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Atrás de todo bom Mestre…

29/11/2011

Não tenho o costume de traduzir os posts que leio na Wizards, mas li um tão bom agora a pouco que reproduzirei alguns trechos do mesmo aqui no blog. O post que estou falando tem o título de “Behind Every Good DM, part 1”  e é de autoria do renomado Chris Perkins. Colocarei aqui os trechos que eu considerei mais relevantes, mas aconselho a quem puder que leia o post inteiro.

Não há dois Mestres iguais. O que me é útil como Narrador não necessariamente serve a você no mesmo papel.

Tem a sua obviedade mas é interessante porque deixa uma coisa clara: não há uma receita de bolo para narrar RPG. Não tem um roteiro estabelecido, um passo-a-passo que qualquer macaco consiga ler e reproduzir na sua mesa. Mestrar RPG é uma arte – de interpretação, improviso e atenção para com seus jogadores.

Se você perguntar a um diretor de cinema ou de algum programa de TV, o que eles valorizam acima de tudo, nove em dez responderão: “um ótimo elenco”. Se você têm ótimos atores,  você pode transformar um material entediante em algo aproveitável e um material excelente em algo espetacular. Da mesma forma, se um Mestre tem ótimos jogadores, seu trabalho fica  MUITO mais fácil.

Esse é o momento que eu bato palma e ovaciono o Chris Perkins. Todo Mestre com alguma experiência nas costas já chegou a essa conclusão: o que faz o RPG são os jogadores. E não digo isso afirmando que todos chegaram a essa conclusão da pior maneira, com jogadores babacas (“jerks”) estragando uma possível boa sessão (por mais que isso talvez seja o caminho mais frequente). No meu caso por exemplo, constatei isso ao narrar uma one-shot despretensiosa, feita na hora, para um grupo de amigos às 2 da manhã via um programa online de RPG. A sessão foi tão icônica pra mim, que acabei me sentindo como platéia de um episódio de uma série/filme/anime ao ver a química que rolava entre os protagonistas (jogadores). Fiquei a sensação que estava realmente presenciando um show.

Os próximos trechos são fragmentos das opiniões dos jogadores sobre o Mestre. Editei da melhor forma que pude para que tivesse que traduzir menos e passar mais conteúdo. É um ótimo exercício de autocrítica e um poço de dicas legais pra quem quer narrar uma boa sessão:

– Chris nunca esquece que cada jogador (ou seja, cada personagem) quer ser a estrela de vez em quando, o centro da ação, a intriga e a atenção. Ele nunca esquece de dar essa chance a eles (independente do jogador estar pronto ou não). Nas campanhas do Chris, todo mundo será a estrela.

– A lição mais importante que eu aprendi sobre ser um Mestre é “nunca diga Não”. Eu percebi isso depois de ver o Chris aplicar esse princípio que é muito próximo das regras de improvisação no teatro. Interpretação e improvisação tem muito em comum. Como Narrador, você pode simplesmente aceitar o que seus jogadores querem fazer e depois colocar seu próprio toque no pedido, adicionando um imprevisto. Só porque você diz “Sim” não significa que você dá sempre o que os jogadores querem, na verdade, é muito mais legal dizer “Sim” e dar algo a eles que eles não esperam.

– No final tudo deu certo, mas isso só aconteceu por duas razões: primeiro porque nós jogamos há tempos e confiamos que o Mestre seria justo, e segundo porque a maioria de nós gosta de explorar não só as virtudes dos nossos personagens, mas também as fraquezas.

– O que mais me impressiona é o quanto Chris deixa “vivo” cada PdM (Personagem do Mestre). As vezes parece que ele sacou um personagem chave numa história, e outras vezes parece que ele criou um personagem memorável apenas com algumas palavras e ações.

– Personagens não são imortais, e experiências mortais ou quase são a quintessência do jogo. O Mestre não pode ter medo de traumatizar os jogadores com um possível acontecimento fatal. Essas experiências valem muito mais (para o jogador) do que se simplesmente o personagem tivesse destruído o monstro, pego o tesouro e ganho XP.

Salve Chris Perkins!

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One Comment leave one →
  1. 29/11/2011 13:50

    Muito bom de fato. É um exercício de humildade um mestre deixar os jogadores brilharem como devem. Tem muito mestre por aí que quer ser o centro da atenção mas se você pensar na comparação do mestre como “Deus” do jogo, nossa vida não teria graça se o cara lá de cima não nos desse nossos momentos.

    Confesso que não acompanho as colunas de D&D da wizards, tentarei agora.

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