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Campanha em Anderton – Cena 11

07/03/2011

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 10

O sol aparecera, e, junto com ele, algumas pessoas chegaram a cabana do bárbaro.

Edi e Alain estavam entre essas pessoas, mas os outros três rostos eram estranhos à mim.Os cinco tinham as vestes rasgadas, e um deles de tão machucado estava quase inconsciente. Achei que o bárbaro ia protestar quando avistara metade da cabana quebrada, mas, para minha total surpresa, ele deu o que poderia ser interpretado como um meio sorriso. Me surpreendi, mas provavelmente o jogo de luz e sombras misturado com suas cicatrizes havia passado essa sensação de inusitada simpatia. De qualquer forma, quando ele jogou uma moeda de prata pra mim, entendi que aqueles desconhecidos pertenciam à caravana que vinha do sul. Em Anderton quase não havia moedas (não considerando o que meu pai escondia).

Enquanto cuidávamos dos ferimentos das pessoas, Eli relatava sobre como ele e Alain tinham ouvido um toque de socorro na floresta duas noites atrás, e como eles encontraram os sobreviventes perdidos na floresta na noite passada . Pelo relato dos membros da caravana, uma horda de goblins surgira do meio das árvores e começara a ataca-los. Usando um monstro gigante como força bruta, eles tinham conseguido derrotar a maioria dos guardas da caravana. Visando a sobrevivência do líder da caravana (e nisso eles se referiam ao homem todo estrupiado),  eles fugiram e deixaram os mantimentos e mercadorias para trás.

Más notícias para os habitantes de Anderton. Se não fizéssemos nada sobre isso, nosso inverno seria mais mortal do que qualquer outro.

Discutimos a situação por um instante, tentando pensar na melhor ação a ser tomada. Era evidente que precisávamos fazer algo a respeito da caravana, mas aquele homem morreria se não recebece ajuda de Gajan. Lamentando a oportunidade de trucidar alguns goblins, me ofereci para levar o homem até o sábio da vila, e um dos forasteiros se prontificou a me acompanhar. Eu via no rosto dele que ele não confiava em mim, mas tanto melhor. Pelo menos eu poderia deixar o moribundo ser carregado por outro.

Edi, Alain (que não falara uma palavra até então, mantendo-se assustadoramente concentrado), Aywannë e Pullo (um dos forasteiros) iriam rastrar os goblins. Eles precisavam encontrar os mantimentos roubados, e mesmo consistindo em um grupo pequeno, eu sabia que eles conseguiriam.

Após uma lenta caminhada, eu, Amaterasu e o “chefe” chegamos à cidade. Ela estava toda decorada, e não fosse a urgência da situação, eu teria parado para admira-la. Mas não tínhamos tempo para isso. Nos dirigimos à casa de Gajan carregando o moribundo, sendo alvejados por olhares curiosos e assustados.

Entramos subitamente na casa gritando por ajuda. Ouvi um barulho de porta sendo fechada e passos correndo até o salão de entrada. Confesso que esperava assistir à uma reação de surpresa ou espanto do pai de Aywannë quando entrássemos na sua casa, mas notei uma expressão diferente no rosto do velho. Havia suor no seu rosto (como alguém naquela idade poderia correr?) e a mesma expressão que Aywannë teve quando eu lhe perguntei na torre porque ela não poderia ajudar Flickts enquanto ele morria nas minhas mãos: culpa. Mas do que? Antes de poder concluir o raciocínio, Gajan me mandara colocar o homem deitado na sua sala de cura enquanto Amaterasu deveria arranjar água quente. Fizemos o que o sábio dissera, e logo fomos gentilmente convidados a se retirar da sua casa enquanto ele cuidaria do homem. Pela manhã ele estaria totalmente curado. Eu e Amaterasu trocamos olhares e saímos da casa.

Andamos alguns metros e encostamos em uma casa. Nos nossos rostos, estava escrito que não estávamos satisfeitos com a situação. Fizemos um sim com a cabeça e nos dirigimos novamente à casa de Gajan, mas dessa vez pela parte de trás. Amaterasu disse que queria vigiar a cura, e eu afirmei que iria tentar descubrir o que o velho nos escondia. Depois de descobrir sobre o passado de meu pai e (parcialmente) de Balzak, estava na hora de remexer nos esqueletos escondidos no armário do nosso decano.

