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Campanha em Anderton – Cena 3

10/07/2010

Cena anterior: Campanha em Anderton – Cena 2

Quando acordei, a primeira coisa que percebi era que minha mão segurava o punho da arma. Já fazia alguns dias que isso acontecia, provavelmente graças aos pesadelos que estranhamente me afligiam nesses últimos tempos.

Kopesh

Não dei muita bola pra isso. Levantei-me com o corpo enrijecido e espreguicei-me.

O dia já estava quase raiando e tinha passado da hora de acordar. Eu precisava ensinar o Alain a lutar que nem um homem, ou a próxima incursão do mesmo na floresta poderia resultar em tragédia.

Chamei meus amigos para comermos algo quente antes de começarmos o treinamento. Os dois levantaram sem muita animação, mas vieram logo que ouviram o crepitar da lenha. Eu ainda não compreendia porque a filha de Gajan precisava ficar com a gente, mas eu nunca fui muito de questionar ordens, então não me preocupei.

Enquanto comíamos, começamos a discutir novamente sobre o evento da noite anterior. Aywanne pulava de curiosidade, e estava tentando me convencer a passarmos na cidade para sabermos mais. Alain por outro lado queria pegar todos seus equipamentos na sua casa. Eu mesmo estava um pouco curioso sobre a conversa de Balzak com seus conselheiros, mas estava com mais vontade ainda de tomar um trago no Yaren.

Sendo assim, montamos nos cavalos e partimos em direção a cidade novamente. Ao chegar nos separamos, e cada um foi cuidar dos seus assuntos. Combinamos de nos reunirmos quando o sol estivesse a pino, e parti de encontro ao hidromel!

Sentei no banco perto da EverFire e aproveitei pra me esquentar. Conversei um pouco com algumas pessoas, e ouvi falar que um grupo de lenhadores da parte noroeste da vila havia sumido há alguns dias. Alguns começaram a especular sobre os possíveis motivos, e comecei a ouvir um monte de teorias sem pé nem cabeça. Me diverti um pouco ouvindo as coisas, mas chegara a hora de me reunir com meus amigos.

Aywanne me esperava com um sorriso no rosto. Acompanhado dela, estava Gajan, com seu cajado de madeira, e o goblin prisioneiro ao lado (nada de Alain). O nosso sábio então me disse que conversara pessoalmente com o capturado. Aparentemente a tribo dos goblins estava sendo controlada por uma mulher que os mandava roubar nossas coisas. Pelo que o prisioneiro dissera, os goblins não aceitavam de bom grado servi-la, mas não podiam fazer nada já que suas esposas e filhos estavam sendo mantidos como reféns dela e de seus capangas.

História estranha. Provavelmente se outra pessoa me contasse eu pediria para “conversar” pessoalmente com o prisioneiro para ter certeza da história. Mas nunca duvidei de Gajan. Aprendi muito com ele, e sei que sua sabedoria é muito maior que a minha ou a de qualquer outro membro da vila. Nosso decano então pediu para investigarmos sobre a situação dos goblins, e fossemos o mais rápido possível, auxiliado pelo membro capturado.

Assenti com a cabeça e pedi a benção para nosso sábio. Virei para o goblin e perguntei em sua língua se seria necessário amarrá-lo. Sem olhar nos meus olhos, ele meneou a cabeça para os lados.

Foi o suficiente pra mim. Coloquei-o em cima do meu cavalo, e imediatamente o pequeno se agarrou à cela. A altura parecia assustar a criatura, o que me deixou um pouco mais à vontade.

Antes de partir, perguntei para a guerreira onde estava o filho de Balzak. Aparentemente ele nos encontraria na minha casa depois que fizesse o que tinha de fazer. Desconfiado de uma artimanha do mensageiro da vila (que era famoso por esquecer das mensagens a serem entregues), mas sem muito que fazer, montei atrás do goblin e fomos cavalgando lentamente até minha fazenda. Quando chegamos, desmontei rapidamente e pedi para Aywanne vigiar o prisioneiro. Fui até minha casa e expliquei a situação para Pethos, meu pai. Peguei algumas coisas no meu quarto (nunca se sabe quando se precisará de um pedaço de giz) e voltei até lá fora. Alain não havia chegado.

Guardamos os cavalos (não levaríamos os mesmos para a floresta densa) e nada.

Passaram-se algumas horas e eu comecei a ficar irritado.

