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Campanha em Anderton – Cena 6

05/09/2010

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 5

Medo.

Ódio.

As sensações das pessoas pulsavam por toda a cidade.

Suas tochas iluminavam seus rostos, alternando entre luz e sombra essa cena de terror.

As mesmas pessoas que sorriam ao nos desejar bom dia um dia antes, agora tremiam de frio e raiva na frente da casa do nosso líder. Eu via no rosto de Alain o desespero de saber a verdade e não poder prová-la. Tenho certeza que assim como eu, Aywanne sentia o mesmo.

O velho e bom Balzak nunca faria esse tipo de coisa. Nós vimos o assassino correndo.

Pobre Alain…

Ele tinha duas mãos!!!! Como poderia ser nosso líder maneta que assassinara as garotas?

Mas a população de Anderton, em sua maioria humildes camponeses e pastores, não queria saber disso. Eles queriam um culpado para poder dormir a noite em paz, por mais que essa paz fosse falsa.

E Balzak no seu silêncio fazia o jogo deles. Alain estava desesperado, e na sua angústia, gritara que era tão culpado quanto seu pai. A população urrou.

Gajan observava Balzak sem fazer nada. Havia um consentimento entre ambos que me incomodou. O que acontecia nesse lugar?

Era hora de agir. Antes que as tochas fossem substituídas por foices, gritei por prisão aos 2 suspeitos. O grito se espalhou, e os guardas levaram os “criminosos”.

Gajan saíra do seu silêncio e começara a conversar com os habitantes. Tudo seria esclarecido no próximo dia. Todos poderiam dormir em paz.

Aham, tá bom.

Eu, Aywanne e Flickts nos sentamos em um canto. Os dois estavam abalados. Eu também estava, mas precisávamos fazer algo. Conversamos sobre os acontecimentos, era unânime que precisávamos saber mais. Juntando nossas forças e deixando o cansaço de lado após uma perseguição que durara horas, fomos atrás de mais pistas.

Chegamos ao lupanar de Anderton. As portas estavam abertas. Ao entrarmos, vimos todas as garotas na sala bebendo. Não haveria clientes na noite de hoje. A tristeza se abatia por todos na cidade, principalmente nelas que perderam mais de uma amiga.

Com o consentimento da cafetina, que deve ter sido muito bonita quando era jovem (ressalto o quando era jovem), fomos procurar pistas nos quartos das garotas.

Eu não encontrei nada, mas Flickts descubrira em um dos quartos uma carta. Aparentemente uma das jovens tinha um amante (parece até piada, mas esse não precisava pagar creio eu), e ambos pretendiam fugir de Anderton.

Como Aywanne também não descobriu nada, resolvemos ir até a casa desse amante.

Segundo uma das garotas, a família do mesmo tinha uma fazenda depois do rio que cruza a cidade. Então era pra lá que iríamos.

Ao chegarmos na fazenda, nos demos conta que o sol nem tinha nascido e íamos interrogar na madrugada uma pessoa que poderia nem ter nada a ver com os assassinatos e, muito provavelmente, estava triste.

Resolvemos descansar e conversar com o rapaz depois do amanhecer.

Entramos no celeiro da fazenda e nos jogamos na palha. O cansaço tomou conta de nós.

Eu sabia que precisava ficar acordado, precisava proteger meus amigos…

Eu…

…estou com sono.

Hm? Que barulho é esse?

Ah, que preguiça. A luz ainda tá fraca, porque alguém levan…

EI!

QUEM É VOCÊ?

Era ele. O assassino. O maldito deve ter nos seguido e agora estava planejando nos assassinar. Porque mais ele estaria com meu arco na mão?

Meu grito acordou meus companheiros e nós três levantamos com um pulo. O assassino já estava correndo com meu arco. Quando fui pegar minha kopesh pra perseguir o ladrão, vi que não era só meu arco que o mesmo tinha se apoderado. O mesmo acontecera com as armas de Aywanne e Flickts.

