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Entrevista com Claudio Pozas

24/12/2011

É com grande prazer que tive a oportunidade de entrevistar o artista e autor Claudio Pozas. Sou grande fã do trabalho dele (quem acompanha o blog já viu imagens do mesmo aqui), e descobri muito coisa pessoal e profissional do mesmo nessa conversa.

Compartilharei com vocês o que aprendi com este RPGista:

 

Segundo consta no seu site pessoal, você trabalhava com publicidade até 2001, quando passou a trabalhar com arte e jogos. Como foi essa alteração na sua carreira profissional? Qual foi a sua porta de entrada nesse mundo novo?

Quando o D&D 3ª Edição foi lançado, a Wizards of the Coast colocou em seu site muitas artes conceituas dos grandes Todd Lockwood e Sam Wood. Aquilo me inspirou a montar um site no finado Geocities e fazer a minha versão para raças e classes de D&D. Como eu postava duas ou três imagens toda semana, acabei chamando a atenção da editora canadense Fiery Dragon, que incluía em suas aventuras pequenos “counters” de papelão para representar os personagens e criaturas de cada aventura. No meu tempo vago como publicitário, eu trabalhava como ilustrador para a Fiery Dragon, e depois para outras editoras.

O Claudio Pozas atual tem uma rotina de trabalho muito diferente do de 12 anos atrás? Como é trabalhar no ramo de RPG?

A principal mudança é que agora me dedico inteiramente ao RPG, sem me dividir com Publicidade. Trabalhar no ramo de RPG exige muita dedicação e perseverança. Ninguém fica rico criando RPG, mas é incrível poder dar asas à imaginação e contribuir para as histórias que tantas pessoas vão viver ao redor do mundo.
Qual é a sua ligação com as empresas que te contratam? Seu currículo consta trabalhos para diferentes editoras, há alguma que possui um contrato com você, como funcionário regular?

Praticamente todas as pessoas com que trabalhei acabaram virando meus amigos. Alguns eu conheço há mais de uma década, seja pela internet ou pessoalmente. Parece que o mercado de RPG é propício para se criar amizades, já que são pessoas muito criativas que trabalham com algo que adoram. Mas até hoje meus trabalhos sempre foram como freelancer, nunca como funcionário regular. Esse tipo de posição é muito raro no mercado de RPG, principalmente para um artista.

Quais trabalhos de outros artistas/autores/diretores inspiram o seu próprio?

Em matéria de arte para RPG, minhas influências são Todd Lockwood, William O’Connor, Wayne Reynolds, Keith Parkinson, Larry Elmore e Jeff Dee. Quando escrevo, as influências não são tão diretas, mas eu adoro ler coisas escritas por Monte Cook, Mike Mearls, Ari Marmell e Rob Schwalb. O primeiro livro de RPG que eu li e conscientemente notei “cara, esse livro é bem escrito!” foi o Planewalker’s Handbook para AD&D 2ª Edição, do Monte.

Hoje você tem até ENnie de prata na bagagem (2004), mas como foi a evolução do seu reconhecimento como profissional no meio? Como é o contato com os fãs?

Eu já participava de fórums sobre D&D e Ravenloft antes de começar a trabalhar no ramo, então não vejo os outros como “fãs” e sim como “colegas jogadores”. Já recebi e-mails muito gentis de Mestres que usaram minha arte para inspirar novos jogadores, acho isso muito bacana. E os fãs de RPG são geralmente muito inteligentes e educados, e mesmo quando não gostam de algo que eu escrevi ou ilustrei, eles dão críticas que acabam sendo úteis em outro momento.

Como é o processo de elaboração da sua arte? Usa software? Mescla trabalho manual com a tecnologia?

No começo eu desenhava a lápis, fazia a arte-final com canetinha, depois escaneava e coloria no Photoshop. No final de 2005, eu comprei uma mesa gráfica Wacom e comecei a desenhar direto no computador. Além de ser mais ecológico, evita o acúmulo de papel pela casa. Apesar de ainda fazer desenhos mais próximos do estilo dos quadrinhos, hoje eu me concentro em realizar pinturas em estilo mais clássico.

Além das ilustrações, você começou a escrever material de RPG. Há um novo passo que você almeja fazer no ramo? Lançar material próprio ou alguma contribuição diferente?

Na verdade, meu primeiro trabalho publicado foi escrevendo um artigo pra Dragon Magazine nº 274, que saiu em 1999. No momento, meu objetivo é trabalhar com D&D, que é algo com que sonho há muito tempo.

Além do aspecto profissional, qual é a sua ligação com o RPG? Quando foi seu primeiro contato?

Eu comecei a jogar em 1987, quando vi um colega de turma lendo o Player’s Handbook do AD&D no recreio. Achei o máximo, e nunca mais parei. Além de D&D (desde o AD&D 1ª Edição até a atual 4ª Edição), joguei também DC Heroes, Star Wars d6, Rolemaster, Shadowrun e um pouquinho de Storyteller.

Você joga RPG até hoje? Qual? Participa de eventos do gênero?

Não jogo tanto quanto gostaria ou deveria, porque o tempo livre é curto, mas quando arrumo tempo eu jogo D&D 4ª Edição. Quanto a eventos, já fui em alguns Encontros Internacionais em São Paulo e já fui na GenCon, que desde 2003 é realizada em Indianápolis, nos EUA. Em 2011 tive a honra de ser convidado para palestrar no World RPG Fest, em Curitiba, ao lado de Steve Jackson, Chris Pramas e JM Trevisan. Foi uma experiência ótima.

 

Site de Claudio Pozas

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