O sulista entrou pela cozinha da sala, enquanto eu fui direto ao quarto do pai de Aywannë. Aparentemente tudo estava normal (livros, misturas fedidas, peles de animais, tinturas…), mas dessa vez eu sabia onde procurar. Comecei a passar minha mão no chão até encontrar o que procurava: um fundo falso, logo embaixo da cama. O que aquilo estava escondendo eu não fazia idéia, mas logo ia descobrir. Removendo o falso assoalho, vi algumas escadarias de pedra que fariam qualquer pedreiro tirar o chapéu e ajoelhar somente pela perfeição simétrica daquela obra. Havia uma tocha conveniente colocada do lado dos primeiros degraus, e quando dei meus primeiros passos consegui enxergar vários desenhos nas paredes. Aproximando-me, percebi que não eram só desenhos, mas retratos. Muitas pessoas estavam retratadas ali, e não demorou para que eu começasse a reconhecer alguns rostos, inclusive o meu. As pessoas eram retratadas sem expressão, que, junto com a pedra na qual eram esculpidas, passavam a sensação de imutabilidade, inação.

Quem é o desocupado que grava esse tipo de coisa numa parede?

Quando cheguei no fim da escaria avistei uma câmara logo adiante. Havia um símbolo em cima do arco de entrada, e um cheiro de óleo vinha da sala, levada por uma suave corrente de ar. Meu coração batia acelerado, e só a curiosade não me impediu de voltar atrás e perguntar à Gajan uma explicação lógica para tudo aquilo. Eu sabia que ele conseguiria me dar uma, e é por isso mesmo que eu tinha que continuar. Naquela hora eu queria a verdade, e não as histórias do velho.

Acendi os archotes que estavam na entrada da câmara, e com um susto, descubri da onde vinha o cheiro de óleo. A câmara tinha uma reentrância na parede, na qual óleo era armazenado. Quando acendi os archotes, toda o local se iluminou, revelando o que eu tanto queria ver.

A câmara era enorme, mas não fora as proporções da mesma que mais me chocara. Haviam sarcófagos ali, dezenas ou mesmo centenas deles. Se o que Aywannë me contara sobre minha “resurreição” estava correto, só havia uma coisa que poderia estar guardada nessas coisas. Quando levantei uma das tampas, minhas suspeitas se confirmaram: um corpo.

Aquilo ali era um reservatório de corpos, prontos para serem usados quando necessários. E agora eu sabia quem estava por trás de tudo aquilo.

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6 Comentários leave one →
  1. 04/02/2013 15:59

    Cara meu nome é Anderton :D quem foi responsável por está campanha? entrei aqui pesquisando storyteller xD

  2. 04/02/2013 16:36

    Cara, esse foi o comentário mais inesperado que eu já tive no blog! haha

    O Narrador da campanha foi meu amigo Daniel Shiro, e eu (Chico), Flavio Rodrigues e Mariana Boujadi éramos os jogadores. Eu acabei sendo o responsável pela maioria dos relatos. E, na realidade, ainda não publiquei o último! hehe

    Abraço Anderton!
    Espero que você tenha curtido os relatos pelo menos :P

    • 04/02/2013 16:40

      Chico, se possível descubra pra mim onde ele ouviu o nome por favor, e sim estou lendo os relatos até agora :D

  3. 04/02/2013 16:41

    Mandei o link do teu comentário pra ele, logo ele aparece aqui e te conta. Eu mesmo não sei da onde ele tirou o nome! hehe

  4. Daniel Shiro permalink
    04/02/2013 22:04

    Anderton veio de uma adaptação de Under Town. Eu não queria que o nome ficasse tão inglês e resolvi brincar com a pronúncia das palavras.

    Há motivos para Under Town.
    Under = baixo, para dar uma ideia de imoral e por guardar segredos… ( sem spoilers?)
    Town= cidade.

    Isso tudo pra dar uma sensação de obscuridade, mas sem a palavra Under… Ander então!

    Ficou claro?

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