Além de assassino era um ladrão?

Típico

Corremos atrás dele assim mesmo. Aywanne pegou um garfo de feno e Flicks uma foice. Eu peguei uma adaga que guardava na bota e corremos atrás do bandido.

Só havia um problema: a fazenda era de trigo. E, obviamente, o meliante entrou na plantação para nos despistar.

Mas ele não sabia com quem estava mexendo. Não uso uma pele de urso sobre minha armadura à toa. Sou um dos melhores caçadores da nossa vila, e ele estava me desafiando.

Aquele bandido era minha presa.

O rastro era quase impossível de se ver naquele lugar, mas os pássaros voavam por onde o bandido passava. Apesar de estar adiantado, eu era mais rápido que ele. Apontei para os lados e meus companheiros entenderam. Íamos cerca-lo.

Aywanne foi a primeira que se deparou com aquela figura misteriosa. Ele devia ter algum artefato explosivo com ele, pois logo ouvi barulhos de explosões e fumaça perto de onde a filha de Gajan tinha ido. Corri até lá, e percebi que o ladrão deve ter desistido de lutar com a garota, pois as explosões estavam se distanciando.

A fumaça já estava se espalhando por quase todo o campo e comecei a ouvir barulhos vindo da fazenda. Os moradores deviam ter acordado. O assassino estava em apuros. Subitamente, encontrei Aywanne parada, com o machado na mão e suando, não havia sinal do encapuzado.

Perguntei se estava tudo bem, e ela só me respondera que o alvo tinha sumido. Ouvimos passos vindo na nossa direção, mas era só Flickts com meu arco na mão. Provavelmente o bandido o havia jogado fora na sua fuga.

Começamos a procurar em volta do local. Como já imaginava, os rastros estavam todos bagunçados pelas lutas e explosões. E já não havia mais pássaros a vista. Ele devia estar escondido, mas onde?

Quando fui sentar em um canto para pensar, quase morri de susto! O “trigo” não aparou meu corpo, ao contrário, eu fui tragado numa espécie de túnel, e estava ainda caindo quando percebi o que ocorria. Como era possível que o bandido soubesse da existência de um tu… SPLASH!

Gelo.

Havia um lençol freático embaixo daquela plantação. Porra, que frio!

Nadei até uma margem e me arrastei até uma borda. E agora? E meus ami…

SPLASH!

SPLASH!

Ok, eles vieram.

Ajudei-os a subir até a margem enquanto ambos praguejavam. Sem receber sol, aquele rio congelava nossos ossos, e a corrente de ar não estava ajudando.

Vimos uma corda cortada pela metade em uma espécie de ancoradouro (nessa altura da campeonato já havíamos deixado a lógica na superfície). O bandido devia estar descendo o curso d’agua de barco. E nós estávamos a pé, molhados e com frio. Não havia outro barco. Não conseguiríamos subir por onde viemos. O único caminho era o rio subterrâneo.

Abusando da nossa cota de coragem, pegamos um tronco da margem e pulamos no rio. Fomos batendo perna e nos mexendo ao máximo para não congelarmos.

Já disse que estava frio?

Algum tempo depois (minutos, horas?) saímos para a superfície em uma pequena queda d’agua. O calor do sol trouxe um sopro de vida aos nossos corpos, mas se continuassemos ao ar livre, iríamos morrer.

Saímos do rio e corremos para a construção mais próxima. Havia um moinho abandonado perto da margem. Por sorte, o mesmo tinha uma lareira em um pequeno aposento em seu interior. Jogamos o que havia de madeira lá (o que provou que uma foice e um ancinho são bem mais úteis do que uma adaga) e nos amontoamos ao redor da lareira.

Viva as cadeiras de madeira!

Estávamos salvos da hipotermia. Mas o assassino escapara.

Próxima Cena: Campanha em Anderton – Cena 7

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