Skip to content

Campanha em Anderton – Cena 10

03/11/2010

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 9

Quando eu acordei eu sabia que alguma coisa tinha dado errado. Eu tava seco, e a última coisa que me lembrava era ter pulado na poça de sangue. Com certeza eu ficaria molhado pulando lá. Bom, independente de como eu fora parar ali, algo me reconfortava: eu sabia onde era o ali.

Não sei como, mas eu estava do lado do moinho abandonado em que eu e meus amigos nos esquentamos depois de ter nadado a contragosto no rio de Anderton. Pelo menos tinha saído da Casa que Enlouquece!

Bom, eu precisava de alguma roupa quente. E de armas também. Aliás, nem sei como que eu tava vestido daquela forma. Todo de branco… acho que nem uma águia tava me vendo quando eu tava deitado na neve.

Conseguiria essas coisas na minha casa, mas eu tava longe de lá. Resolvi ir até o centro da cidade, de repente eu poderia encontrar a Aywannë ou o Alain nas redondezas. Afinal, quanto tempo se passara desde que eu pulei na poça? Eu que não saberia dizer… Mas antes de encontra-los, especialmente o filho do Balzac, era melhor eu ter uma arma comigo. “Just in case”.

No caminho pro centro vi que a cidade estava agitada, principalmente a região do mercado. Havia várias barracas de feiras sendo montadas. As pessoas estavam indo de um lugar para o outro com cestas, caixas e diversos produtos que elas poderiam trocar e fazer negócios. Com certeza o dia da caravana vinda do sul chegar se aproximara, e isso me assustou. Na última noite que eu me lembro (a noite que Edi chegou em casa para trocar seu animal por lã), fazia mais de 2 semanas pra caravana chegar. E normalmente as preparações eram feitas menos de 1 semana para que as caravanas aparecessem. Ou as pessoas resolveram ter mais tempo pra fazer os preparativos, ou eu perdi muitos dias inconsciente.

Encontrei alguns conhecidos e logo consegui um casaco e uma faca de caça em troca de ajuda na montagem das barracas. Eu tava acostumado a matar javalis e ursos, carregar sacas de trigo e pregar tábuas era algo que não me desafiava. Enquanto fazia essas tarefas chatas, me deparei com uma cena inusitada: a filha de Gajan estava com um chapéu de abas longas tentando conduzir uma carroça com mantimentos para a parte sul da cidade. Isso era o que ela estava tentando fazer, já que na prática os cavalos que puxavam a carroça davam mais voltas interessados em fuçar os legumes que se espalhavam pelo mercado de Anderton do que seguir o caminho que a inexperiente condutora pretendia.

Rindo, me aproximei de Aywannë, e se eu tinha ficado espantado por te-la encontrado dessa forma, maior ainda foi o espanto dela em me ver. Aparentemente ela achara que eu tinha morrido ao pular na poça, porque ela não parava de falar que era pra eu estar morto. Esperei a guerreira se acalmar e enquanto isso fui puxando os cavalos na direção da estrada. Quando Aywannë se acalmou (e parou de me beliscar), consegui ouvir o estranho relato dela. Aparentemente eu fora morto por goblins à procura de Bodo na caverna, e depois de terem encontrado meu pai que se encarregara de salvar meu irmão, ela e os outros foram procurar Balzac em uma torre ao sul dos pântanos de Anderton. Lá o pai de Alain guardava um sarcófago com meu corpo, e, depois de Aywannë ter me dado uma poção, eu voltara a vida.

Engoli um seco. Óbvio que havia algo errado nessa história, mas mesmo assim ela explicava muita coisa. Por mais que fosse inacreditável a idéia de eu ter voltado dos mortos (sem contar a parte que eu morrera pra goblins), a minha “morte” explicava o lapso de memória que eu tive. Provável que eu risse da história em outros tempos, mas depois que eu vi o Alain 2.0 eu voltara a acreditar em coisas sem muita explicação lógica.

Fiquei quieto por um bom tempo, quando resolvi perguntar dos acontecimentos depois que eu pulei na poça de sangue. A guerreira me disse que Flickts tinha realmente morrido, que ela pulara atrás de mim e de Balzac, enquanto Edi ficara encarregado de levar um catatônico Alain para sua cabana na floresta. Aywannne aliás tinha combinado de ir encontra-los lá depois, mas assim como eu, ela desmaiara e fora parar em um ponto aleatório de Anderton.

Será que assim como o pântano enevoado da floresta dos goblins nos “transportou” para o centro de Anderton, a poça de sangue tinha o mesmo poder?