Quando o sol começou a descer, e o frio a aumentar, ouvi passos de cavalo vindo da trilha. Surgira um dos cavalos da minha fazenda com um Alain meio capenga em cima. Obviamente bêbado. Nem esperei ele arriar o cavalo, puxei-o da sela e o bebum se espatifou no chão. Levei o pangaré para o estábulo enquanto Aywanne ajudava o mensageiro a se recompor.

Quando voltei, Alain abriu a boca para falar algo (provavelmente um “vamos esperar de manhã para partirmos?”), mas fiz minha cara de poucos amigos e foi o suficiente. Disse que estávamos atrasados e que devíamos partir imediatamente.

Goblin

Caminhamos algumas horas no começo da noite floresta adentro. Mantive o goblin (que descobri que se chamava Dois) ao meu lado, e fui tentando memorizar o caminho. Quando o frio começara a nos atrasar paramos para acampar. Segundo Dois, havia uma espécie de entrada subterrânea não muito longe dali, e poderíamos facilmente alcançá-la no começo da manhã do dia seguinte. O goblin dissera que aquela entrada era muito usada pelos grupos de goblins assaltantes, e, por estarmos perto, deveríamos tomar cuidado para não sermos descobertos. Me espantei com a honestidade da criatura, mas mesmo assim me mantive desconfiado. Afinal de contas, ele era um goblin.

Não acendemos fogueira e nos agasalhamos o máximo possível. Antes mesmo de dormimos, ouvimos passos leves se aproximando. Sem muito tempo, nos escondemos enquanto Dois permanecera sentado encostado na árvore.

Em poucos segundos surgira das sombras um grupo de goblins que imediatamente reconheceram seu companheiro. Estes começaram a falar na sua língua de forma muito rápida, então só reconheci palavras como “casa” e “senhora”.

Nosso prisioneiro foi levado e os goblins se dirigiram ao seu esconderijo. Com um breve aceno de cabeça, concordamos em segui-los. Fomos o mais silenciosamente possível e os seguimos por algumas horas sem sermos notados.

Apesar da escuridão da floresta, conseguimos nos guiar com a ajuda da luz da lua e dos ruídos dos goblins, que não imaginavam que estavam sendo seguidos. Enquanto andavam eu ouvia Dois tentando falar, mas seus amigos não estavam muito afim de conversar. Após algum tempo andando, provavelmente umas 2 horas, os goblins chegaram a uma pequena clareira e pararam. Para nosso azar, a parada foi abrupta demais, e a Aywanne, por descuido, fez mais barulho do que deveria.

Os goblins rapidamente ficaram em alerta, e, desconfiados, voltaram um pouco para procurar a fonte do barulho. Eu e Alain nos escondemos, mas a coitada da filha do Gajan mais se encolheu do que achou um esconderijo. Os goblins a avistaram e partiram pra cima, imaginando que a mesma estava sozinha.

Alain, no seu momento de inspiração

Eu e Alain, mais afastados, nos dirigimos para a batalha que se iniciara. Eu fui correndo pelo chão enquanto o filho de Balzak, em uma inspiração totalmente idiota, resolvera ir pulando de árvore em árvore. Obviamente não deu certo, e quando Alain fora saltar em cima de um goblin, sua perna se prendeu em um galho e o mesmo caiu estatelado no chão, no meio dos combatentes.

Incrível como o filho do melhor combatente da vila podia ser tão imbecil.

Foi minha vez de tentar algo inusitado, e, com uma acrobacia bem calculada, me mantive na frente da criatura caída, antes que Balzak perdesse seu único herdeiro.

O combate prosseguira, e, apesar da superioridade numérica, os goblins não conseguiram nos vencer. Minha kopesh e o machado de Aywanne fizeram um bom trabalho, e logo os goblins estavam caídos. Era hora de sabermos mais sobre os planos deles.

Próxima cena: Campanha em Anderton – Cena 4

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5 Comentários leave one →
  1. Shiro permalink
    10/07/2010 11:31

    Alain, momento Tarzan! huahua

  2. 20/07/2010 21:53

    gostei do texto RPGistico, querido ex-saitor rs

  3. Chico "Aramís" Napolitano permalink*
    20/07/2010 22:28

    Um elogio da excelentíssima escritora-mirim Fluo!
    Olha só, que honra :)

    Obrigado ex-Nolyë!

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