela prioridade à história: intrigas, conspirações e conflitos pessoais estão formados sobre o pano de fundo “punk-gótico” do Mundo das Trevas. As personagens e seus anseios tornam-se o foco do jogo (mais atraente para os jogadores iniciantes).

Em Lobisomem, a situação é um pouco diferente: tudo gira em torno da guerra contra a Wyrm (entidade corruptiva e destruidora do mundo), que perdura desde o princípio dos tempos. É dever dos Garou (como se entitulam as personagens) zelar pela segurança de Gaia, entidade suprema que compreende toda a vida conhecida.

Trata-se, no entanto, de uma batalha inglória. Em passos largos, a destruição se aproxima. Espíritos corrompidos e homens deturpados dominam o mundo, espalhando a morte por todo lado – até mesmo nos Lobisomens está presente, na forma da fúria. Some a isso os perigos da Umbra (mundo espiritual, paralelo à Terra), intrigas e rivalidades entre as tribos Garou e uma gama de inimigos (vide outros títulos do Mundo das Trevas), e temo uma fonte ilimitada para seu grupo de jogo!

Motivo Dois – Os Protagonistas

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A cultura dos Garou é um atrativo à parte, ricamente descrita e fundamentada em preceitos animistas/xamânicos. Sua organização em grupos, erroneamente traduzidos como “Matilhas”, e Seitas é vital para os guerreiros, seus caerns (santuários espirituais, ligados entre si pela Umbra) e para os espíritos que tanto prezam.

A sabedoria de seus ancestrais é lembrada em rituais igualmente antigos – duelos mortais, caçadas e disputas com charadas são bons exemplos. O respeito à Gaia está presente em cada rito e fundamentam suas leis, conhecidas coletivamente como a Litania.

Os elementos que melhor definem o Garou são sua Raça, que define seu elo espiritual com Gaia; seu Augúrio, que determina sua função na guerra e perante seus irmãos; e sua Tribo, que delimita seus interesses gerais e sua visão da realidade (além de, claro, estipular também seus poderes e capacidades).

Motivo Três – As Regras

Como já indica o seu nome, o Sistema Storyteller é simples e funcional para condução de estórias. O preceito mais estimulado pelo sistema é o uso da “Regra de Ouro”, que concede ao Narrador a liberdade para conduzir o jogo. Claro que, em combates, a quantidade de dados usados é absurda – nada que um Narrador habilidoso, ou o apoio de regras opcionais do sistema, não resolvam.

A grande sacada de Lobisomem é o Renome. Esta característica permite controlar as condutas de um Garou para uma atuação coerente, mesmo para quem mal conhece o cenário. Uma vez que sua recompensa é o acesso a novos poderes pela ascensão em seu Posto (colocação hierárquica na sociedade Garou), o Renome instiga o jogador a se aprofundar no cenário, para conhecer o certo e o errado em suas condutas – sem contar que os rituais para alcançar um novo Posto já rende uma boa história!

Conclusões…!?

Uma vez que acabei concluindo a proposta deste artigo, deixarei o “convite” àqueles que, após a leitura, se interessaram por este título:

“No ar causticante,

Carregado de ódio,

Paira uma pergunta:

Quando a fúria tomará você?”

Até a próxima, e que Luna os ilumine!

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7 Comentários leave one →
  1. 01/04/2012 00:14

    Ótimo post parabéns. Não acho que nenhum dos cenários Storyteller seja pura pancadaria não. Até Street Fighter que é um jogo 100% combate o narrador pode trilhá-lo e incentivar a história de cada um. Em Lobisomem não é diferente, é possível contar a história de um caern ou de um lobo sem precisar derramar uma gota de sangue. Claro que você deve ter um grupo que goste do tipo de narrativa e o mais importante que estejam preparados à procurar opções fora de combate para resolver seus problemas. Até hoje mesmo com centenas de títulos, Storyteller pra mim é o melhor sistema que já joguei e o meu preferido.

  2. Chico Napolitano permalink*
    01/04/2012 14:34

    Só eu fiquei morrendo de vontade de jogar Lobisomem agora?
    Ótimo post Jairo, parabéns!

  3. Michele permalink
    12/04/2012 10:39

    Oi Eu queria saber se da para jogar rpg na vida real e como é?

  4. Alex Vander permalink
    28/07/2013 10:39

    Não jogo rpg. Na verdade não acho graça. Mas já li muito sobre o assunto,inclusive alguns livros. O que mais me identifiquei foi LOBISOMEM!A tribo que mais me identifico é Filhos de Gaia. Rpg,só gosto de ler sobre o assunto e não jogar. Garou pra sempre.

  5. 10/07/2014 23:46

    Cara, como um entusiasta de WoD e em especial de Lobisomem: O Apocalipse, devo congratulá-lo pelo excelente post! Descreveu de maneira simples o básico deste jogo maravilhoso. A cultura Garou é muito rica; do mito da criação, passando por Luna, a Guerra da Fúria, a conquista do Oeste até as noites finais, os Garou trilharam uma história fantástica. A complexidade da Umbra, a história das tribos perdidas e a queda dos Uivadores Brancos (uma mácula em nossa Mãe Gaia!), os estereótipos que cada um dos outros metamorfos têm dos garou… Junte tudo isso com a multiplicidade de histórias possíveis e diferentes dramas pessoais dos personagens e você tem um jogo pra RPGista nenhum botar defeito!
    Estou postando uma série sobre WoD clássico, buscando contemplar vampiros, lobisomens, fadas, aparições e magos – os cinco básicos de WoD, e ficaria muito contente se você lesse e comentasse. É muito difícil achar gente das antigas de WoD, ainda mais que goste de lobisomem(admito não sem fazer uma careta que Vampiro: a Máscara ainda é bem mais popular).
    Abraços,

    Henrique, Folha-da-Esperança, Filho de Gaia.

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