Aparentemente sim, ou pelo menos algo próximo a isso.

Conversamos mais um pouco e decidimos ir até a cabana de Edi encontrar nosso companheiro. Aywannë estava preocucada com a saúde de Alain e eu estava curioso pra saber o que ocorrera na torre que enlouquece. A garota não soubera me dizer muitas coisas sobre o que ocorrera com Flickts, mas eu também não contara que sabia quem o havia matado. De qualquer forma, minha faca ficaria próxima.

Tínhamos um problema porém. Aywannë prometera a um camponês que iria levar sua carroça com sua produção até a parte sul da nossa vila, e do jeito que aqueles cavalos andavam, isso iria nos tomar o dia inteiro. Nem adiantou questionar o porque da filha de Gajan ter feito isso… Enfim, consegui convence-la que o melhor era encarregar outra pessoa fazer esse trabalho por ela, assim poderíamos nos concentrar em Alain e em todos esses mistérios que estavam acontecendo com a gente e com a toda a vila em geral.

Chamamos o primeiro candango que vimos na frente e pedimos pra ele levar a carroça pro sul. Ele concordou, óbvio (fizemos um mendigo muito rico nesse dia), e nos dirigimos até a cabana de Edi. Aywannë foi mostrando o caminho, e entramos na região à sudoeste da vila. Era uma região cheia de planaltos, e a floresta acompanhava essa mudança do relevo. Era uma região que eu conhecia pouco, e me senti feliz de ter alguém que eu confiava por perto. Os lobos daquele lugar já permearam muitas histórias no Yaren, e nem todas elas eram histórias pra assustar crianças.

Mas Aywannë tinha boa habilidade nas florestas (a filha de Gajan não poderia ser diferente), e ao anoitecer chegamos à choupana. Era uma construção de madeira precária, mas com o vento sibilando nos ouvidos, ela parecia um ótimo refúgio. Depois de chamarmos Edi e não termos resposta, entramos assim mesmo para nos esquentarmos. A casa estava desarrumada, e não havia sinal do caçador nem de Alain. Havia algumas linguiças penduradas na lareira, e um pouco de lenha em um canto.

Preocupada com possíveis problemas que os dois poderiam ter pra encontrar a cabana à noite, a guerreira resolvera acender a lareira. Além de nos esquentar, a fumaça poderia ajudar nossos amigos a nos encontrarem. Enquanto comíamos um pouco da comida que tínhamos pego da carroça, conversávamos sobre os acontecimentos. O cheiro da linguiça já estava forte quando ouvimos os primeiros uivos. Havíamos esquecido que poderíamos atrair outras criaturas além de nossos amigos.

“You look tasty…”

Rapidamente trancamos e reforçamos as janelas e porta. Enquanto eu procurava por armas, Aywanne empurrava a mesa para barrar a porta. O primeiro lobo felizmente só conseguiu entrar depois que eu havia encontrado um pequeno arco com poucas flechas. O lobo era imenso, com certeza era maior que nós da cauda até o focinho, e era de um branco que até ofuscava. Seus dentes eram suficientes pra estourar a madeira que servia como batente para a janela, e fora  exatamente isso que ele fizera. Com um salto, ele entrara na choupana, olhando pra gente com uma expressão que deixaria qualquer presa com uma certeza de morte.

Mas não eram covardes que estavam naquele lugar. Enquanto eu atirava na anca do animal para deixa-lo sem apoio, Aywannë manejava seu machado com maestria, fazendo cortes profundos em sua espessa pelugem. Mas antes que pudéssemos derrubar o animal, outro lobo pulou atrás do primeiro, e me obrigou a trocar de arma para ataca-lo. A faca não era muito resistente, mas seu fio estava bom. Esse lobo era menor, mas tinha um olhar mais assustador. Mesmo me esforçando pra esquivar de suas garras, não consegui evitar de levar uma mordida na perna. Além de grandes as presas desse lobo eram afiadas também. Filho de uma gambá.
Apesar da dor, aproveitei o movimento e espetei a faca no focinho da criatura com minhas duas mãos. Com um guincho de dor, o canino soltara minha perna, e seu olhar raivoso se fixou no meu pescoço. Ele se inclinou para pular em mim, mas felizmente nunca completou o pulo. Aywannë cravara seu machado nas costas do lobo, e minha faca terminou o serviço.

Haveria carne de lobo pra acompanhar os legumes no jantar.

Próxima Cena: Campanha em Anderton – Cena 11

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: